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Entrevista

Gonzalo Vecina Neto: “A administração pública brasileira é muito atrasada”

Primeiro presidente da Anvisa, médico analisa financiamento e gestão do SUS e defende um centro nacional de controle de doenças

Financiamento insuficiente e uma administração pública que demora para comprar, contratar e responder às necessidades da assistência estão entre os principais entraves do sistema de saúde brasileiro, na avaliação de Gonzalo Vecina Neto. “Nós gastamos pouco e gastamos mal”, afirmou o médico, que coloca a gestão logo depois da falta de recursos entre os problemas estruturais do SUS. Para Vecina, mudanças na forma de administrar o Estado e parcerias com o setor privado podem fazer parte da resposta, desde que acompanhadas de fiscalização e controle.

A avaliação vem de quem acompanhou por quase cinco décadas a transformação da saúde brasileira e ocupou posições nos setores público e privado. Vecina foi secretário municipal de Saúde de São Paulo, secretário nacional de Vigilância Sanitária e o primeiro presidente da Anvisa, criada em 1999. Também trabalhou no Hospital Sírio-Libanês e hoje é professor na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, na Fundação Getulio Vargas e como consultor. Participou ainda do movimento que resultou na criação do SUS, processo que associa à própria redemocratização do país.

Aos 73 anos, Vecina recebeu o Saúde Insider em sua casa, na Zona Oeste de São Paulo, cercado por uma biblioteca de 5,1 mil livros catalogados e uma coleção ainda incontável de CDs. Na entrevista, percorre a formação do sistema público, o subfinanciamento, os limites da gestão estatal, as relações entre público e privado e a dependência brasileira de insumos de saúde. Também defende a criação de um centro nacional de controle de doenças capaz de ampliar a vigilância sobre microrganismos e riscos epidemiológicos nos diferentes biomas brasileiros.

Aos 19 anos, Gonzalo Vecina Neto percorreu os 85 quilômetros que separam Sorocaba de Jundiaí, no interior paulista, para prestar o vestibular. Seria – e foi – um passo adiante na família, que não teve muitas oportunidades de estudar. Entrou em 1972 na Faculdade de Medicina de Jundiaí, criada quatro anos antes. Morou em república, casou em 1976 e se formou no ano seguinte. Foi com quase meio século de carreira, que começou com a residência de medicina preventiva no HC (Hospital das Clínicas), em São Paulo. Quase ao mesmo tempo, chegou a ser médico do Paulista de Jundiaí, tradicional time do estado. “Passei o ano de 1978 indo a campo de futebol aos sábados e domingos.”

Saúde Insider – O senhor tem experiência profissional principalmente na área de saúde pública. Mas também no setor privado… 
Gonzalo Vecina Neto – O meu primeiro emprego foi no InCor. Já era uma coisa meio híbrida. Porque ele tinha já a Fundação para o Desenvolvimento da Bioengenharia, que mais tarde se transformou na Fundação Zerbini [criada em 1978]. Então, tinha já uma atividade privada, porque a fundação é privada. E o InCor é um dos institutos do HC, que é uma autarquia. Mas é uma das primeiras organizações públicas do Brasil a criar uma fundação privada de apoio.

Saúde Insider – Que foi um marco. 
Gonzalo Vecina Neto – Inspirou muitas fundações de apoio posteriormente. Hoje temos muitas fundações de apoio e grande parte delas se inspirou na experiência do Instituto do Coração, que foi desenvolvida por pessoas brilhantes, como o professor Fúlvio Pileggi [cardiologista, morreu em 2021, aos 93 anos], naqueles anos mais difíceis de funcionamento da rede pública. 

Saúde Insider Como fazer gestão em saúde pública?
Gonzalo Vecina Neto – A administração pública brasileira é complicada, porque utiliza dinheiro, que é público. E o dinheiro público, para ser gasto em qualquer país do mundo, tem que obedecer a duas condições, principalmente. A primeira condição é a da transparência. A segunda é a isonomia. E tanto a transparência quanto a isonomia são muito complexas de se construir. E não tem jeito de fazer isso sem tempo. Tempo na gestão é muito importante. O HC, por exemplo, onde trabalhei 27 anos, tem estoque médio de 90 dias. O Hospital Sírio-Libanês, que dirigi há quase dez anos, tem estoque médio de 21 dias.

Saúde Insider – O que gera um custo…
Gonzalo Vecina Neto – O que é o estoque? Estoque é dinheiro parado na prateleira, dinheiro que não está a serviço da produção. Os japoneses inventaram um modelo de produção, o modelo Toyota…

Saúde Insider –Just in time…
Gonzalo Vecina Neto – Zero estoque. A administração pública não consegue trabalhar com isso. 

Saúde Insider – E a consequência?
Gonzalo Vecina Neto – Como é que faz? Quero contratar alguém no Sírio-Libanês. Eu faço uma seleção, em 20 dias estou com o cara em condições de fazer o exame médico. Falta só o exame médico. Um concurso público é um ano. Então, a reposição de gente e a compra de coisas é muito difícil na administração pública.

Saúde Insider – As parcerias são uma alternativa?
Gonzalo Vecina Neto – Essas fundações de apoio conseguem juntar a administração pública com a administração privada. Depois de 1998  [ano de criação da Lei 9.637], particularmente, é que essa ideia de gestão através de parcerias com o setor privado evoluíram através das organizações sociais (OS). O grande problema é que, se elas não forem controladas, tendem a desviar dinheiro. Então, tem que haver controle. Veja o que aconteceu agora com o caso do Banco Master. Tem da direita à esquerda, tem gente de tudo quanto é partido. E por que tem gente de tudo quanto é partido? Porque é dinheiro. Dinheiro é uma coisa muito terrível nesse sentido. E aí as OSs têm de ser controladas, acompanhadas e tal.

Saúde Insider – E é possível?
Gonzalo Vecina Neto – Durante o período que estive no Sírio-Libanês, conseguimos levar a filantropia do hospital a constituir uma organização social. E essa organização social hoje é responsável por sete hospitais. Enquanto estava no Seconci (Serviço Social da Construção), também fizemos uma organização social que hoje administra nove hospitais. E nunca teve nenhum problema, tanto a do Sírio quanto a do Seconci. Até hoje eu sou membro do Conselho de Fiscalização do Seconci. Então, é importante existir essa interrelação, esse apoio entre o público e o privado, mas é complexo.

Saúde Insider – Quais limitações no seu tempo de residente deixaram de existir?
Gonzalo Vecina Neto – A década de 70 foi de transformação tecnológica. Apareceu a tomografia, a ressonância magnética, as UTIs começaram a ser construídas. Era muito frequente a gente falar, naqueles anos, que mais podia a educação fazer pela nossa saúde do que a própria saúde. Naquele tempo se morria de água. Não havia tratamento de água. Hoje, [quase] 100% da população urbana brasileira tem acesso a água tratada [segundo o Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico, em 2024, eram 92,3%]. Antes, Você entrava no pronto-socorro, a primeira sala era de hidratação.

Saúde Insider – Sala de hidratação?
Gonzalo Vecina Neto – A primeira sala era de hidratação, a última sala era de drenagem de fezes.

Saúde Insider – Um país no atraso.
Gonzalo Vecina Neto – Por que não temos mais doença de Chagas? [Em 2006, o Brasil recebeu o Certificado Internacional de Interrupção Vetorial. Por causa do estuque. Não tem mais casa de pau a pique. O barbeiro é um bicho que anda, não voa. Ele sobe na parede e cai. Agora tem uma bobagem, que é essa coisa do açaí.

Saúde Insider – Que coisa?
Gonzalo Vecina Neto – O açaí é uma sementezinha marrom-escura, preta. Você vai catar açaí no meio do mato, e no meio tem o barbeiro. Imagine que você seja um barbeiro numa cesta cheia de açaí, você chacoalha, não ia ficar com medo? Aquele monte de açaí fica contaminado [com as fezes]. Aí você pega e mói aquele negócio para fazer o suco. Tem gente que gosta de tomar in natura.

Saúde Insider – Qual é a saída?
Gonzalo Vecina Neto – Tem que pasteurizar. Esses caras, os connaisseur de açaí, fazem questão de beber sem pasteurização. Então, estamos tendo incidência de mal de Chagas de novo. Por causa dessa besteira do açaí. Sem pasteurização, é risco muito grande de ter doença [segundo o Ministério da Saúde, houve 613 casos em 2025, sendo 522 (85%) no Pará.]. Porque o barbeiro continua existindo, nós não acabamos com ele. A gente põe o cocô dele para dentro.

Saúde Insider – No sistema como um todo, melhoraram os recursos?
Gonzalo Vecina Neto – Melhorou muito o sistema de saúde.

Saúde Insider – Por qual motivo?
Gonzalo Vecina Neto – Por causa da tecnologia. E por causa da garantia do acesso à tecnologia. Hoje, câncer é uma doença que, se dignosticada precocemente, tem salvação. Em 1975, cerca de 350 americanos morriam de doenças cardiovasculares a cada 100 mil habitantes. Em 2005, foi para 130. Como saiu de 350 para 130? Os americanos não ficaram mais magros, não diminuíram o fumo, não diminuíram o colesterol, não fizeram mais atividades físicas. Eles criaram o stent. O stent reduziu a mortalidade. E as drogas. A medicina ficou muito mais poderosa.  

Saúde Insider – O senhor participou dos movimentos que levaram, quase 40 anos atrás, à criação do Sistema Único de Saúde. O que mudou? O artigo 200 da Constituição, por exemplo, fala sobre as atribuições do SUS… 
Gonzalo Vecina NetoDo 196 a 200, são cinco artigos.

Saúde Insider – É que o 200 lista atribuições do Sistema Único. O artigo 196 fala que é o direito social, que o Estado tem que garantir. Essas garantias previstas na Constituição são cumpridas pelo Estado?
Gonzalo Vecina Neto – O sistema de saúde brasileiro começa a se estruturar a partir da criação, em 1923, da Caixa de Aposentadoria e Pensão dos Ferroviários. Logo a seguir vem o governo Vargas, um projeto de industrialização tardio do Brasil. E uma das coisas que ele faz é buscar dar a melhor condição de trabalho para os trabalhadores da indústria. Aí é criada toda a estrutura dos Institutos de Aposentadoria e Pensão, até 1966, quando os IAPs são juntados no INPS (Instituto Nacional de Previdência Social). Depois o INPS, em 1977, é transformado em Inamps (Instituto Nacional de Assistência Médica e da Previdência Social). Quando se cria o Inamps. O Brasil era um país um pouquinho mais urbano do que rural, 60%, 70% da população era urbana.

Saúde Insider – Esse era o público atendido?
Gonzalo Vecina Neto – Quantos por cento da população urbana tinha carteira de trabalho? Trabalho formal. Uns 30%, 40%. O trabalhador rural tinha um projeto assistencial chamado Funrural, que era muito ruim. Você oferecia o Funrural para as Santas Casas, que recebiam um fixo per capita pela população rural. Mas era um atendimento precário. E o trabalhador urbano tinha o Inamps. Naquele tempo, pouca gente tinha plano de saúde.

Saúde Insider – Quando isso começa a mudar?
Gonzalo Vecina Neto – O plano de saúde no Brasil começa no polo industrial do ABC, com a indústria automobilística. Depois, um pouco mais à frente, veio a criação da Unimed, em 1967. E aí o seguro de saúde. De qualquer forma, nessa época, poucos tinham plano de saúde.

Saúde Insider – A menor parte da população.
Gonzalo Vecina Neto – Sendo muito favorável, cerca de 40% da população brasileira tinha atendimento do Inamps. O resto não tinha nada.

Saúde Insider –E quando isso mudou?
Gonzalo Vecina Neto – Na saúde, passamos a década de 70 toda brigando para ter um projeto assistencial. A gente falava do modelo inglês, que é universal e adequado. E aí começamos a desenhar o modelo. 

Saúde Insider – E como era a base dele?
Gonzalo Vecina Neto – O que estava sendo discutido nas universidades, nas medicinas preventivas das faculdades do Brasil, era um sistema público de saúde. Com base universal, ações de promoção, de prevenção e de tratamento.

Saúde Insider – Isso era consenso?
Gonzalo Vecina Neto – Havia uma linha que pensava o seguinte: nunca vai ter dinheiro para tratar todo mundo. Então, vamos fazer medicina preventiva para pobre e deixar medicina curativa para quem tem dinheiro para pagar. 

Saúde Insider – Era uma ideia justa?
Gonzalo Vecina Neto – É uma ideia bastante sofisticada e complexa.

Saúde Insider – Por quê?
Gonzalo Vecina Neto – Está escrito na Constituição como igualdade. Mas a ideia da reforma era de equidade. O que é isso? É tratar de forma diferente o que é diferente. A chance de uma mulher preta morrer de gestação é três vezes maior do que a de uma mulher branca. 

Saúde Insider – Em que momento a estrutura começa a mudar?
Gonzalo Vecina Neto – Em 1987. O [presidente José] Sarney publica o decreto [94.567] que cria o Suds [Sistemas Unificados e Descentralizados de Saúde nos Estados], que é o primeiro movimento de universalização. Junta o Inamps com as secretarias estaduais. Há também um grande movimento nacional de criação de secretarias municipais, que até então não existiam, e aí você tem o município, o estado e o governo federal construindo o que foi o início do SUS. 

Saúde Insider – Qual é a consequência dessa junção?
Gonzalo Vecina Neto – Você passa a ter não só os 40% [trabalhadores urbanos formais], mas 100% da população, inclusive a rural.

Saúde Insider – O embrião do SUS. E quais os desafios, ou problemas, de hoje?
Gonzalo Vecina Neto – O sistema brasileiro é subfinanciado. Se você pega os países da OCDE, em média 75% é gasto público. No Brasil, é 45%. Essa é a primeira questão.

Saúde Insider – Isso pode mudar?
Gonzalo Vecina Neto – Não acho que em curto ou médio prazo.

Saúde Insider – O que fazer?
Gonzalo Vecina Neto – Adib Jatene [médico e professor, 1929-2014] foi ministro de Saúde. Ele brigou para ter um novo modelo de financiamento. Criou a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira). Aí o José Serra [ex-ministro da Saúde e ex-governador paulista], no ano 2000, criou a Emenda Constitucional 29, que estabelece obrigações: municípios têm de colocar 15% da receita bruta na saúde, e os estados, 12%. A União perdeu a briga – tinha de colocar o [mínimo] do ano passado, mais a variação positiva da inflação e do PIB. 

Saúde Insider – Até quando esse modelo vigorou?
Gonzalo Vecina Neto – Isso foi até 2014, quando veio a Emenda Constitucional 86, no governo Dilma Rousseff – o governo federal deveria colocar 15% da receita corrente líquida (todas as receitas federais, exceto as da Previdência). Mas em 2016 Michel Temer publica a EC 95 [Teto de Gastos], que congela os gastos públicos por 20 anos, e o Jair Bolsonaro mantém. Isso só vem a ser revogado em 2023. Nós estamos nesse ponto agora. Espero que a gente consiga avançar.

Saúde Insider – Quais são os problemas?
Gonzalo Vecina Neto – O primeiro grande problema: financiamento. 

Saúde Insider – E o segundo?
Gonzalo Vecina Neto – A gestão. Nós gastamos pouco e gastamos mal. Por quê? Porque temos essa problema da administração pública no Brasil, que é muito atrasada. Isso que eu falava para você, demora para comprar, demora para contratar…

Saúde Insider – Como resolver isso?
Gonzalo Vecina Neto – Podemos resolver por meio das parcerias público-privadas?

Saúde Insider – Podemos?
Gonzalo Vecina Neto – É um instrumento. Tem muita gente que acha que isso é privatização. Mas transporte coletivo é resolvido através de concessões. 

Saúde Insider – A Reforma Tributária mexe com isso de alguma forma?
Gonzalo Vecina Neto – O imposto sobre o consumo é regressivo. Uma das linhas da Reforma Tributária é essa: tornar o financiamento do Estado mais equitativo. Administração é realizar coisas com organizações. 

Saúde Insider – Inclusive em hospitais?
Gonzalo Vecina Neto – O que é a administração de um hospital? É comprar coisas que vão ser usadas na assistência médica e contratar pessoas que vão fazer a assistência médica. No setor público, para comprar, tem de licitar. Para contratar, tem de fazer concurso. É um desastre. Não tem resposta simples para isso. É muito mais fácil pegar uma bandeira vermelha e sair gritando “Abaixo a privatização”, essa coisa toda.

Saúde Insider – Como o senhor vê hoje o SUS?
Gonzalo Vecina Neto – O primeiro problema é falta de dinheiro. O segundo é falta de gestão. E o terceiro é falta de melhor organização da própria saúde.

Saúde Insider – Nada positivo?
Gonzalo Vecina Neto – Não. Hoje, o Brasil é o maior transplantador público do mundo. Nosso programa nacional da Aids é um imenso sucesso, como em nenhum outro país, mesmo os desenvolvidos. Também damos remédios para todos os portadores de Aids, mais de 1 milhão de pessoas. Damos remédio para todos os hemofílicos, mais de 20 mil. A maioria tem planos de saúde. Eles recebem do SUS US$ 500 milhões em remédios, pagos por toda a sociedade. A Constituição de 1988 criou um negócio complexo para gerenciar chamado sociedade brasileira. 

Saúde Insider – E gerencia?
Gonzalo Vecina Neto – O Brasil é o um dos raros países que tem três autonomias: federal, estadual e municipal. Nos Estados Unidos, município não manda. A França é uma república unitária, não tem estados. Lá, municípios são mais importantes.

Saúde Insider – E no Brasil…
Gonzalo Vecina Neto – Temos uma vigilância sanitária federal, uma estadual e uma municipal. Há conflitos e gastos desnecessários. Então, temos de aprimorar o nosso projeto da gestão pública. Temos um problema de gente. Como é que faz para fazer médico bom? E o problema da indústria. O Brasil tem uma das coisas de que o capitalismo mais gosta, que é mercado. Temos um mercado de 210 milhões de pessoas. No entanto, 95% dos insumos consumidos no Brasil são produzidos fora. 

Saúde Insider – A questão é estratégica?
Gonzalo Vecina Neto – A balança de pagamentos na área da saúde é absolutamente desequilibrada. E às vezes acontecem coisas como na pandemia: preciso vacinar 210 milhões de pessoas e ninguém quer vender vacina. Por que primeiro eles [vacinar a população dos países de origem dos produtores de vacinas] depois eu? Se não fossem Butantan e Fiocruz, teríamos muito mais mortes.  

Saúde Insider – Há uma discussão para a criação de um Centro de Controle de Doenças. O que esse centro faria?
Gonzalo Vecina Neto – Acompanhar o que acontece nos nossos biomas. Ter gente olhando o que está acontecedo nesses lugares. Se aparecer bicho morto, você cata e leva ao laboratório. Se a gente não tiver um mínimo de estrutura para acompanhar isso… É fiscalização. No país inteiro.

Saúde Insider – Por onde começar?
Gonzalo Vecina Neto – Por uma rede de laboratórios capaz de fazer o sequenciamento desse tipo de microorganismo, seja vírus, bactéria, fungo… Temos de criar um centro de controle de doenças, como existem nos Estados Unidos, na China, na Europa.

Saúde Insider – E como isso está?
Gonzalo Vecina Neto – Criamos um movimento pela criação de um CDC no Brasil, que provavelmente vai ficar na Fiocruz.

Saúde Insider – E a Anvisa?
Gonzalo Vecina Neto – A Anvisa é outro departamento. A Vigilância Sanitária está voltada para evitar que você, ao consumir, adoeça. Não existe hábito de consumo sem risco de doença. Usar uma roupa pode dar alergia. Comer pode dar doença. Usar remédio, cosmético, produto de limpeza, produtos para saúde, máquinas… Estamos falando de vigilância epidemiológica. Em que medida os microorganismos que habitam nossos biomas podem nos pegar e transmitir uma doença, como foi com a Covid-19?

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