Planos empresariais têm 61% mais contratantes, mas média de beneficiários cai 25%
Estudo do IESS mostra que empresas com até quatro vínculos representam 88,7% dos contratantes, enquanto estabelecimentos com mil trabalhadores ou mais concentram 40,4% dos beneficiários
O número de contratantes de planos coletivos empresariais de saúde cresceu 60,7% entre 2020 e 2025, quase três vezes o avanço de 20,2% registrado entre os beneficiários. A diferença reduziu de 20,5 para 15,3 a média de vidas por contratante, uma queda de aproximadamente 25%. Os dados são do Instituto de IESS (Instituto de Estudos de Saúde Suplementar), que analisou a expansão dos contratos empresariais e as mudanças no perfil das empresas que oferecem cobertura médica a trabalhadores e dependentes.
Segundo o estudo Trabalho em transformação: reflexões sobre emprego, novas formas de ocupação e saúde suplementar, o número de contratantes passou de 1,56 milhão para 2,51 milhões em cinco anos. No mesmo período, a quantidade de beneficiários avançou de 31,97 milhões para 38,43 milhões. O levantamento utiliza informações do Painel de Contratantes de Planos de Saúde Coletivos, da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar).
A mudança ocorre no principal segmento da saúde suplementar brasileira. Em junho de 2026, os planos coletivos empresariais reuniam 38,8 milhões dos 53,1 milhões de vínculos médico-hospitalares do país, o equivalente a 73,1% do mercado. A participação dessa modalidade era de 63,2% em março de 2012. Embora o emprego formal permaneça como uma das principais portas de entrada para a cobertura privada, a composição dos estabelecimentos contratantes tem mudado.
O crescimento foi mais intenso entre os estabelecimentos com um a quatro vínculos de trabalho. Nesse grupo, o número de contratantes passou de 1,31 milhão para 2,21 milhões entre 2020 e 2025, aumento de 69,2%. Sua participação entre os contratantes classificados por porte subiu de 84% para 88,7%. Apesar de responderem por quase nove em cada dez contratantes, essas estruturas reuniam apenas 18,2% dos beneficiários em 2025, aproximadamente 6,94 milhões de vínculos médico-hospitalares.
No extremo oposto, os estabelecimentos com mil vínculos de trabalho ou mais representavam pouco mais de 0,1% dos contratantes classificados, mas concentravam 40,4% dos beneficiários. Eram 2.834 contratantes responsáveis pela cobertura de 15,44 milhões de vínculos em 2025. A participação desse grupo no total de beneficiários ficou próxima à de 2020, quando respondia por 40,8%. Os números mostram que a expansão das pequenas estruturas não eliminou a concentração de beneficiários nos grandes contratantes.
A classificação utilizada pela ANS considera o porte dos estabelecimentos segundo a quantidade de vínculos ativos de trabalhadores registrados na RAIS (Relação Anual de Informações Sociais). Esse indicador não corresponde necessariamente à quantidade de pessoas incluídas no plano de saúde, já que os contratos podem abranger dependentes, sócios e outros beneficiários elegíveis. O levantamento também não permite identificar diretamente quantos dos pequenos contratantes são MEIs (microempreendedores individuais).
Mercado de trabalho. O IESS relaciona a mudança na estrutura dos contratos à discussão sobre novas formas de ocupação, incluindo trabalho por conta própria e atuação por pessoa jurídica. O estudo registra que o Brasil alcançou 17,1 milhões de MEIs formalizados em setembro de 2026, mas ressalva que a expansão desse grupo não comprova uma relação direta com o crescimento dos pequenos contratantes de planos de saúde. As bases disponíveis não permitem acompanhar um trabalhador desde a mudança de vínculo profissional até uma eventual alteração na cobertura médica. Para o instituto, transformações no mercado de trabalho, características das empresas e regras da própria saúde suplementar são hipóteses que ainda precisam ser investigadas. Confira o estudo na íntegra:
Questões essenciais
Quanto cresceu o número de contratantes de planos empresariais de saúde?
O número passou de 1,56 milhão em 2020 para 2,51 milhões em 2025, crescimento de 60,7%, segundo o IESS. No mesmo período, a quantidade de beneficiários aumentou 20,2%.
Por que a média de beneficiários por contratante caiu?
Porque o número de contratantes cresceu mais rapidamente que o de beneficiários. Com isso, a média passou de 20,5 para 15,3 vidas por contratante entre 2020 e 2025, redução aproximada de 25%.
O aumento dos pequenos contratantes está relacionado aos MEIs?
O estudo do IESS não permite estabelecer essa relação diretamente. Os dados da ANS classificam os contratantes pelo número de vínculos de trabalho, sem identificar quantos são microempreendedores individuais.
