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Regulatório

ANS vê margens menores em 2027 após receita dos planos perder vantagem sobre despesas

Nos 12 meses encerrados em junho, as contraprestações das operadoras crescem 9,4%, enquanto os eventos indenizáveis líquidos avançam 9,1%

Crédito de Foto: Magnific
Crédito de Foto: Magnific Ilustração de Saúde Insider

A ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) vê espaço para redução das margens de lucro das operadoras de saúde em 2027. Durante a apresentação dos resultados do segundo trimestre, na quarta-feira (16), César Serra, diretor-adjunto de Normas e Habilitação das Operadoras, afirmou que uma eventual redução representaria normalização depois de um período especialmente favorável. “Talvez a margem não se mantenha na casa dos 7%, 8%”, afirmou Serra durante o webinário.

Questionada sobre qual seria a rentabilidade tecnicamente adequada para o mercado, a ANS afirmou que não existe percentual ideal, mas apontou que anos considerados muito bons historicamente apresentam margem líquida entre 6% e 8% do faturamento. Períodos considerados normais ficam próximos de 4%, enquanto em outros momentos o setor já operou perto de 2%. Para Serra, os últimos anos permitiram forte recomposição das mensalidades, mas pode ficar mais difícil manter a mesma intensidade de reajustes daqui para frente.

Nos 12 meses encerrados em junho, as contraprestações das operadoras médico-hospitalares cresceram 9,4%, enquanto os eventos indenizáveis líquidos avançaram 9,1%. Um ano antes, a diferença entre as duas curvas era de 3,4 pontos percentuais (9,4% x 6%). Essa proporção é usada para calcular o percentual do reajuste aplicado pela agência aos planos individuais.

Na série de 12 meses, as contraprestações efetivas das operadoras médico-hospitalares passaram de R$ 321,4 bilhões (segundo trimestre de 2025) para R$ 351,6 bilhões (junho deste ano). Os eventos indenizáveis líquidos, que refletem principalmente os gastos com a assistência aos beneficiários, aumentaram de R$ 263,9 bilhões para R$ 287,8 bilhões no mesmo intervalo. A diferença entre as taxas de crescimento ficou, portanto, em apenas 0,3 ponto percentual, bem abaixo da vantagem que as receitas mantinham sobre as despesas até o ano passado.

Quando a ANS informa os valores por beneficiário, a inversão já aparece. A contraprestação média na série de 12 meses subiu de R$ 555,70 no segundo trimestre de 2025 para R$ 599,13 no mesmo período de 2026, avanço de aproximadamente 7,8%. Já os eventos assistenciais por beneficiário passaram de R$ 432,30 para R$ 469,15, crescimento de cerca de 8,5%. Nesse recorte, portanto, a despesa assistencial passou a aumentar acima da receita, reforçando a leitura de que o espaço aberto pelos reajustes dos últimos anos começou a se estreitar.

Ciclo de reajustes. Washington Oliveira Alves, gerente de Habilitação e Estudos de Mercado da ANS, falou sobre essa mudança durante a apresentação. Segundo ele, o crescimento das receitas havia superado de forma mais clara o avanço das despesas nos dois anos anteriores, movimento associado ao ciclo de reajustes e à recuperação dos resultados pós-pandemia. “Esse crescimento da receita maior do que o crescimento das despesas assistenciais já não se observa em 2026”, afirmou Alves.

A agência afirma que não há hoje indicação de crise ou deterioração relevante das condições econômico-financeiras das operadoras. O setor segue, segundo a ANS, capitalizado e também se beneficia do ambiente de juros elevados, que amplia o retorno das aplicações financeiras. Na avaliação da agência, eventual margem menor no próximo ano seria diferente de um cenário de dificuldade e representaria apenas o retorno a patamares mais próximos da média histórica.

Ainda que o reajuste regulado seja aplicado obrigatoriamente em uma parcela pequena dos planos contratados, Alves disse que a indicação de valor da ANS (para os planos individuais) pode calibrar os aumentos praticados pelas operadoras em todas as modalidades de contratação.

Outro fator importante para a composição da margem das operadoras no ano que vem será o comportamento da economia. Cerca de 84% dos beneficiários estão vinculados a contratos coletivos, ou seja, que não têm reajuste regulado pela ANS, e estão ligados diretamente ao mercado de trabalho. Segundo Serra, conforme a economia reage, em especial o emprego, as margens das operadoras são recompostas, ainda que os reajustes sejam menores.

Dados do Novo Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego, mostram que o saldo líquido de vagas nos 12 meses encerrados em junho de 2026 foi de 963.921 novos postos de trabalho, crescimento de 2,1% no período. Com isso, o estoque de empregos formais no país alcançou 48.032.308 vínculos trabalhistas.

Questões essenciais

Por que a margem de lucro dos planos de saúde pode cair em 2027?

A ANS vê redução do espaço entre o crescimento das receitas e das despesas assistenciais. Nos 12 meses encerrados em junho de 2026, as contraprestações cresceram 9,4%, enquanto os eventos indenizáveis líquidos avançaram 9,1%. Um ano antes, a diferença entre as taxas era de 3,4 pontos percentuais.

Qual é a margem de lucro considerada normal pela ANS?

A ANS afirma que não existe percentual ideal. Segundo a agência, períodos considerados normais ficam próximos de 4%, enquanto anos historicamente muito bons apresentam margens líquidas entre 6% e 8%.

Os planos de saúde estão em dificuldade financeira?

Segundo a ANS, não há hoje indicação de crise ou deterioração relevante das condições econômico-financeiras das operadoras. A agência considera que margens menores podem representar uma normalização depois de um período especialmente favorável.

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