Canetas emagrecedoras somam 10% do varejo regular, mas venda paralela já preocupa o Sindusfarma
Presidente executivo da entidade, Nelson Mussolini, também critica andamento da reforma tributária e aprovação do fim da jornada 6x1. Para os dois casos, ele pergunta: "Quem irá pagar a conta?"
Com crescimento na casa dos dois dígitos há 15 anos, o setor farmacêutico vê “um mercado paralelo extremamente complicado” no comércio de canetas emagrecedoras, segundo o presidente executivo do Sindusfarma (Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos), Nelson Mussolini. Esse segmento já representa 10% do faturamento do varejo, que neste ano, até setembro, soma R$ 15,8 bilhões. O comércio irregular não é mensurável, afirmou o executivo. “Não somos contra a manipulação. A gente é contra a manipulação errada”, disse Mussolini ao abrir o Future Pharma, evento realizado nesta quarta-feira (21) em São Paulo. Ele também fez críticas à reforma tributária e ao fim da jornada 6×1, mas elogiou a atuação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) na liberação de produtos.
No primeiro semestre, a Anvisa realizou 33 operações de fiscalização em farmácias de manipulação que produzem medicamentos para tratamento de obesidade e diabetes, sendo 14 em parceria com a Polícia Federal. O número foi recorde para um semestre, de acordo com a agência. Mais tarde, no mesmo evento, o diretor executivo de Relações Institucionais da Eurofarma, Walker Lahman, apresentou números sobre ocorrências de apreensão de canetas pela Receita Federal: de três em 2024 para 33 no ano passado e 160 apenas no primeiro semestre de 2026.
Mussolini destacou o potencial brasileiro na área de pesquisa, impulsionada, entre outros fatores, pela aprovação do novo marco legal, a Lei 14.874/2024, Relatório da Interfarma (Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa) aponta o Brasil no 12º lugar no ranking mundial de pesquisas clínicas, subindo seis posições em relação ao final de 2025. “Temos condições de estar entre os cinco [primeiros] nos próximos anos”, afirmou o presidente executivo do Sindusfarma. Ele ressaltou o salto da economia chinesa também nesse campo. “Hoje, 40% da pesquisa clínica no mundo está sendo patrocionado por empresas chinesas”, disse. “Eles não querem fazer similares. Eles querem fazer inovação.”
O faturamento total do setor em 2026, até setembro, atinge R$ 250 bilhões, crescimento de 10% sobre igual período do ano passado. Segundo dados do Sindusfarma, de um total de 357 empresas, as de capital nacional (233), respondem por 46% do faturamento e 82% da unidades comercializadas no ano passado (6,6 bilhões, +4,4%). O setor segue deficitário no comércio exterior, com Us$ 8,8 bilhões em importações e US$ 470 mihões em exportações no mesmo período.
O executivo também criticou o andamento da reforma tributária. “Estamos em outubro, e ninguém sabe qual será a alíquota de janeiro”, disse Mussolini. A partir do ano que vem, entra em vigor a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), que vai substituir PIS e Cofins. “As empresas não podem trabalhar com essa insegurança tributária.” Para ele, o consumidor corre o risco de pagar a conta, da mesma forma que pode ocorrer com o fim da jornada 6×1, aprovada na semana passada pelo Congresso, com a Emenda Constitucional 141, medida que o dirigente classificou de “absurda”.
O presidente executivo do Sindusfarma afirmou não ser contrário à redução, desde que seja feita de forma negociada e com prazo para implementação. “O Sindusfarma negociou 40 horas [semanais] há mais de dez anos. Mas como fizemos isso? Com planejamento.” Segundo ele, apenas na folha de pagamento o impacto será de 10%. “Quem vai pagar a conta?”
Com 450 inscritos e 30 expositores, dois palcos simultâneos e estandes, esta é a segunda edição do Future Pharma, criada por Luis Veiga e Rafael Botari. O primeiro já tinha experiência como sócio-diretor do Futurecom, enquanto o outro cofundador tem atuação na área de cosméticos. A ideia, segundo Veiga, é promover aproximação entre profissionais envolvidos nas áreas de produção, regulação e tecnologia, no chamado ecossistema de life sciences, do setor público e privado. No ano passado, foram 260 participantes e 14 expositores.
