Distribuição de planos de saúde por região mostra forte desigualdade
Sudeste tem 59,3% dos beneficiários e 41,6% da população do país – diferença de 17,7 pontos. Nordeste reúne 26,8% dos brasileiros, mas apenas 14,2% dos beneficiários (-12,6 pontos)
Existe forte desigualdade regional no Brasil em termos de acesso aos planos de saúde. O Sudeste concentra 59,3% dos beneficiários de assistência médica do país, embora responda por 41,6% da população – diferença de 17,7 pontos percentuais. São 31,5 milhões de vínculos para uma população de 89 milhões. No sentido oposto está o Nordeste: reúne 26,8% dos brasileiros, mas apenas 14,2% dos beneficiários, diferença negativa de 12,6 pontos. O Norte também está abaixo de sua participação populacional, com 3,9% dos vínculos para 8,8% dos habitantes.
Sul e Centro-Oeste apresentam distribuição muito mais próxima de seu peso demográfico. O Sul concentra 14,3% dos beneficiários e 14,7% da população, enquanto no Centro-Oeste as proporções são de 8,2% e 8,1%, respectivamente. A fotografia regional mostra que a assimetria da saúde suplementar brasileira está fortemente concentrada nos extremos representados por Sudeste e Nordeste: enquanto o primeiro tem participação nos planos muito superior ao seu peso populacional, o segundo apresenta o maior déficit relativo.
Essa desigualdade ocorre em um mercado cuja cobertura nacional avança quase lateralmente. Os dados regionais são consolidados a cada 90 dias e referem-se ao segundo trimestre deste ano. Pelos dados totais, referentes a julho, há 53,1 milhões de beneficiários. Eles equivalem a 24,8% dos 214,2 milhões de habitantes estimados pelo IBGE. Há dez anos, eram 47,7 milhões para uma população de 206,1 milhões, cobertura de aproximadamente 23%. Em uma década, portanto, o avanço foi de cerca de 2 pontos percentuais. Há ainda uma ressalva importante: a ANS contabiliza vínculos. A mesma pessoa pode possuir mais de um plano, o que significa que a parcela efetiva de brasileiros cobertos é ainda menor.
O mercado também ficou mais concentrado do lado da oferta. O número de operadoras com beneficiários caiu 16,7% em dez anos e hoje está em 662. Dos 53,1 milhões de vínculos, 44,7 milhões, ou 84%, são de planos coletivos – 38,9 milhões empresariais e 5,8 milhões por adesão –, enquanto 8,4 milhões são individuais ou familiares. A movimentação dentro dessa base é elevada: nos 12 meses até julho, houve 16,1 milhões de adesões e 15,4 milhões de cancelamentos, com rotatividade de 29,3%. Além dos planos de assistência médica, o mercado reúne outros 37 milhões de vínculos exclusivamente odontológicos.
