Cobertura Universal de Saúde avança, mas ainda está longe da meta
Maior parte do avanço das últimas duas décadas e meia vem do combate às doenças infecciosas e índice de cobertura aumenta em 97% dos países
Houve um avanço na cobertura de serviços essenciais de saúde desde o começo do milênio, mas em ritmo insuficiente para atingir a meta de cobertura universal em 2030. O índice global elaborado pelo World Bank/Banco Mundial e pela OMS partiu de 54 pontos em 2000 e chegou a 71 em 2023. Mantida a trajetória atual (72 pontos), deverá alcançar 74 pontos em 2030. O indicador varia de 0 a 100 e reúne 14 medidas relacionadas a saúde reprodutiva, materna e infantil, doenças infecciosas, doenças não transmissíveis e capacidade e acesso aos serviços.
A maior parte do avanço das últimas duas décadas veio do combate às doenças infecciosas. Foi nesse grupo que ocorreram os ganhos mais rápidos entre 2000 e 2023. O movimento contrasta com a evolução mais lenta das outras áreas acompanhadas pelo índice. Nas doenças não transmissíveis, apesar da melhora registrada mundialmente e nas diferentes regiões, o subíndice é hoje o mais baixo entre os quatro componentes avaliados, justamente quando essas enfermidades assumem peso crescente na carga global de doenças.
O problema é que a expansão da cobertura perdeu velocidade. Desde 2015, quando foram adotados os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, o avanço tanto no acesso aos serviços quanto na proteção financeira desacelerou. O índice de cobertura aumentou em praticamente todos os países (97% deles registraram melhora desde 2000) e as diferenças globais diminuíram, com avanços maiores entre países, regiões e grupos de renda que partiram dos níveis mais baixos. Ainda assim, pelo menos 2 bilhões de pessoas continuarão sem acesso aos serviços essenciais em 2030 se a tendência atual for mantida.
Há ainda uma segunda barreira à universalização: o custo da saúde para as famílias. A parcela da população mundial submetida a dificuldades financeiras provocadas por despesas médicas pagas diretamente do bolso caiu, de 34% em 2000 para 26% em 2022, mas o próprio relatório faz uma ressalva: a redução está mais associada à queda global da pobreza do que ao fortalecimento da proteção financeira dos sistemas de saúde. Entre os mais pobres, as despesas médicas continuam sendo especialmente mais intensas.
O diagnóstico coloca duas agendas lado a lado. Ampliar a cobertura exige levar serviços a quem permanece fora do sistema e aumentar a capacidade de oferecer atendimento integrado e contínuo, especialmente para doenças crônicas. Ao mesmo tempo, o World Bank defende maior prioridade da saúde nos orçamentos públicos, uso mais eficiente dos recursos e menor dependência do pagamento direto pelos pacientes. A cobertura universal, portanto, não depende apenas de oferecer mais serviços: passa também pela capacidade de acessá-los sem que o tratamento comprometa a renda das famílias.
