Solução de IA para triagem clínica mira 10 mil usuários e receita de R$ 10 milhões neste ano
Fundadores da startup, que são médicos, observam regulação e segurança como principais desafios para healthtechs no Brasil
Implementar inovação em um setor altamente regulado e que exige elevados padrões de segurança e confiabilidade representa um dos principais desafios para empresas de tecnologia na área da saúde. Essa é a avaliação dos fundadores da startup MOMA.I, Eduardo Vilela e Hendrick Hoyler. Apesar dos obstáculos, a plataforma de triagem clínica apoiada por inteligência artificial planeja faturar R$ 10 milhões e atingir uma base de 10 mil usuários até o final deste ano. Atualmente, são 2 mil. A prioridade é ampliar a presença em instituições de saúde e continuar investindo no desenvolvimento da tecnologia. “Temos expectativa de crescimento consistente ao longo do próximo ano”, disse Vilela.
O modelo de negócios foi desenvolvido para atender instituições de saúde, clínicas e operadoras que buscam ganhos de eficiência, qualidade assistencial e experiência do paciente. O paciente descreve os sintomas na plataforma e recebe orientação. A solução nasceu da percepção de que a jornada do paciente é marcada por processos fragmentados, excesso de burocracia e pouca inteligência na organização das informações clínicas, segundo Hoyler. “Hoje vemos oportunidades em praticamente toda a cadeia da saúde”, afirmou o médico.
Na percepção dos sócios, hospitais e grandes redes buscam eficiência operacional e melhor gestão do fluxo assistencial, enquanto as clínicas procuram ferramentas que reduzam o tempo gasto com atividades administrativas e melhorem a experiência do paciente. Já as operadoras de saúde têm interesse em tecnologias capazes de tornar o cuidado mais preventivo e direcionar melhor os recursos.
Vilela também citou oportunidades na atenção primária, na telemedicina e em programas de monitoramento remoto, impulsionadas pelo amadurecimento das soluções de IA. Nos planos da startup está o desenvolvimento de novas tecnologias para oferecer uma plataforma cada vez mais integrada, capaz de organizar informações clínicas, apoiar protocolos assistenciais e incorporar novos recursos de IA. “Estamos continuamente desenvolvendo novos módulos e funcionalidades para ampliar o suporte ao paciente e ao trabalho das equipes médicas”, disse o executivo.
IA na medicina. Questões relacionadas à proteção de dados e à conformidade com a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais) permanecem centrais para o segmento. Na visão dos fundadores, esse cuidado é essencial em um momento de adesão crescente a soluções voltadas à otimização de processos e à redução de desperdícios.
Sobre IA, a avaliação é de que a tecnologia deixou de ser um tema de futuro e se tornou parte da rotina das instituições de saúde. A utilização de IA na medicina passou a contar com regulamentação específica no Brasil em 2026. Em fevereiro, o CFM (Conselho Federal de Medicina) publicou a Resolução nº 2.454/2026, que assegura ao médico o direito de utilizar a tecnologia como instrumento de apoio, respeitados os limites éticos e legais da profissão.
Além de estabelecer que o profissional de saúde deve ser o responsável final pelas decisões, a norma, que entra em vigor em 26 de agosto, determina que os dados dos pacientes sejam tratados em observância às regras de proteção de dados pessoais, bem como às normas específicas de segurança da informação em saúde. A LGPD classifica informações relacionadas à saúde como dados pessoais sensíveis, o que exige um nível mais elevado de proteção por parte das empresas e organizações que realizam seu tratamento.
Na visão dos executivos da MOMA.I, um ponto importante é mostrar que a inteligência artificial deve atuar como ferramenta de apoio, organizando informações e aumentando a eficiência, sem substituir a decisão clínica do profissional de saúde. Entre os desafios do segmento, Hoyler apontou questões relacionadas à integração entre sistemas, à maturidade digital e à mudança cultural, mas avalia que o mercado evoluiu significativamente nos últimos anos. “É necessário integrar novas soluções aos sistemas já existentes nas instituições, que muitas vezes utilizam tecnologias diferentes.”
Questões essenciais
A inteligência artificial pode substituir o médico na triagem?
Segundo os fundadores da MOMA.I, a IA deve atuar como ferramenta de apoio, sem substituir a decisão clínica do profissional de saúde.
Quais são os principais desafios para o uso de IA na saúde?
Entre os principais desafios estão segurança de dados, conformidade regulatória, integração entre sistemas, maturidade digital das instituições e mudança cultural.
A LGPD regula o uso de dados de saúde?
Sim. A LGPD classifica informações relacionadas à saúde como dados pessoais sensíveis, submetidos a regras específicas de proteção.
