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Política

Padilha: mudança climática é “crise de saúde pública” e envelhecimento da população amplia pressão no SUS

Ministro defende políticas específicas para os 60+. Médica Margareth Dalcomo destaca diferença entre população idosa europeia e brasileira: “Eles enriquecem antes de envelhecer. Nós envelhecemos pobres”

Ilustração de Saúde Insider
Ilustração de Saúde Insider Crédito de Foto: Andre Lessa | Saúde Insider

As mudanças climáticas já podem ser consideradas “uma crise de saúde pública”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que citou esses fenômenos e o envelhecimento progressivo da população brasileira como desafios para o país, com impactos em curto e médio prazo. “O aumento da temperatura média faz surgir doenças onde elas não existiam”, disse o ministro da Saúde. “Dengue era impensável 15, 20 anos atrás.” Ele participou na sexta-feira (28) da abertura de seminário promovido pela FGV Justiça, no Rio de Janeiro, sobre perspectivas para o setor.

Padilha citou dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) e da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) sobre efeitos da crise climatica. Pesquisa da Fiocruz em parceria com UFBA (Universidade Federal da Bahia), por exemplo, relata que 120 mil pessoas morreram de 2000 a 2019 no Brasil devido ao calor extremo. Relatório OMS/Lancet Countdown aponta aumento de 23%, desde os anos 1990, de mortes associadas ao calor – 546 mil óbitos/ano, em média. “O impacto das mudanças climáticas e do aumento da temperatura no Brasil exige uma reorganização do SUS”, disse Padilha. “Voltada não somente às tragédias, mas com preparação.”

Dado do IBGE também citado pelo ministro mostra que 16,6% da população brasileira tinha 60 anos ou mais em 2025. Dez anos antes, eram 12,3%. Nas regiões Sudeste e Sul, essa participação sobe para 18,1%. A expectativa de vida ao nascer passou de 45,5 anos em 1940 para 76,6 anos em 2024. E continuará crescendo, segundo as projeções, chegando a 83,9 anos em 2070. Transformações que, segundo o ministro, exigem modelo específico. “A população brasileira fica com o idoso em casa.” De acordo com Padilha, o país tem 3,8 milhões de idosos acamados cadastrados pelo SUS.

Transformações. No final do ano passado, o Ministério da Saúde criou o Padi (Programa de Atenção Domiciliar à Pessoa Idosa), incluído na Pnab (Política Nacional de Atenção Básica) e do PNSPI (Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa). É voltado para pessoas com 60 anos ou mais, restritas ao domicílio, que exijam cuidados regulares. Padilha identifica transformações inclusive no mercado de trabalho, com maior presença de cuidadores no lugar dos “curadores”, os médicos. “Cada vez mais a gente vai ser cuidador. Vamos ter de formar essa profissão”, afirmou.

Padilha dividiu a mesa com os presidentes da ANS, Wadih Damous, e da Anvisa, Leandro Safatle, além do secretário estadual da Saúde do Rio de Janeiro, Ronaldo Damião, e da médica e pesquisadora Margareth Dalcolmo, da Fiocruz. Para Margareth, há uma tríade de questões a serem enfrentadas no campo da saúde: a judicialização (“É um câncer social no Brasil”), a formação médica e o envelhecimento (“Não podemos mais tratar como se fosse uma distração”). Aos poucos, a população vai atingindo níveis semelhantes aos europeus em relação à idade, mas com uma diferença crucial. “Eles enriqueceram antes de envelhecer. Nós envelhecemos pobres.”

Questões essenciais

Por que o envelhecimento preocupa?

Porque a presença de pessoas com 60 anos ou mais continuará crescendo no Brasil, exigindo políticas específicas. Segundo o ministro da Saúde, o país tem 3,8 milhões de idosos acamados cadastrados pelo SUS

E o clima?

De 2000 a 2019, 120 mil pessoas morreram no Brasil em consequência do calor extremo, segundo pesquisa Fiocruz/UFBA

O que é o Padi?

O Padi é o Programa de Atenção Domiciliar à Pessoa Idosa, criado pelo Ministério da Saúde para pessoas com 60 anos ou mais restritas ao domicílio e integrado à Atenção Primária à Saúde.

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