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Operadoras de Saúde

População 60+ em planos de saúde cresce acima da média. E continuará aumentando

Estudo do IESS mostra que o número de beneficiários de 60 anos ou mais subiu 21,7% de 2019 a 2015, atingindo 8 milhões. Aumento total foi de 11,7% no período

Crédito de Foto: Magnific
Crédito de Foto: Magnific Ilustração de Saúde Insider

A presença de usuários com 60 anos ou mais cresceu nos planos médicos acima da média nacional entre 2019 a 2025, segundo o estudo Consultas ambulatoriais por faixa etária na saúde suplementar, do IESS (Instituto de Estudos de Saúde Suplementar). Enquanto o total de beneficiários aumentou 11,7%, de 47 milhões para 52,5 milhões, a alta naquela faixa etária foi de 21,7% – de 6,6 milhões para 8 milhões. Na faixa de 20 a 29, o crescimento foi bem menor, de 5,2%. De 30 a 39 anos, houve queda (-0,4%). E os dados indicam que esse movimento vai continuar, já que o grupo que mais cresceu foi o de usuários entre 40 e 49 anos: 2,3 milhões de vínculos a mais (+32%). São justamente os que terão mais de 60 anos na próxima década.

Segundo o relatório do IESS, o dado “indica que o efeito composição observado entre 2019 e 2025 tende a se intensificar”. O movimento acompanha o envelhecimento no país: os 60+ são em torno de 17% da população e nos planos, 15%. Nos exclusivamente odontológicos também houve um incremento dentro da faixa etária. O número total subiu 40,9% (para 34,6 milhões de usuários) e o de pessoas de 60 anos ou mais aumentou 92,9% (para 3,3 milhões).

“A mudança na composição etária da carteira resulta, assim, de dois movimentos simultâneos: a entrada e a permanência de beneficiários de 60 anos ou mais e a estagnação dos adultos jovens”, informou o instituto. Mas o envelhecimento do público não se reflete na frequência de consultas realizadas por idosos. “Na faixa de 70 anos ou mais, por exemplo, o número de consultas por beneficiário caiu em três das cinco modalidades de operadoras analisadas e aumentou em duas.”

As quedas foram registradas no segmento de autogestão (-3,3%), medicina de grupo (-4,2%) e seguradoras (-5,7%). Houve aumento nas cooperativas (+4,9%) e no setor de filantropia (+12,6%). De acordo com o superintendente executivo do IESS, Denizar Vianna, beneficiários mais idosos utilizam mais consultas, mas o aumento não foi generalizado. “Parte importante da mudança que observamos vem do próprio crescimento da população idosa dentro dos planos de saúde.”

Assim, entre usuários de até 19 anos, a média foi de 2,8 consultas por beneficiário no ano passado. Tem pequena variação no grupo de 20 a 29 anos (3,1 consultas) e sobe na faixa de 30 a 39 (3,5%). O número aumenta conforme a idade: 4 consultas/ano entre beneficiários de 40 a 49 anos, 4,7 de 50 a 59 anos, 5,7 de 60 a 69 anos e de 6,1 consultas no grupo a partir dos 70 anos. “Há uma parcela numerosa da carteira avançando para faixas etárias em que a utilização tende a ser maior”, afirmou Vianna. “É uma transformação previsível e que precisa ser considerada no planejamento da assistência e da rede de atendimento.” Na área odontológica, apesar do avanço da população idosa, a frequência de consultas diminui na última faixa. Nas cooperativas, usuários de 20 a 59 anos fizeram pouco mais de uma consulta em 2025, enquanto entre os de 70 anos ou mais a média foi de 0,4.

Segundo o IESS, a relação entre idade e utilização “ajuda a compreender o mutualismo, princípio que sustenta os planos de saúde”. Assim, os recursos pagos pelos beneficiários financiam a assistência de quem precisa utilizar os serviços, e o risco é compartilhado entre os diversos publicos. “Como o padrão de utilização muda ao longo da vida, a composição etária da carteira e sua evolução são relevantes para o equilíbrio e a sustentabilidade do sistema.”

O levantamento aponta diferenças também em relação às consultas domiciliares. Entre 2019 e 2025, só houve aumento de frequência entre usuários 70+: de 3,5 para 3,9 consultas a cada 100 beneficiários. No grupo de 60 a 69 anos, a taxa caiu (de 1,1 para 0,5). “Para parte desse público [70+], o atendimento no domicílio facilita o acompanhamento contínuo, sobretudo quando há limitações de mobilidade.”

Já no pronto-socorro, o número de consultas entre usuários 70+ recuou de 1,2 para 1. Uma hipótese para esse resultado é “a substituição de parte dos atendimentos de urgência por cuidado programado e a expansão da teleconsulta após 2020”, afirma o instituto. “O pronto-socorro é fundamental quando há urgência ou emergência”, diz Vianna, acrescentando que o problema está no uso quando não existe essa necessidade. “Um pronto-socorro recebe pacientes com diferentes doenças e níveis de gravidade, e permanecer nesse ambiente significa uma exposição desnecessária a riscos.” Nesses casos, a telemedicina pode ser uma alternativa, “ao permitir uma avaliação inicial rápida e orientar o beneficiário sobre o atendimento mais adequado para aquela situação”.

Pelo dados mais recentes da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), referente a agosto, o país tem 53,2 milhões de usuários de planos de assistência médica, sendo 39 milhões em coletivos empresariais. Um ano antes, eram 52,5 milhões. Nos exclusivamente odontológicos, são 37,3 milhões (34,6 milhões em igual mês de 2025) – 28 milhões em planos coletivos empresariais. De acordo com o IBGE, a população do Brasil vai parar de crescer em 2041. Apenas no período de 2000 a 2023, a proporção de idosos passou de 8,7% para 15,6%. Em 2070, os 60+ serão 37,8% dos habitantes. Segundo o Ministério da Saúde, de uma população idosa estimada em 36 milhões, 80% usam exclusivamente os serviços do SUS (Sistema Único de Saúde).

Questões essenciais

Quantos idosos têm planos de saúde no Brasil?

Segundo o IESS, o número de beneficiários de 60 anos ou mais nos planos médico-hospitalares passou de 6,6 milhões em 2019 para 8 milhões em 2025, crescimento de 21,7%. O grupo representa 15,3% da carteira.

Os idosos utilizam mais consultas médicas que os jovens?

Sim. Em 2025, beneficiários de 60 a 69 anos realizaram, em média, 5,7 consultas em consultório, enquanto os de 70 anos ou mais fizeram 6,1. Entre os usuários de até 19 anos, a média foi de 2,8 consultas.

O aumento da população idosa elevou a frequência de consultas nos planos de saúde?

Não de forma generalizada. Entre os beneficiários de 70 anos ou mais, a frequência de consultas caiu em três das cinco modalidades de operadoras analisadas pelo IESS entre 2019 e 2025 e aumentou em duas.

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