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Biofarmacêutica Argenx inicia operação no Brasil com medicamento para doença rara 

Companhia belga-holandesa vê potencial no país para ampliar sua relevância como polo de pesquisa clínica e inovação na saúde

Crédito de Foto: Magnific
Crédito de Foto: Magnific Ilustração de Saúde Insider

A Argenx, biofarmacêutica belga-holandesa especializada em imunologia, entrou no mercado brasileiro neste ano, com foco inicial na área de doenças neuromusculares. “Consideramos o Brasil um país estratégico pela relevância de seu sistema de saúde e pela excelência de sua comunidade médico-científica”, disse o general manager no Brasil, Fabiano Nascimbeni. O ingresso no mercado brasileiro ocorreu a partir da obtenção na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) da aprovação do medicamento alfaefgartigimode como complemento à terapia padrão para pacientes adultos com miastenia gravis generalizada (MGg). A doença, autoimune, rara e crônica, interfere na comunicação entre nervos e músculos.

Com sede estabelecida em São Paulo, a Argenx e está estruturando gradualmente uma equipe local para apoiar suas operações no país. O executivo afirmou que a companhia pretende construir uma presença de longo prazo. “Isso inclui trabalhar com profissionais, instituições e demais participantes do sistema de saúde.” A empresa não revelou projeções comerciais para a operação no Brasil. Globalmente, a companhia registrou receita operacional total de US$ 2,9 bilhões no primeiro semestre de 2026, resultado 61% superior aos US$ 1,8 bilhão reportados no mesmo período do ano anterior.

Nascimbeni disse que a Argenx já conta com a participação de centros brasileiros em estudos clínicos. Ele acredita que o país tem potencial para ampliar sua relevância como polo de pesquisa, inovação e desenvolvimento em saúde ao afirmar que o Brasil desenvolveu um arcabouço regulatório sólido, com elevados padrões éticos, científicos e de proteção aos participantes de pesquisa. Em 2024, foi sancionada a Lei 14.874, que estabeleceu o marco legal da pesquisa clínica no Brasil. O texto foi regulamentado em 2025.

Uma pesquisa da Interfarma (Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa) indica que o país atingiu a 12ª posição no ranking mundial de estudos clínicos iniciados em 2026, com base em dados do primeiro trimestre. Em 2025, o Brasil figurava na 18ª colocação. Conforme a entidade, a nova legislação trouxe mais previsibilidade e reduziu prazos de aprovação, tornando o país mais atrativo para investimentos. O estudo projeta que o mercado brasileiro poderá avançar para a 10ª posição, com a atração de R$ 2,1 bilhões anuais em investimentos diretos e impacto econômico total de R$ 6,3 bilhões por ano.

Para Nascimbeni, o Brasil possui ativos sólidos na área, incluindo uma comunidade científica qualificada, universidades e centros de pesquisa reconhecidos internacionalmente. Além da excelência científica, ele avaliou que o Brasil também desenvolveu, ao longo das últimas décadas, competências relevantes em produção farmacêutica, biotecnologia e desenvolvimento tecnológico em saúde. “A capacidade produtiva nacional vem se fortalecendo, inclusive em plataformas mais sofisticadas para medicamentos biológicos e outras tecnologias complexas.” Como exemplo, o executivo citou o fortalecimento do CEIS (Complexo Econômico-Industrial da Saúde), estrutura que reúne a base produtiva e tecnológica de medicamentos, vacinas, soros, hemoderivados, dispositivos médicos e outros insumos estratégicos.

Em julho de 2026, a Lei 15.471 instituiu a Estratégia Nacional de Saúde do CEIS, com objetivos que incluem fomentar inovação e reduzir a dependência produtiva e tecnológica externa. Na visão de Nascimbeni, existe uma convergência crescente entre governo, academia, sistema de saúde e iniciativa privada em torno da importância da ciência, da pesquisa e do desenvolvimento tecnológico para ampliar a capacidade de inovação do país. “O Brasil reúne muitos dos elementos necessários para o avanço dessa agenda nos próximos anos.”

Questões essenciais

O que é a Argenx?

A Argenx é uma biofarmacêutica belga-holandesa especializada em imunologia. A companhia iniciou sua operação no Brasil em 2026, com foco inicial em doenças neuromusculares e na estruturação de uma equipe local em São Paulo.

Qual medicamento motivou a entrada da Argenx no Brasil?

Segundo a companhia, a entrada no mercado brasileiro ocorreu após a aprovação regulatória do alfaefgartigimode para pacientes adultos com miastenia gravis generalizada, doença autoimune rara e crônica que afeta a comunicação entre nervos e músculos.

Por que a Argenx considera o Brasil estratégico?

Segundo Fabiano Nascimbeni, a companhia vê oportunidades no Brasil em razão da dimensão do sistema de saúde, da qualidade da comunidade médico-científica e do potencial de crescimento da pesquisa clínica. A empresa afirma já contar com centros brasileiros em estudos clínicos.

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