Chiesi investe R$ 124 milhões, eleva produção em 67% e faz fábrica no Brasil de plataforma exportadora
Ao completar 50 anos no país, companhia italiana, presidida por aqui por Marco Ruggiero, deixa para trás estilo low profile, amplia negócios com o SUS e projeta faturamento de R$ 1 bilhão em 2030
Empresa familiar fundada em 1935 na Itália, a farmacêutica Chiesi completa 50 anos de atuação no Brasil neste ano e aproveita a data histórica para implementar uma estratégia de branding mais ativa. Até então, a companhia voava abaixo do radar, com uma postura low profile. Agora, tem reforçado seu posicionamento no mercado ao colocar em prática ações de comunicação e marketing, a partir da estruturação interna desse setor nos últimos cinco anos. Esse movimento ocorre ao mesmo tempo em que a Chiesi anuncia um investimento de R$ 124 milhões na fábrica brasileira, localizada em Santana de Parnaíba (SP), e o lançamento de um novo produto, um spray inalador, conhecido popularmente como bombinha. “Crescemos dois dígitos ao ano no país. Sou um executivo de muita sorte”, disse em tom bem-humorado ao Saúde Insider Marco Ruggiero, presidente da Chiesi Brasil.
Isoladamente, a sorte talvez não gerasse os resultados alcançados pela companhia no país. O executivo, que assumiu a operação brasileira em janeiro de 2024, após seis anos como presidente da Chiesi México, tem trabalhado – sem deixar a sorte de lado – para ampliar os negócios da companhia e expandir a capilaridade dos produtos. Sob sua gestão, a farmacêutica intensificou o fornecimento de medicamentos ao SUS (Sistema Único de Saúde).
Desde 2011, havia uma parceria com o Ministério da Saúde para a distribuição de remédios para o tratamento da asma no programa Farmácia Popular. Mas de maneira ainda tímida. A partir de 2024, com a expansão do programa, passou a oferecer também uma terapia para tratar a rinite alérgica. “Uma farmacêutica que não está presente no SUS talvez não consiga cumprir o propósito de levar suas tecnologias a uma massa importante de pacientes”, disse Ruggiero. Além do governo federal, a companhia tem ampliado sua atuação junto a secretarias estaduais de saúde. “Já entramos em São Paulo, Minas Gerais e vários outros estados importantes.”
É acesso a medicamentos para a população e também sustentabilidade financeira para a empresa. A Chiesi encerrou 2025 com faturamento de R$ 690 milhões no mercado nacional e almeja chegar a R$ 1 bilhão até 2030. O Brasil figura entre os sete principais mercados da companhia em faturamento, com seus produtos chegando ao tratamento de 4,6 milhões de pessoas no ano passado, um crescimento de 20% em relação ao período anterior. Globalmente, a empresa faturou 3,6 bilhões de euros ano passado, com projeção de atingir 6 bilhões de euros em 2030.
A operação brasileira, inaugurada em 1976, foi a primeira da Chiesi fora da Itália e tem contribuído cada vez mais para a receita da companhia. Com a mudança de postura, para mostrar mais a cara da empresa ao mercado, a farmacêutica pretende acelerar os negócios no país.
“Chegamos com protagonismo ao longo dos últimos 50 anos. Sempre crescendo e sendo reconhecida como uma empresa de reputação no Brasil”, afirmou Ruggiero, ao observar que a universalidade do SUS, o envelhecimento da população, os incentivos recentes a estudos clínicos e um segmento bem regulado são fatores positivos para o desenvolvimento dos negócios no país.
As dificuldades estariam “um pouco na economia e um pouco na burocracia, que é bastante intensa”, disse o presidente, ao ressaltar que isso não significa que as coisas não aconteçam. “Elas acontecem, mas algo que poderia acontecer em seis meses acaba acontecendo em um par de anos”, afirmou o executivo.
Por aqui, o setor farmacêutico movimentou R$ 279,7 bilhões nos 12 meses encerrados em julho, segundo estudo da Close-Up International. O crescimento foi de 13,71% em comparação com o mesmo período anterior. No ranking das maiores companhias do setor no país, a liderança é do Grupo EMS, com R$ 32 bilhões de faturamento nos últimos 12 meses até julho. A Eurofarma ocupa a segunda posição, com R$ 24,9 bilhões, seguida pela Hypera Pharma, com R$ 19 bilhões.
Investimento. Marco Ruggiero considera o investimento de R$ 124 milhões na fábrica de Santana de Parnaíba “o presente mais importante” dos 50 anos da empresa no Brasil. Com o aporte, que será escalonado ao longo dos próximos três anos, a companhia visa produzir sprays inaladores, as chamadas bombinhas, com um gás que reduz a pegada de carbono do produto em até 90%. O medicamento é usado no tratamento da asma e da DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica).
“Obviamente, é uma agenda de produção e de tecnologia, mas também uma agenda de sustentabilidade”, disse o presidente da Chiesi Brasil. A iniciativa também se encaixa em um conceito global do grupo italiano, de ser totalmente neutro em carbono até 2035. Com os avanços em território brasileiro, a companhia considera que a operação nacional se consolida como “coração financeiro e estratégico na América Latina”.
Com a expansão, a planta da empresa na cidade de Santana de Parnaíba, localizada a 40 quilômetros da capital paulista, aumentará em 67% o volume de produção, das atuais 15 milhões para 25 milhões de unidades fabricadas por ano. E passará de 11 para 19 medicamentos produzidos.
A produção local, hoje, abastece tanto o mercado brasileiro, incluindo programas do governo federal, como o Farmácia Popular, quanto o internacional, com exportações contínuas para países da Europa, do Oriente Médio, da Ásia e da Oceania. É mais um passo da Chiesi Brasil na estratégia global do grupo italiano, ao reforçar o conceito de plataforma exportadora.
Cerca de 30% da produção será destinada ao mercado externo, passando a incluir países da América Latina. No médio prazo, a projeção é de que metade da produção seja destinada a outros países. “Nosso plano de negócios é de 50% para o mercado local e 50% de disponibilidade para exportação nos próximos quatro anos”, disse Ruggiero. E como estará a companhia no Brasil nos próximos 50 anos? Marco Ruggiero responde com os pés no chão e uma boa dose de otimismo. “O futuro é sempre um pouco incerto, mas a história é tão bonita que acredito que o futuro vai ser 100% brilhante.” Com sorte. E muito trabalho.
Questões essenciais
Quanto a Chiesi vai investir no Brasil?
A Chiesi anunciou investimento de R$ 124 milhões na fábrica de Santana de Parnaíba, em São Paulo. O aporte será distribuído ao longo de três anos e deverá ampliar a capacidade produtiva e permitir a fabricação de novos inaladores.
Quanto crescerá a capacidade produtiva da Chiesi no Brasil?
Segundo a companhia, a capacidade anual da fábrica passará de 15 milhões para 25 milhões de unidades, um aumento de aproximadamente 67%. O número de medicamentos produzidos também deverá crescer de 11 para 19, conforme os dados apresentados pela empresa.
Qual é a meta de faturamento da Chiesi Brasil para 2030?
A farmacêutica pretende alcançar R$ 1 bilhão em faturamento no mercado brasileiro até 2030. Em 2025, segundo a companhia, a receita nacional foi de R$ 690 milhões.
