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Solidão leva brasileiros a buscar apoio na IA, mostra Panorama da Saúde Mental

Imagem gerada por IA/ChatGPT
Imagem gerada por IA/ChatGPT Gráfico gerado por Saúde Insider

Quase um terço dos brasileiros que relataram solidão frequente já usou inteligência artificial (IA) para buscar companhia ou algum tipo de interação. O dado faz parte da 5ª edição do Panorama da Saúde Mental, pesquisa do Instituto Cactus e da AtlasIntel e mostrou que, entre os participantes que se sentiram sozinhos três vezes ou mais nas duas semanas anteriores à coleta, 32,1% disseram ter recorrido à tecnologia com essa finalidade, ante apenas 1,8% daqueles que não relataram solidão. O levantamento também mostra que 36,5% dos entrevistados experimentaram esse sentimento no período. A pesquisa identifica uma associação entre solidão e busca por companhia digital, mas não permite afirmar se a tecnologia alivia ou agrava o isolamento.

A solidão foi relatada por 36,5% dos entrevistados, dos quais 19,1 pontos percentuais correspondem a pessoas que experimentaram esse sentimento três vezes ou mais no período investigado. Foi o comportamento com a maior associação negativa ao ICASM (Índice Contínuo de Avaliação da Saúde Mental), indicador que reúne medidas de confiança, vitalidade e foco em uma escala de zero a mil pontos. Entre aqueles que não se sentiram sozinhos, o índice chegou a 782 pontos, contra 583 entre os que relataram solidão uma ou duas vezes e 383 entre os que experimentaram o sentimento com maior frequência.

No conjunto dos entrevistados, 8,8% afirmaram ter utilizado inteligência artificial para buscar companhia ou interação. O grupo apresentou ICASM de 396 pontos, ante 698 entre aqueles que não recorreram à tecnologia com essa finalidade. A diferença de 302 pontos foi a maior encontrada no módulo dedicado à IA. Os pesquisadores recomendam cautela na interpretação, devido ao número reduzido de participantes nesse grupo. Os dados também não permitem determinar se pessoas com a saúde mental mais fragilizada passaram a procurar companhia na tecnologia ou se o uso dessas ferramentas contribuiu para o sofrimento relatado.

A busca por apoio digital também aparece no uso de ferramentas de inteligência artificial para fins terapêuticos. Segundo o estudo, 9,1% dos entrevistados já recorreram à terapia por chatbot. Entre aqueles que relataram solidão três vezes ou mais, o percentual chegou a 25,3%, contra 4,8% entre os que não se sentiram sozinhos. Outro dado chama atenção: 15% afirmaram já ter utilizado inteligência artificial como apoio em momentos de crise de saúde mental, embora a pesquisa não tenha avaliado a eficácia ou a segurança desse atendimento.

O levantamento investigou ainda os motivos que poderiam levar alguém a preferir a inteligência artificial ao acompanhamento com um psicólogo. Entre os entrevistados que relataram solidão frequente, 47,2% concordaram com a preferência pela IA por ser mais barata, 38,6% pela possibilidade de conversar sem se sentir julgado e 35,6% pela disponibilidade 24 horas. Os percentuais foram menores entre aqueles que não se sentiram sozinhos: 20,4%, 13,5% e 14,7%, respectivamente. As respostas expressam percepções sobre a tecnologia e não permitem identificar quantas pessoas deixaram de procurar atendimento profissional por questões financeiras ou dificuldades de acesso.

Segundo a pesquisa, os resultados colocam a conexão social entre os temas a serem considerados nas políticas de prevenção e cuidado em saúde mental. O estudo também identificou menor sentimento de solidão entre pessoas que se encontraram com amigos com maior frequência. Para o Instituto Cactus e a AtlasIntel, estratégias de promoção da saúde mental precisam considerar os vínculos familiares e comunitários, além do atendimento clínico. Quanto à inteligência artificial, o relatório afirma que sua capacidade de aliviar ou agravar o isolamento social ainda precisa ser investigada.

A coletou dados de 4.601 pessoas entre abril e junho de 2026 e foi realizada pela internet, com ponderação estatística, e apresenta margem de erro geral de 1,4 ponto percentual, maior em determinados subgrupos. Confira a íntegra da 5ª edição do Panorama da Saúde Mental, pesquisa do Instituto Cactus e da AtlasIntel:

Questões essenciais

Qual é a relação entre solidão e uso de inteligência artificial no Brasil?

Segundo a 5ª edição do Panorama da Saúde Mental, 32,1% dos entrevistados que relataram solidão três vezes ou mais nas duas semanas anteriores à pesquisa já haviam usado IA para buscar companhia ou interação. Entre os que não relataram solidão, o percentual foi de 1,8%.

Pessoas que se sentem mais sozinhas apresentam pior índice de saúde mental?

Na pesquisa, o ICASM foi de 782 pontos entre aqueles que não relataram solidão, 583 pontos entre os que sentiram solidão uma ou duas vezes e 383 pontos entre os que relataram esse sentimento três vezes ou mais. O índice vai de zero a mil pontos, e a associação não demonstra causalidade.

A pesquisa comprova que usar inteligência artificial como terapia é seguro?

Não. O levantamento mostra que 9,1% dos entrevistados já recorreram a chatbots para simular sessões de terapia e que 15% relataram usar IA como apoio em momentos de crise de saúde mental. A pesquisa não avaliou a eficácia nem a segurança dessas interações.

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