Entidades lançam manifesto a candidatos a presidente com 5 pontos inegociáveis para a área de saúde
Fesaúde e SindiHosp vão apresentar o documento na segunda-feira. Francisco Balestrin, presidente das duas entidades, diz que o novo governo deve estar comprometido em organizar o sistema de saúde
A Fesaúde (Federação dos Hospitais, Clínicas, Laboratórios e Estabelecimentos de Saúde do Estado de São Paulo) e o SindiHosp (Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Casas de Saúde do Estado de São Paulo) vão apresentar na segunda-feira (14), na sede da Fiesp, cinco pontos que consideram “inegociáveis” na gestão de saúde. O documento será entregue a representantes de cinco candidatos à Presidência da República.
“A gente já tem tudo. Precisamos fazer com que essa estrutura funcione de forma adequada”, afirmou o presidente das duas entidades, Francisco Balestrin, que dividirá a mesa com o vice-presidente do Consus (Conselho Superior da Saúde) da Fiesp, Ruy Baumer. A agenda Os 5Is – os 5 Inegociáveis da Saúde será detalhada no evento, mas segundo Balestrin a preocupação principal é “que o novo ministro da Saúde entre com o presidente comprometido em organizar o sistema.”
Os cinco pontos inegociáveis são Paciente Único, Dados Estruturados, Acesso Qualificado, Cuidado Padronizado e Desperdício Contido. Eles compõem os itens fundamentais na visão das duas associações. Balestrin defende uma “visão mais holística” em relação ao usuário do sistema. “O paciente é fragmentado do ponto de vista médico. E acaba tendo múltiplos registros em diferentes áreas”, disse.
As duas entidades escolheram a imagem de uma torre de comando para simbolizar essa organização. “Nós não precisamos fazer nada de novo”, disse Balestrin. “Só precisamos fazer o que já existe. De forma adequada, organizada, estruturada e não fragmentada.” Segundo ele, a saúde deve ser vista como prioridade estratégica, independentemente do período eleitoral.
Para ele, a perspectiva não é animadora. “Até agora não vi nenhuma proposta organizada. [Mas] Todo mundo diz que saúde é importante, que é prioridade.” No período 2027-2030, acrescenta Balestrin, os gestores devem preparar o sistema para desafios “demográficos, epidemiológicos e econômicos”.
Outro item diretamente relacionado à gestão é o do desperdício. Os dados a respeito são pouco rastreáveis. Para Balestrin, no entanto, há “exames desnecessários e hospitais sem gestão e sem protocolos definidos”. Segundo ele, com uma estimativa global de desperdício (principalmente por ineficiência) de 20% a 30% dos gastos, no Brasil essa perda potencial é estimada em R$ 48 bilhões a R$ 72 bilhões por ano.
Desse volume, seriam de R$ 15 bilhões a R$ 25 bilhões apenas com “exames de imagem e laboratoriais repetidos desnecessariamente por falta de compartilhamento de resultados entre SUS e saúde suplementar”. Sistemas que deveriam atuar de forma mais coordenada. “Todos nós somos atendidos pelo SUS. Quase 215 milhões de brasileiros.”
Além da Fesaúde, do SindHosp e da Fiesp, participam representantes de candidatos na área da saúde. Até agora, estão confirmados Adriana Ventura (Romeu Zema, Novo), Adriano Massuda, atual secretário-executivo do Ministério da Saúde e professor na FGV (Lula, PT), o radiologista Felipe Roth Vargas, coordenador do Departamento de Radiologia Intervencionista do Beneficência Portuguesa (Renan Santos, Missão), Luiz Henrique Mandetta, ex-ministro e ex-deputado (Ronaldo Caiado, PSD) e a médica e empresária Paula Fernandes Távora (Augusto Cury, Avante).
Os 5 Pontos Inegociáveis
1. Paciente Único: Uma identidade clínica que acompanha o cidadão entre médicos, hospitais e demais estabelecimentos de saúde tanto no SUS quanto no setor de saúde suplementar.
2. Dados Estruturados: Informações integradas e utilizáveis entre os sistemas para orientar o cuidado e a gestão.
3. Acesso Qualificado: O cuidado certo, no tempo adequado e com continuidade.
4. Cuidado Padronizado: Reduzir variações clínicas injustificadas e ampliar práticas baseadas em evidências.
5. Desperdício Contido: Medir, reduzir e reinvestir recursos hoje consumidos sem gerar valor para o paciente.
