Genéricos têm predomínio da indústria nacional e 46% das embalagens vendidas em 2025
Mercado farmacêutico teve faturamento de R$ 182,8 bilhões em 2025, alta nominal de 13,7%, segundo anuário divulgado pela CMED. Setor de genéricos respondeu por R$ 25,2 bilhões (13,8% do total), crescimento de 16,7%
A nona edição do Anuário Estatístico do Mercado Farmacêutico, referente a 2025, mostra os medicamentos genéricos como a principal categoria em quantidade de produtos comercializados. O total foi de 2,9 bilhões de embalagens, crescimento de 5,6% sobre o ano anterior. Esse resultado fica acima da alta geral, de 3,7%. As vendas de genéricos correspondem a 46,1% do total (6,3 bilhões de embalagens no ano passado), mas a 13,8% do faturamento, devido ao menor valor médio. O anuário é divulgado pela CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos), vinculada à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Segundo o anuário, as empresas de controle nacional predominam no setor, com 65,7%. Já “a entrada de produtos contendo moléculas novas permaneceu predominantemente associada a empresas de controle estrangeiro”, com 89,1%.
No ranking de faturamento dos grupos econômicos produtores de genéricos, também há “grande prevalência de empresas nacionais nas primeiras posições”, aponta a CMED. No total de 2025, esses medicamentos faturaram R$ 25,2 bilhões, aumento de 16,7% em relação ao ano anterior. Todo o mercado faturou RS$ 182,8 bilhões (alta nominal de 13,7%). Dos cinco primeiros do ranking, quatro são nacionais: Grupo NC (primeiro lugar), Eurofarma, Prati Donaduzzi e Fundação Oswaldo Cruz. Esse bloco se completa com a Sanofi. Das 15 empresas de maior faturamento, 12 são nacionais. A Câmara de Regulação aponta ainda “elevada concentração” e “dominância de grandes players” no segmento.
Os genéricos concentram 39,1% das empresas (90 de um total de 230 em 2025) e 38% dos medicamentos (2,7 mil, entre 7,1 mil incluídos no anuário – alta anual de 1,4%). Também respondem por 29,3% dos princípios ativos (558 de 1,9 mil). Somando genéricos e similares, essas categorias responderam por 69,6% dos produtos no ano passado. Similares são produtos com mesmos princípios ativos e mesma posologia, diferindo no tamanho, forma, embalagem e outras características. Os genéricos também têm os menores preços médios, “reforçando seu papel como alternativa de menor custo e maior alcance da população”.
O valor foi de R$ 8,67, enquanto entre os biológicos o preço médio chegou a R$ 387,77. No geral, a média foi de R$ 29,02. O indicador corresponde ao preço médio das embalagens efetivamente vendidas e não à variação do preço de um mesmo medicamento, já que sua composição muda conforme os produtos e as quantidades comercializadas ao longo do ano. Embora representem 46,1% das embalagens vendidas, eles respondem por 13,8% do faturamento.
Segundo a CMED, os medicamentos podem ser apresentados como monodrogas (com apenas um princípio ativo) ou por uma combinação de princípios. O primeiro grupo teve R$ 147,3 bilhões de faturamento, 80,6% do total de 2025, e 5,2 bilhões de embalagens comercializadas (81,2%). Associações de dois princípios ativos somaram R$ 20,2 bilhões (11% de participação) e 653,2 milhões de embalagens (10,4%), enquanto as de três ou mais totalizaram R$ 15,3 bilhões e 528,6 milhões, respectivamente – e 8,4% de participação nos dois casos. Já o faturamento dos MIPs (Medicamentos Isentos de Prescrição Médica foi de R$ 15,3 bilhões (+8,5%), sendo R$ 2,2 bilhões em genéricos (+3,3%), com 1,2 bilhão de embalagens (estável).
No final do documento, a CMD afirma que os resultados de 2025 encerram um ciclo regulatório”. Os dados ainda refletiam a Resolução 2/2004, que estava vigente durante o período de referência. De agora em diante, será aplicada a Resolução 3/2025, vigente desde junho, que segundo a entidade “inaugura uma nova estrutura de precificação e estabelece uma base distinta para as análises dos próximos anos”. O Conselho de Ministros da CMED é formado por Alexandre Padilha (Saúde), Dario Durigan (Fazenda), Wellington Silva (Justiça e Segurança Pública), Miriam Belchior (Casa Civil) e Marcio Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).
Questões essenciais
Qual é a participação dos genéricos nas vendas de medicamentos?
Em 2025, os genéricos responderam por 46,1% das embalagens comercializadas no país, com 2,9 bilhões de unidades vendidas.
Quanto os genéricos representam entre os medicamentos comercializados?
Os genéricos somaram cerca de 2,7 mil dos 7,1 mil medicamentos incluídos no anuário da CMED, o equivalente a 38% do total.
As empresas nacionais predominam no mercado de genéricos?
Sim. As empresas de controle nacional representam 65,7% das companhias que atuam com genéricos. Entre os 15 grupos de maior faturamento nesse segmento, 12 são nacionais.
