Relação entre nascimentos e óbitos cai e deve pressionar demandas e estratégias de saúde
País combina menos nascimentos, menor crescimento populacional e mais idosos, cuja participação no total da população será de 38% em três décadas e meia
Na última década, os nascimentos no Brasil perderam força e entraram em um patamar próximo de 2,5 milhões por ano. Dados do Portal da Transparência mostram que o país registrou 2,5 milhões de nascimentos em 2025, ante 2,9 milhões em 2015, queda de 13,8%. Em 2026, até sexta-feira (25), são 1,8 milhão. O número indica que o total do ano não deve superar o registrado em 2025.
A mudança fica ainda mais evidente quando os nascimentos são comparados aos óbitos. Em 2015, a diferença entre os dois correspondia a 60,4% dos nascimentos: foram 2,9 milhões de crianças nascidas e 1,1 milhão de mortes. Em 2025, essa proporção caiu para 40,2%, com 2,5 milhões de nascimentos e 1,5 milhão de óbitos. Em 2026, está em 40,6%. O movimento indica redução importante do crescimento vegetativo da população brasileira.
A tendência ajuda a explicar uma transformação demográfica mais ampla. Projeções do IBGE indicam que a população, hoje estimada em 214,2 milhões, chegará ao pico de 220,4 milhões, em 2040, e começará a diminuir. Ao mesmo tempo, o número de brasileiros com 60 anos ou mais deve passar dos 36,6 milhões de 2026 para 75,3 milhões em 2070. A participação dos idosos saltará de 17% para 38% da população, quase dois em cada cinco habitantes.
O Brasil caminhará, portanto, para uma combinação de menos nascimentos, menor crescimento populacional e mais idosos. A mudança tende a alterar a demanda por saúde: enquanto diminui proporcionalmente o contingente das gerações mais jovens, que impulsionam o mercado de trabalho, cresce a população que concentra maior necessidade de acompanhamento de doenças crônicas, assistência domiciliar e cuidados de longa duração. É uma transição que deverá pressionar financiamento, organização da assistência e formação de profissionais nas próximas décadas.
