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Economia

Antes de regular, é preciso definir se a saúde suplementar deve crescer, diz Antônio Brito, da Anahp

Diretor-executivo da entidade defende que setor estabeleça objetivos de expansão da cobertura antes de avançar nas discussões com a ANS

Crédito de Foto: Magnific
Crédito de Foto: Magnific Ilustração de Saúde Insider

Antes de regular, é preciso entender qual é o objetivo em relação à saúde suplementar: expandir ou manter o tamanho atual? O convite à reflexão foi feito pelo diretor-executivo da Anahp (Associação Nacional de Hospitais Privados), Antônio Britto, durante painel do Conahp 2026 (Congresso Nacional de Hospitais Privados), realizado recentemente em São Paulo. O dirigente afirmou que, antes de qualquer discussão com a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), é necessário responder a algumas perguntas básicas e definir um plano sobre onde se quer chegar.

“Regulação para quê? Nós queremos regular para manter desse tamanho ou para estender?”, disse Britto. “Se é para ampliar, nós temos um diagnóstico de por que não sai dos 25% [da população] a cobertura?” Dados da ANS indicam que o percentual da população coberta por planos privados variou de 22,5% a 24,9% nos últimos dez anos – de 47,7 milhões de beneficiários em 2016 a 53 milhões até julho deste ano. Britto apontou como possível explicação para o cenário a redução do trabalho formal e o crescimento da figura do MEI (microempreendedor individual) na economia brasileira.

“A saúde suplementar está amarrada à [contratação por] CLT [Consolidação das Leis do Trabalho], da relação com as empresas, que não conseguem suportar os custos”, afirmou o executivo. Informações da ANS mostram que, dos 53 milhões de beneficiários de planos privados de saúde, quase 39 milhões estão em contratos coletivos empresariais.

Um estudo da Anahp, divulgado recentemente, apontou que o crescimento do setor é puxado por planos de até cinco vidas, associados a MEIs. A modalidade registrou aumento de 188% no número de beneficiários entre 2015 e 2026, passando de 1,7 milhão para 4,9 milhões até maio de 2026.

Britto abordou a necessidade de iniciativas de prevenção para reduzir custos, indicando que o investimento da saúde suplementar nessa frente ainda é muito baixo. Segundo levantamento da Anahp, as operadoras gastaram 0,26% das receitas em programas de prevenção no segundo trimestre de 2026. O dirigente ressaltou que as empresas não são estimuladas a investir mais em razão da alta rotatividade dos beneficiários. “Eu cuido da saúde das pessoas e, daqui a um ano, essa pessoa vai para outro plano.”

No mesmo painel, o diretor-presidente da ANS, Wadih Damous, expressou perplexidade com a manutenção da taxa de cobertura por planos privados no mesmo patamar por tantos anos, levando em consideração que o convênio médico é um dos itens mais valorizados pelo consumidor brasileiro. “Eu queria reunir as operadoras para saber se isso [manter o número] é programático.” Damous questionou se acabar com as restrições à comercialização de planos individuais poderia ser o caminho para a massificação. “A massificação significaria mais receita ou mais despesa? Eu não sei.”

Também participante do debate, o diretor-executivo da Abramge (Associação Brasileira de Planos de Saúde), Marcos Novais, afirmou que é preciso partir do princípio de que, dentro da estrutura de mercado atual, o número de pessoas com planos de saúde será cada vez menor, tornando os custos maiores para os beneficiários. Para ele, é preciso buscar mudanças que permitam ampliar a população assistida e diluir os riscos. “Acredito que esse é um grande desafio, não só para o regulador, mas para o mercado e para a sociedade brasileira.”

Questões essenciais

Qual é a cobertura dos planos de saúde no Brasil?

Segundo a ANS, os planos privados de assistência médica cobriam 24,9% da população brasileira em agosto de 2026. O setor contabilizava aproximadamente 53,2 milhões de vínculos de beneficiários.

Por que a Anahp defende discutir a expansão da saúde suplementar antes de mudanças regulatórias?

Antônio Britto, diretor-executivo da Anahp, defende que o setor estabeleça objetivos claros para ampliar a cobertura antes de discutir alterações nas regras. Segundo ele, é necessário compreender por que os planos privados continuam atendendo aproximadamente um quarto da população.

Qual é a relação entre os MEIs e o crescimento dos planos de saúde?

Segundo estudo citado pela Anahp, os planos empresariais de até cinco beneficiários registraram crescimento de aproximadamente 188% entre 2015 e maio de 2026, passando de 1,7 milhão para 4,9 milhões de beneficiários. A reportagem associa parte desse movimento aos microempreendedores individuais, mas a participação específica dos MEIs precisa ser confirmada.

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