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Obesidade lidera estimativas de perdas evitáveis de saúde até 2100, diz Lancet

Estudo compara 17 ameaças globais, incluindo desigualdade de renda, doenças crônicas, inteligência artificial e conflito nuclear

Imagem gerada por IA/ChatGPT
Imagem gerada por IA/ChatGPT Gráfico de Saúde Insider

A prevenção da obesidade poderia poupar 23,1 bilhões de anos de vida saudável no mundo entre 2025 e 2100, segundo uma comissão da revista científica The Lancet. A estimativa é a maior entre 17 ameaças globais analisadas pelos pesquisadores. O relatório, apresentado no domingo (11), durante a Cúpula Mundial da Saúde, em Berlim, utiliza dados de 204 países e territórios para comparar o impacto potencial de doenças, condições sociais, conflitos e riscos tecnológicos sobre a saúde da população nas próximas décadas.

A baixa escolaridade aparece com 16,1 bilhões de anos de vida saudável potencialmente preserváveis, seguida pela desigualdade de renda, com 13,8 bilhões. O uso malicioso de inteligência artificial (IA) alcança 10,4 bilhões, enquanto os conflitos nucleares e os problemas de saúde mental apresentam estimativas de 9,35 bilhões cada. Também estão entre as ameaças o envelhecimento não saudável (8,26 bilhões), o tabagismo (7,06 bilhões), a hipertensão arterial (4,79 bilhões) e a resistência antimicrobiana (3,44 bilhões).

A comissão identificou duas ameaças com potencial de provocar a extinção humana: o conflito nuclear e o uso malicioso de IA, incluindo sua aplicação no desenvolvimento de armas biológicas. Embora considere baixa a probabilidade desses eventos, o estudo estima que medidas para evitar uma guerra nuclear poderiam prevenir 133 milhões de mortes até 2100. Os cálculos incluem consequências indiretas de um conflito, como a fome provocada pelas alterações ambientais decorrentes das explosões.

Para comparar ameaças tão diferentes, os pesquisadores utilizaram os DALYs, indicador que combina os anos de vida perdidos por morte prematura e os vividos com incapacidade. As estimativas representam a diferença entre cenários plausíveis mais e menos favoráveis, e não uma previsão das perdas que necessariamente ocorrerão. Os cálculos também apresentam intervalos de incerteza de 95%. No caso da obesidade, a faixa vai de 19,5 bilhões a 26,9 bilhões de anos, enquanto a estimativa para conflitos nucleares varia de zero a 24,5 bilhões. A revista ressalva que os resultados não constituem uma classificação definitiva das prioridades de saúde.

As mudanças climáticas aparecem com 1,89 bilhão de anos de vida saudável potencialmente preserváveis. O cálculo considera a diferença entre limitar o aquecimento global a aproximadamente 1,8°C e permitir que alcance 4,4°C. Segundo os autores, a estimativa inclui efeitos mensuráveis, como calor extremo e poluição atmosférica, mas deixa de fora consequências mais difíceis de quantificar, entre elas deslocamentos populacionais, secas e problemas de saúde mental. A comissão também estima que a África Subsaariana concentraria cerca de 70% das perdas evitáveis associadas a um colapso da ajuda internacional à saúde.

O trabalho foi coordenado por Christopher Murray, diretor do IHME (Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde), da Universidade de Washington, e Natalia Kanem, ex-diretora-executiva do Fundo de População das Nações Unidas. A comissão recomenda ampliar a capacidade de prevenção dos sistemas de saúde, investir em tecnologias e manter o acompanhamento periódico das ameaças. Entre as áreas citadas estão novos antibióticos, vacinas e tratamentos contra a obesidade. Segundo Murray, os resultados permitem identificar quanto da perda de saúde poderia ser evitado por intervenções em cada uma das áreas analisadas.

Questões essenciais

Qual é a maior ameaça à saúde global até 2100, segundo a Lancet?

A obesidade apresenta a maior estimativa pontual de perdas potencialmente evitáveis entre as 17 ameaças analisadas pela comissão, com 23,1 bilhões de anos de vida saudável entre 2025 e 2100. O estudo não estabelece uma classificação definitiva das prioridades de saúde.

O que significam os 23,1 bilhões de anos de vida saudável?

É a estimativa da diferença de perdas de saúde entre cenários plausíveis mais e menos favoráveis. O cálculo utiliza os DALYs, que combinam anos perdidos por morte prematura e anos vividos com incapacidade. Não significa que essa perda ocorrerá necessariamente.

Quais ameaças podem provocar a extinção humana, segundo a Lancet?

A comissão identificou o conflito nuclear e o uso malicioso de inteligência artificial, incluindo aplicações no desenvolvimento de armas biológicas. Os pesquisadores consideram baixa a probabilidade desses eventos, mas alertam para suas possíveis consequências.

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