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Negócios

LinkedIn se posiciona como centro de debate na saúde e tem 2,4 milhões de profissionais do setor

Médicos, enfermeiros, técnicos, gestores e especialistas do segmento ganham cada vez mais relevância na plataforma

Ilustração de Saúde Insider
Ilustração de Saúde Insider Crédito: Magnific

Informações falsas sobre a eficácia de tratamentos e supostas curas milagrosas com medicamentos duvidosos foram espalhadas de maneira irresponsável nas redes sociais durante a pandemia de Covid-19, a partir de março de 2020. Mas houve um oásis de lucidez em meio a esse deserto de desinformação: o LinkedIn. Foi na plataforma de relacionamento profissional que os profissionais de saúde ganharam protagonismo, ao tratar temas relacionados à crise sanitária de forma séria, com dados relevantes e comprovados.

Muitos especialistas se tornaram Top Voices da rede, que ampliou a distribuição de conteúdos respaldados cientificamente e validados por organizações do setor, contribuindo para o combate às fake news. A partir disso, o LinkedIn passou a reunir mais profissionais de saúde, com debates e trocas de informações mais intensos. Hoje, dos 100 milhões de perfis brasileiros na plataforma, 2,4 milhões são de profissionais de saúde. Cerca de 66% deles atuam na linha de frente, diretamente no cuidado com pacientes e na operação dos serviços de saúde.

“É um fenômeno de educação. Temos visto que esse crescimento ocorre não só no Brasil, mas no mundo inteiro”, disse Milton Beck, diretor-geral do LinkedIn para América Latina e África, ao Saúde Insider. A “educação” citada pelo executivo diz respeito ao fato de a rede “dar voz às pessoas corretas”, segundo ele. Sem a preocupação de evidenciar conteúdos com pessoas que tinham visibilidade alta, “porque muitas vezes a visibilidade está dissociada do conteúdo correto”, afirmou Beck.

Entre os cargos com maior volume de presença na rede estão técnico de enfermagem, enfermeiro, médico, fisioterapeuta, psicólogo e farmacêutico. O LinkedIn tem incentivado a produção de conteúdos sobre saúde na plataforma, historicamente dominada por profissionais de marketing, finanças e tecnologia. De 2012, quando a rede tinha 6 milhões de usuários no Brasil, até agora, quando alcançou a marca de 100 milhões de inscritos, houve expansão em todos os segmentos da economia. A saúde, porém, foi dos que mais cresceram.

A empresa tem realizado atividades específicas para o segmento, com participação de personalidades que estimulam a atuação de profissionais e organizações de saúde na plataforma. Um exemplo foi o evento Carreiras na Saúde, promovido em junho na sede do LinkedIn, em São Paulo, que abordou os desafios, as transformações e as oportunidades relacionadas ao tema na rede.

Segundo Beck, há uma grande massa de profissionais que hoje utilizam o LinkedIn não apenas para manter seus perfis e ganhar visibilidade no mercado, mas também para compartilhar informações e melhores práticas. “O que realmente importa é o conteúdo de qualidade, gerado por profissionais que entendem do assunto.” Essa é a base. “Depois a gente trabalha para que esse conteúdo chegue nas pessoas”, disse o diretor-geral do LinkedIn.

A cadeia produtiva da saúde fechou 2025 com 5,28 milhões de vínculos formais de trabalho, o que representa 10,9% do emprego formal nacional. Os números são da 79ª edição do Relatório do Emprego na Cadeia Produtiva da Saúde (RECS 79), do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), elaborado com base em informações do Novo Caged, do Painel Estatístico de Pessoal do Ministério da Economia e de Portais de Transparência estaduais e municipais.

Os 2,4 milhões de perfis de profissionais de saúde no LinkedIn representariam 45% da massa de trabalhadores formais do setor. Segundo dados da plataforma, o mercado também está em transformação. No último ano, 10% dos profissionais da área da saúde mudaram de emprego no país, sinal de maior mobilidade e de novas dinâmicas de carreira no setor.

Para Analía Cervini, head de Comunicação do LinkedIn para América Latina, os números mostram que a saúde já ocupa um espaço relevante na plataforma e ajudam a ampliar a percepção de que a rede pode ser útil para trajetórias profissionais muito além do universo corporativo tradicional. “Queremos apoiar esses profissionais com ferramentas para fortalecer sua presença profissional, ampliar conexões e acessar novas oportunidades de desenvolvimento”, afirmou.

Drauzio Varella. Foi nos anos 1980 que o médico Drauzio Varella começou a se tornar uma referência na comunicação sobre saúde. Naquele momento, não era comum que profissionais do setor dessem entrevistas ou participassem de programas de rádio e televisão. A prática era malvista pela classe, que avaliava que bons médicos deveriam atender pacientes, e não aparecer nos meios de comunicação de massa. Mas duas situações fizeram Drauzio remar contra a maré.

Uma delas foi o incômodo com a expressão “peste gay”, disseminada na sociedade a partir do aumento dos casos de Aids (síndrome da imunodeficiência adquirida) no Brasil. “Fiquei revoltado”, disse o médico em um evento do LinkedIn. Ele estudava o tema e dirigia o Serviço de Imunologia do Hospital do Câncer, em São Paulo. Foi, inclusive, aos Estados Unidos para fazer estágio no Memorial Sloan Kettering Cancer Center, em Nova York.

Quando voltou, ocorreu a segunda situação que o levou para o caminho da comunicação. O jornalista Fernando Vieira de Mello, então diretor da rádio Jovem Pan e amigo de Drauzio, o convenceu a falar mais sobre saúde na mídia. O argumento foi simples: “Você quer transmitir informações corretas no meio de uma epidemia ou você quer ficar bem com seus colegas de profissão?”, indagou Mello a Drauzio. “Aquilo me pegou e me convenci de que eu tinha que fazer esse trabalho”, afirmou o médico, ao ressaltar que enfrentou um “patrulhamento cerrado da classe médica”.

Atualmente, Drauzio, referência em medicina e comunicação, tem encorajado mais profissionais a falar sobre saúde com seriedade e responsabilidade. “Agora esse quadro se inverteu completamente. Vemos jovens falando nos meios de comunicação e falando muito bem”, disse Drauzio. “Hoje as pessoas são muito mais bem informadas do que eram no passado.”

Raquel Castanharo, fisioterapeuta e mestre em Biomecânica da Corrida pela USP (Universidade de São Paulo), é uma das especialistas que têm se destacado pelo trabalho tanto na clínica quanto nas redes sociais. Em um momento em que a sociedade valoriza mais a quantidade de seguidores do que a formação acadêmica dos profissionais, Raquel transmite uma mensagem importante tanto para quem produz conteúdo quanto para quem o consome. “Não inverta as prioridades. Você primeiro tem que ser bom no que faz. Sendo bom, viraliza. Não adianta só viralizar”, disse. “Ser um bom profissional é inegociável. O número de seguidores pode ser negociável. Sua capacidade técnica, não.”

Questões essenciais

Quantos profissionais de saúde estão no LinkedIn no Brasil?

Segundo dados do LinkedIn, 2,4 milhões dos 100 milhões de perfis brasileiros na plataforma são de profissionais de saúde. Entre os cargos com maior presença estão técnicos de enfermagem, enfermeiros, médicos, fisioterapeutas, psicólogos e farmacêuticos.

Quantos empregos formais existem na cadeia produtiva da saúde?

A cadeia produtiva da saúde encerrou 2025 com 5,28 milhões de vínculos formais de trabalho.

Como a comunicação de profissionais de saúde mudou?

A participação de médicos e outros profissionais em meios de comunicação e redes sociais aumentou. A mudança acompanha uma maior valorização da divulgação de informações de saúde diretamente por especialistas e da comunicação com o público.

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