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Brasil supera a OCDE em gasto com saúde sobre o PIB, mas depende mais do financiamento privado

Relatório mostra que gasto por habitante equivale a um terço da média da OCDE; planos de saúde e outros esquemas voluntários respondem por quase 30% do financiamento brasileiro

Brasil supera a OCDE em gasto com saúde sobre o PIB, mas depende mais do financiamento privado

O Brasil destina 9,7% do PIB (Produto Interno Bruto) à saúde, acima da média de 9,3% registrada nos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Apesar disso, o gasto brasileiro por habitante é de US$ 2.070, equivalente a apenas 34% dos US$ 6.097 registrados na organização. Os dados, referentes a 2024 ou ao último ano disponível, constam do relatório Health at a Glance: Latin America and the Caribbean 2026, elaborado pela OCDE, pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e pelo Banco Mundial.

A diferença também aparece na comparação regional. A América Latina e o Caribe destinam, em média, 6,5% do PIB à saúde, com gasto de US$ 1.518 por habitante. O Brasil supera os dois indicadores regionais, mas permanece distante da média da OCDE em valores absolutos por pessoa. Os montantes são expressos em dólares ajustados pela PPC (paridade do poder de compra), metodologia que considera diferenças de preços entre os países e permite comparar o volume de recursos destinado à assistência.

A composição do financiamento revela outra particularidade brasileira. Governo e seguros obrigatórios respondem por aproximadamente 44% dos gastos correntes com saúde no país, ante 57% na América Latina e no Caribe e 75% na OCDE. A classificação reúne recursos governamentais e mecanismos compulsórios de seguro, que podem variar conforme a organização de cada sistema nacional. No Brasil, menos da metade das despesas com serviços e produtos de saúde é financiada por essas modalidades.

Os planos de saúde representam 29,6% do financiamento brasileiro, quase três vezes a média latino-americana, de 10,3%, e mais de cinco vezes a registrada na OCDE, de 5,4%. Nessa categoria estão os planos e seguros privados de saúde, os mecanismos de financiamento mantidos por empresas e os arranjos de instituições privadas sem fins lucrativos. Portanto, o percentual brasileiro não corresponde exclusivamente às mensalidades pagas pelos beneficiários de planos de saúde, embora inclua essa modalidade.

Já os pagamentos realizados diretamente elas famílias, como consultas, exames, medicamentos e procedimentos não cobertos por outros mecanismos, correspondem a aproximadamente 26% dos gastos com saúde no Brasil. A participação é superior à média da OCDE, de 20%, mas inferior à da América Latina e do Caribe, de 32%. Diferentemente dos planos de saúde, que envolvem formas de financiamento antecipado, o desembolso direto ocorre quando o paciente utiliza seus próprios recursos para pagar pelo atendimento ou produto de saúde.

A OCDE também calculou o peso dessas modalidades em relação ao consumo final das famílias. No Brasil, os gastos associados aos planos de saúde equivalem a 4,6% desse consumo, contra aproximadamente 1% nas médias latino-americana e da OCDE. Os pagamentos diretos representam outros 4,1%. Somadas, as duas categorias equivalem a 8,7% do consumo familiar brasileiro, acima dos 5,7% registrados na América Latina e dos 4,2% da OCDE. Essa medida inclui modalidades financiadas por empresas e instituições sem fins lucrativos e não deve ser interpretada como desembolso direto de todas as famílias.

Entre 2015 e 2024, a participação dos pagamentos diretos e dos planos de saúde no consumo familiar aumentou no Brasil, segundo o relatório. Os autores observam que médias nacionais não permitem identificar como essas despesas se distribuem entre diferentes faixas de renda. O estudo também aponta que a dependência de mecanismos privados pode contribuir para a segmentação dos sistemas de saúde, especialmente quando o acesso a coberturas adicionais se concentra entre famílias de maior renda. Confira o estudo na íntegra.

Questões essenciais

O Brasil gasta mais com saúde do que os países da OCDE?

Em relação ao PIB, sim. Os gastos com saúde representam 9,7% da economia brasileira, contra 9,3% na média da OCDE. Entretanto, o gasto por habitante no Brasil equivale a apenas 34% da média da organização.

Quanto do financiamento da saúde no Brasil vem de fontes privadas?

Cerca de 56% dos gastos correntes com saúde são financiados por mecanismos privados. Desse total, 29,6 pontos percentuais correspondem aos esquemas voluntários e aproximadamente 26 pontos percentuais aos pagamentos diretos das famílias.

O que são esquemas voluntários de financiamento da saúde?

São mecanismos não obrigatórios de financiamento antecipado da assistência, incluindo planos e seguros privados de saúde, programas financiados por empresas e instituições privadas sem fins lucrativos. No Brasil, representam 29,6% dos gastos correntes com saúde.

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