“Brasil vai assumir papel exportador a partir do complexo industrial da saúde”, diz Alckmin
Vice-presidente defende reforma tributária e fortalecimento da indústria para ampliar exportações e atender 70% da demanda nacional de saúde até 2033
Mais do que chegar a 70% de produção local de vacinas, medicamentos, insumos e equipamentos, a Estratégia Nacional do Complexo Econômico-Industrial da Saúde vai permitir que o Brasil se torne um hub de desenvolvimento, venda e distribuição desses produtos para outros países, segundo o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin. “O Brasil vai assumir um papel exportador, principalmente para a América Latina, a partir do complexo industrial da saúde”, disse Alckmin nesta sexta-feira (16), durante evento em alusão ao Dia do Médico, realizado em São Paulo, ao lado do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Além do complexo econômico-industrial, o governo federal avançou em outras políticas públicas nos últimos anos para reverter o atual cenário do setor e fortalecer a indústria e todo o ecossistema nacional de saúde. Entre os dispositivos mais recentes também estão a Nova Indústria Brasil e a Lei de Pesquisas Clínicas, que fez o país subir da 18ª para a 12ª posição global no ranking de estudos clínicos iniciados, segundo levantamento da Interfarma em parceria com a IQVIA. Isso em apenas dois anos de vigência da legislação.
Em 2023, o déficit comercial da saúde foi de US$ 21 bilhões, 40% acima dos US$ 15 bilhões de 2010, segundo o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). A instituição financeira, ao divulgar seus empréstimos a fornecedores do SUS em 2024, citou 42% de produção local no consumo nacional de medicamentos, vacinas, equipamentos e materiais de saúde. No caso dos IFAs (insumos farmacêuticos ativos), o governo informou, em 2024, que mais de 90% da matéria-prima usada no Brasil é importada.
A fragilidade do setor, que movimenta R$ 1,2 trilhão por ano, cerca de 10% do PIB (Produto Interno Bruto), incomoda o governo e a indústria há anos. Dar maior autonomia ao Brasil, reduzir a vulnerabilidade do SUS e assegurar o acesso universal à saúde são os principais objetivos do movimento citado por Alckmin.
Na avaliação do vice-presidente, a reforma tributária também vai fazer diferença para o Brasil se tornar um polo de exportação. “O BNDES tem tido um papel excepcional e a gente está promovendo uma indústria inovadora, sustentável e competitiva”, disse, ao destacar as seis missões da Nova Indústria Brasil.
A primeira é o agronegócio. “O Brasil deve passar os Estados Unidos em exportação de alimentos neste ano”, afirmou. A segunda é justamente a saúde, com a nacionalização da produção de vacinas, medicamentos, insumos e equipamentos. Em 2024, o setor partia de 42% de produção local. O objetivo é chegar a 50% em 2026 e a 70% em 2033. As outras quatro missões da política de industrialização são infraestrutura, transformação digital, transição ecológica e defesa.
O vice-presidente demonstrou ainda preocupação com o envelhecimento da população brasileira, cujas demandas desembocam na atenção primária, principalmente por conta das comorbidades e da maior procura por serviços de saúde. “Precisamos crescer a possibilidade de atendimento: atenção primária, vacina, diagnóstico rápido, tratamento adequado e reabilitação”, afirmou.
Questões essenciais
Qual é a meta do Brasil para a produção nacional de produtos de saúde até 2033?
O governo federal pretende que a produção brasileira atenda 70% das necessidades nacionais de medicamentos, vacinas, equipamentos e outros produtos estratégicos de saúde até 2033. A meta intermediária estabelecida pela Nova Indústria Brasil é de 50% em 2026.
Por que o governo quer transformar o Brasil em exportador de produtos de saúde?
Segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin, o fortalecimento do complexo econômico-industrial da saúde pode ampliar a autonomia produtiva brasileira, reduzir a vulnerabilidade do SUS e criar oportunidades de exportação, principalmente para países da América Latina.
Qual é o papel do BNDES no fortalecimento da indústria da saúde?
O BNDES participa do financiamento de empresas e projetos industriais relacionados à produção de medicamentos, vacinas, insumos e equipamentos médicos. A política busca fortalecer a cadeia produtiva nacional e reduzir a dependência externa.
