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Grupo EMS fica com os dois primeiros genéricos de semaglutida do país

Após lançar o Ozivy, que tem 28% do mercado de semaglutida em volume, grupo passa a deter os dois primeiros genéricos para perda de peso

Ilustração de Saúde Insider
Ilustração de Saúde Insider Crédito: Divulgação

Uma questão envolvendo as canetinhas tende a ser pouco clara até para quem é da área de saúde. Há medicamentos orientados a diabetes. Há outros orientados à perda de peso. É nesse contexto que o Grupo EMS ampliou sua posição no mercado brasileiro de medicamentos à base de semaglutida. A corporação obteve os dois primeiros registros de versões genéricas da molécula no país no campo da perda de peso. Além do Ozivy, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou (em 24 de agosto) o Semaclique, medicamento similar, da Germed, que faz parte do grupo EMS.

A movimentação ocorre menos de três meses depois de a EMS colocar no mercado o Ozivy. Primeira semaglutida sintética análoga ao Ozempic registrada no Brasil, a caneta recebeu autorização em 26 de maio, depois do fim da patente da semaglutida, em 20 de março. Em julho, primeiro mês completo de comercialização, o produto alcançou em volume 28% do mercado de semaglutida, com demanda de aproximadamente 200 mil unidades, segundo a própria EMS – com base em dados da auditoria Close-Up. O faturamento informado pela empresa foi de R$ 91,5 milhões no mês.

O avanço acontece justamente na abertura de uma nova fase competitiva da semaglutida no Brasil. Quando a patente venceu, em março, a Anvisa contabilizava – para medicamentos orientados a diabetes – oito pedidos de registro (em análise) e outros nove aguardando avaliação técnica. Em 29 de julho, a agência autorizou de uma só vez cinco medicamentos (Orsema/Ranbaxy, Owozy/Ávita Care, Seemasun/Sun Farmacêutica, Semavy/Cosmed e Zempneo/Brainfarma). Os produtos foram registrados por comparação com o Ozempic e receberam indicação para diabetes mellitus tipo 2.

A corrida pelos registros ocorre em uma das categorias que mais crescem dentro da indústria farmacêutica. Dados da IQVIA apontam que o mercado formal de medicamentos da classe GLP-1 (orientados a diabetes) movimentou R$ 14,6 bilhões nos 12 meses encerrados em abril de 2026, crescimento de aproximadamente 110% na comparação anual. No mesmo período, disse a IQVIA, o varejo farmacêutico como um todo faturou R$ 255,1 bilhões e avançou 11,7%. Sem os GLP-1, a expansão teria ficado em 8,6%, segundo cálculos divulgados a partir dos dados da consultoria.

A multiplicação de registros também abre uma disputa por preço, distribuição e espaço nas redes de farmácias. No caso dos genéricos, a regra da CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos) estabelece que o Preço Fábrica permitido não pode superar 65% do preço definido para o medicamento de referência, respeitadas as demais regras de formação de preço.

A autorização da Anvisa também não encerra o percurso até a comercialização. Depois do registro na agência, os novos produtos precisam cumprir a etapa de definição de preço máximo pela CMED antes de serem efetivamente colocados no mercado. A estratégia adotada pelo Grupo EMS para diferenciar produtos registrados por duas empresas sob o mesmo guarda-chuva também deverá determinar como essa presença regulatória se traduzirá nas prateleiras e na relação com distribuidores e redes de farmácias.

Questões essenciais

Quais são os medicamentos de semaglutida aprovados no Brasil?

Além do Ozivy, da EMS, a Anvisa aprovou o Semaclique, da Germed, empresa do Grupo EMS. Em julho, a agência também autorizou Orsema, Owozy, Seemasun, Semavy e Zempneo, registrados por comparação com o Ozempic e indicados para diabetes mellitus tipo 2.

Qual é a diferença entre Ozivy, Semaclique e Ozempic?

Ozivy e Semaclique são medicamentos à base de semaglutida ligados ao Grupo EMS. O Ozempic é o medicamento usado como referência na comparação de outros produtos registrados pela Anvisa e tem indicação para diabetes mellitus tipo 2.

Os novos medicamentos de semaglutida já podem ser vendidos nas farmácias?

O registro da Anvisa não encerra o processo. Antes da comercialização, os novos medicamentos precisam passar pela definição de preço máximo da CMED, a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos.

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