Otimista com pesquisas clínicas, DRS Group investe R$ 100 milhões em expansão no Brasil e exterior
Com atuação em infraestrutura, logística especializada e jornada do paciente, companhia vê aceleração do segmento após aprovação do marco regulatório
Nos próximos três anos, o DRS Group investirá R$ 100 milhões para expandir operações no Brasil e no mercado internacional. A informação foi obtida com exclusividade pelo Saúde Insider. Com um modelo de atuação que visa atender todas as etapas da pesquisa clínica, incluindo infraestrutura, logística especializada e jornada do paciente, a companhia vê aceleração do segmento após aprovação do marco regulatório. “Isso está fomentando um volume de investimentos extremamente significativo”, disse o CEO do DRS Group, David Bueno.
Atualmente, o grupo atende cerca de 100 clientes, entre biofarmacêuticas, empresas de biotecnologia, CROs (organizações de pesquisa clínica, na sigla em inglês), centros de pesquisa, operadoras de saúde e parceiros estratégicos. Em 2025, o DRS Group passou por mudanças em seu quadro societário. Saiu o Pátria e entrou um fundo de private equity da Vinci Compass. A expectativa era chegar a R$ 700 milhões até 2030.
Sancionada em maio de 2024, a Lei 14.874 estabeleceu o marco legal da pesquisa com seres humanos no Brasil e criou o Sinep (Sistema Nacional de Ética em Pesquisa com Seres Humanos). O texto foi regulamentado por decreto presidencial em outubro de 2025. Bueno disse que a legislação trouxe uma nova dinâmica para o setor no Brasil. Segundo o executivo, antes da mudança, havia uma lentidão maior para aprovação de estudos em relação a outros países.
Ele afirmou que, enquanto o processo levava até três meses nos Estados Unidos e Europa e seis meses na Argentina, no Brasil a espera chegava a 18 meses. Apesar disso, Bueno apontou que, por conta da diversidade genética da população e da qualidade da estrutura de centros de pesquisa e dos profissionais da área, o país conseguia atrair projetos. “Com o marco regulatório, nós ganhamos eficiência e estamos equiparados com os demais mercados”, disse o executivo.
Um estudo divulgado em junho de 2026 pela Interfarma (Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa) apontou que o Brasil atingiu a 12ª posição no ranking mundial de estudos clínicos iniciados em 2026, com base em dados do primeiro trimestre. Em 2025, o país figurava na 18ª colocação. A projeção da entidade é de que o país poderá avançar em pouco tempo para a 10ª posição no ranking, com a atração de R$ 2,1 bilhões anuais em investimentos diretos e impacto econômico total de R$ 6,3 bilhões por ano.
A análise aponta que, além da redução de prazos de aprovação, a Lei 14.874/2024 trouxe mais previsibilidade, tornando o país mais atrativo para o desenvolvimento de pesquisas. O DRS Group vê como fundamental continuar investindo no Brasil para atender à crescente demanda. “Vemos um movimento forte de indústrias asiáticas desembarcando no Brasil e olhando para a América Latina como um todo”, afirmou Bueno. Além de capturar esse movimento no Brasil, a companhia quer ganhar protagonismo em mercados emergentes para a pesquisa clínica a partir do continente.
O investimento total de R$ 100 milhões se divide em R$ 30 milhões para o Brasil e o restante para a expansão internacional. Uma operação similar à brasileira, com atuação em todas as frentes do negócio, está sendo implementada na Argentina. Além da América Latina, a companhia mira mercados do leste europeu e da Eurásia, incluindo a Turquia. “Queremos ter a mesma relevância que temos no Brasil para atender as demandas da indústria farmacêutica nesses mercados.”
Questões essenciais
Quanto o DRS Group pretende investir nos próximos três anos?
O DRS Group pretende investir R$ 100 milhões na expansão de suas operações no Brasil e no mercado internacional. Do total, R$ 30 milhões serão destinados ao Brasil e R$ 70 milhões ao exterior.
Em quais países o DRS Group pretende expandir suas operações?
A companhia está implantando uma operação na Argentina e pretende ampliar sua presença em mercados emergentes de pesquisa clínica. Entre as regiões consideradas estão o leste europeu e a Eurásia, incluindo a Turquia.
Como o marco legal da pesquisa clínica influencia os investimentos no Brasil?
Segundo o CEO do DRS Group, David Bueno, a nova legislação tornou o ambiente brasileiro mais eficiente e previsível para a realização de estudos clínicos. A companhia avalia que essas mudanças contribuem para atrair investimentos e ampliar a demanda por serviços especializados.
