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Operadoras de Saúde

Juros fazem resultado financeiro dos planos superar o ganho com resultado operacional

Resultado financeiro chega a R$ 7,5 bilhões no primeiro semestre, ante R$ 5,6 bilhões da operação. Aplicações somam R$ 142,4 bilhões

Crédito de Foto: Magnific
Crédito de Foto: Magnific Ilustração de Saúde Insider

Mesmo com a redução da Selic de 14% para 13,75%, decidida na quarta-feira (16) pelo Banco Central, o Brasil permanece na ponta da lista dos maiores juros reais do planeta: 8,45%. E isso segue segurando os resultados das operadoras de planos de saúde mais do que a própria atividade de vender e administrar os contratos. No primeiro semestre de 2026, o resultado financeiro das operadoras chegou a R$ 7,5 bilhões, acima dos R$ 5,6 bilhões obtidos com a operação em si. uma distância de 34%. Um ano antes, o resultado financeiro estava em R$ 6,8 bilhões e o operacional em R$ 6,3 bilhões, um gap de 8%. Os dados foram apresentados na quarta-feira (16) pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), no balanço econômico-financeiro do segundo trimestre.

No semestre, as operadoras arrecadaram R$ 180,8 bilhões em contraprestações efetivas, principalmente mensalidades, e registraram R$ 145,7 bilhões em despesas assistenciais. O resultado líquido agregado do setor caiu 6,2% na comparação com o mesmo período de 2025, atingindo R$ 12,1 bilhões. A redução, segundo a ANS, foi influenciada por movimentos contábeis e societários de grandes empresas e “não deve ser interpretado isoladamente como piora do desempenho do setor.”

O avanço do resultado financeiro ganhou força no segundo trimestre. Segundo Washington Oliveira Alves, gerente de Habilitação e Estudos de Mercado da ANS, no início do ano os ganhos obtidos com a atividade principal e com o financeiro estavam em patamares mais próximos. Essa relação mudou. “Agora a gente já vê um volume de resultado financeiro ainda maior do que resultado operacional”, afirmou Alves. A título de comparação, no primeiro semestre de 2018, o resultado operacional das empresas foi de R$ 2,7 bilhões, enquanto o resultado financeiro estava em R$ 1,9 bilhão.

A ANS relaciona o movimento principalmente ao patamar elevado dos juros e ao volume de recursos mantidos em aplicações pelas operadoras de saúde. Como as mensalidades são recebidas antes de parte dos desembolsos assistenciais, as empresas mantêm recursos aplicados até o pagamento das despesas. Quanto maior a escala da operadora, maior tende a ser o volume financeiro disponível. Segundo a agência, os ganhos também estão concentrados nas empresas de maior porte.

A maior parte das aplicações mencionadas pela ANS estão alocadas em títulos privados de renda fixa, fundos e CDBs, com dois terços em títulos de renda fixa privada: R$ 87,7 bilhões (61,6%). Segundo a ANS, o estoque de aplicações chegou a R$ 142,4 bilhões no segundo trimestre de 2026, 9,3% acima dos R$ 130,2 bilhões de um ano antes. Por regra, 49,45% dos recursos das operadoras médico-hospitalares são classificados como aplicação livre, e 50,55% são aplicações garantidoras para provisões técnicas, uma espécie de depósito compulsório.

Diferenças. O desempenho agregado, porém, esconde diferenças importantes entre as operadoras. Das empresas médico-hospitalares avaliadas pela ANS, 411, quase 64%, encerraram o primeiro semestre com resultado operacional positivo. Outras 232, ou 36%, tiveram prejuízo. Quando entram na conta o resultado financeiro, efeitos patrimoniais, impostos e outras receitas e despesas, o quadro melhora. Ao todo, 493 operadoras, equivalentes a 77%, terminaram o semestre com lucro líquido.

O balanço também foi influenciado por reorganizações societárias realizadas neste ano e em 2025 por grandes grupos do setor. Retirados esses efeitos não recorrentes, a avaliação da agência é que o lucro líquido está muito próximo do observado no mesmo período do ano passado. A ANS também ressalta que as grandes operadoras continuam concentrando parcela importante dos ganhos, embora a recuperação financeira esteja alcançando uma fatia maior do mercado.

Questões essenciais

Quanto os planos de saúde ganharam com aplicações financeiras em 2026?

O resultado financeiro das operadoras médico-hospitalares chegou a R$ 7,5 bilhões no primeiro semestre de 2026, acima dos R$ 5,6 bilhões do resultado operacional.

Quanto as operadoras de planos de saúde têm aplicado no mercado financeiro?

As aplicações financeiras das operadoras médico-hospitalares somavam R$ 142,4 bilhões ao fim do segundo trimestre de 2026, 9,3% acima de um ano antes.

Quantas operadoras tiveram prejuízo na atividade principal?

Das operadoras médico-hospitalares avaliadas pela ANS, 232, ou cerca de 36%, encerraram o primeiro semestre com resultado operacional negativo.

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