Dipirona mantém liderança nas vendas, mas quantidade comercializada diminui
Produto é o mais vendido entre os remédios isentos de prescrição médica. Embora o volume tenha caído, continua sendo o único com faturamento acima de R$ 1 bi, mostra anuário da CMED
A popular dipirona continua sendo o princípio ativo mais comercializado no país entre os chamados MIPs (Medicamentos Isentos de Prescrição), segundo a nova edição do Anuário Estatístico do Mercado Farmacêutico, divulgado pela CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos). É também o único item com faturamento acima de R$ 1 bilhão em 2025. Mas o volume diminuiu em relação ao ano anterior: o número de embalagens vendidas passou da faixa de 250 milhões/500 milhões para a de 100 milhões/250 milhões. Segundo o ranking, os seis primeiros princípios ativos e associações (dois princípios ou mais) não tiveram alteração – a dipirona, além de isolada em primeiro lugar, aparece em duas associações, na segunda e na sexta posições. Essa estabilidade se nota também no item faturamento: 13 princípios ativos e associações permanecem nas 15 primeiras posições.
No total, foram comercializadas 6,3 bilhões de embalagens em 2025, crescimento anual de 3,7%. O ranking da CMED inclui 7,1 mil produtos, 1,9 mil princípios ativos (e associações) e 515 subclasses terapêuticas. No caso dos MIPs, são 1,2 bilhão de embalagens (19,5% do mercado), 1 mil produtos, 345 princípios ativos e 114 subclasses. Esse setor teve faturamento de R$ 15,4 bilhões, 8,4% do total do mercado (R$ 182,8 bilhões). Segundo a Câmara de Regulação, os resultados “evidenciam a dimensão e a heterogeneidade do mercado brasileiro de medicamentos”.
Isso se demonstra em “diferentes dimensões”, disse a CMED. Enquanto medicamentos biológicos e novos têm “participação expressiva” no faturamento, genéricos e similares “se destacam pela quantidade de produtos, apresentações e embalagens comercializadas”. Além disso, agentes antineoplásicos e imunomoduladores (usados no tratamento do câncer) lideram o faturamento, “embora representem parcela reduzida da quantidade comercializada”. E medicamentos dos sistemas cardiovascular, nervoso e digestivo “apresentam elevada participação em volume”.
A maior parte das embalagens se concentra nas faixas de menor preço, e as mais caras, menores em quantidade, se destacam no faturamento. Novos (R$ 60,7 bilhões) e Biológicos (R$ 57 bilhões) concentram 64% do total. Genéricos somam R$ 25,2 bilhões e Similares, R$ 27,1 bilhões. Os medicamentos biológicos, por exemplo, tinham preço médio de R$ 387,77, quase 45 vezes o valor dos genéricos (R$ 8,67). Na categoria “Outros”, a média foi a R$ 488,5 mil – neste grupo estão, por exemplo, os radiofármacos, usados no diagnóstico e tratamento do câncer.
No ranking de princípios ativos com maior faturamento no passado, a semaglutida, que se tornou mais conhecida pelo uso nas chamadas canetas emagrecedoras, perdeu uma posição e ficou em terceiro, mas segue com faturamento anual superior a RS$ 1 bilhão. Foi ultrapassada pela tirzepatida (Mounjaro), que entrou pela primeira vez na lista dos 15 maiores faturamentos e já atingiu o segundo lugar. O primeiro continua sendo do pembrolizumabe (conhecido pelo nome comercial Keytruda), medicamento de imunoterapia. A CMED destaca ainda o retorno ao ranking da vacina contra a covid-19 (8ª posição). “A maior parte destes princípios ativos foi introduzida nos últimos anos no mercado brasileiro.”
Questões essenciais
O que mostra o anuário do mercado farmacêutico?
Os resultados de 2025 confirmam a dipirona como item mais vendido entre os remédios isentos de prescrição. A quantidade caiu, mas o faturamento segue acima de R$ 1 bilhão.
Qual é o peso dos MIPs (Medicamentos Isentos de Prescrição)?
Em 22025, os MIPs somaram 1,2 bilhão de embalagens (19,5% do mercado), 1 mil produtos, 345 princípios ativos e 114 subclasses. O faturamento foi de R$ 15,4 bilhões (8,4% do total)
Quais são os destaques entre os princípios ativos?
O primeiro lugar continua sendo do pembrolizumabe (Keytruda), medicamento de imunoterapia. A tirzepatida (Mounjaro) ultrapassou a semaglutida e ficou em segundo. Ambas são usadas nas canetas emagrecedoras.
