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Regulatório

Após liberar remédio para enxaqueca, Anvisa ainda tem 196 pedidos de medicamentos novos pendentes

Agência tem 1.062 pedidos de medicamentos pendentes. Presidente da Anvisa, Leandro Safatle, diz que sintéticos formam a fila mais difícil de zerar ainda em 2026

Crédito de Foto: Magnific
Crédito de Foto: Magnific Ilustração de Saúde Insider

A recente aprovação do Aquipta (atogepanto), novo medicamento para prevenção da enxaqueca na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) acontece em meio a uma longa fila de medicamentos novos à espera de resposta. Segundo o painel da agência, havia 196 pedidos classificados como Novo pendentes de conclusão da análise de registro (até as 10h de segunda-feira, 14). É o equivalente a 18,4% do total de 1.062 pedidos de medicamentos. O número inclui solicitações de medicamentos novos e inovadores, mas não necessariamente inéditos. É o caso da Aquipta. Na fila da agência, variações de semaglutida, a fomosa canetinha para tratar obesidade e diabetes tipo 2, lidera os pedidos.

Os 196 registros fazem parte dos mais de 1 mil pedidos de medicamentos pendentes (que envolvem biológicos, genéricos similares e outros), e ajuda a dimensionar o desafio da agência, que pretende encerrar 2026 praticamente sem passivos. A meta foi detalhada recentemente pelo presidente da Anvisa, Leandro Safatle, em entrevista ao Saúde Insider. Segundo ele, medicamentos sintéticos são a fila mais difícil de eliminar. No primeiro semestre deste ano, a agência realizou 261 análises nesse segmento, mais de três vezes as 86 de um ano antes. De janeiro a julho, as petições analisadas chegaram a 288, acima do recorde anual de 272 em 2018. “Talvez essa a gente não consiga eliminar toda até o fim do ano”, afirmou.

Para dar celeridade aos processo, a Anvisa vem adotando mudanças. No início de setembro, a diretoria colegiada aprovou projeto-piloto de análise otimizada da qualidade de pedidos de registro de medicamentos sintéticos e semissintéticos. A proposta utiliza um resumo das informações técnicas para reduzir o tempo gasto na localização e organização dos dados apresentados pelas empresas, sem dispensar a avaliação regulatória.

Caso Aquipta. Entre os registros concluídos recentemente está o Aquipta, da AbbVie. À base de atogepanto, o medicamento foi aprovado pela Anvisa na terça-feira (8) para prevenção da enxaqueca em adultos que apresentam pelo menos quatro dias de enxaqueca por mês. O tratamento é oral e atua sobre o receptor do CGRP, molécula envolvida nos mecanismos da enxaqueca e na transmissão da dor. A classe vem ganhando novas opções no país é uma das apostas de médicos para alívio das crises da doença.

Nos estudos que embasaram a avaliação do atogepanto, houve redução da frequência das crises. No Advance, com 910 participantes, a dose diária de 60mg reduziu em média 4,2 dias de enxaqueca por mês, comparados a 2,5 dias entre quem recebeu placebo. No Progress, realizado com pacientes com enxaqueca crônica, a redução foi de 6,9 dias mensais, contra 5,1 dias no grupo placebo. O registro sanitário, no entanto, é uma das etapas para a chegada do produto ao mercado. O medicamento precisa ter o preço definido pela CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos), e a AbbVie não informou data para o início das vendas no Brasil.

O Aquipta já é usado nos Estados Unidos e na Europa. Na União Europeia, foi autorizado em 2023 para prevenção da enxaqueca e, em 2026, teve a indicação ampliada para o tratamento das crises agudas. No Brasil, a aprovação da Anvisa não significa disponibilidade imediata no SUS (Sistema Único de Saúde ) e nos hospitais particulares. As condições de uso também deverão seguir a bula aprovada no país. Em maio, a Anvisa já havia aprovado outro medicamento que atua sobre o CGRP, o Nurtec ODT (Pfizer), à base de rimegepanto.

Questões essenciais

Quantos pedidos de medicamentos aguardam análise da Anvisa?

O painel citado na reportagem registra 1.058 pedidos de medicamentos pendentes de conclusão de análise, dos quais 194 aparecem na categoria “Novo”.

Para que o Aquipta foi aprovado no Brasil?

O Aquipta, à base de atogepanto, foi aprovado pela Anvisa para prevenção da enxaqueca em adultos que apresentam pelo menos quatro dias de enxaqueca por mês.

A aprovação da Anvisa significa que o Aquipta já está disponível no Brasil?

Não necessariamente. O registro sanitário é uma das etapas. O medicamento ainda depende da definição de preço pela CMED, e a AbbVie não informou data para o início das vendas no Brasil.

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