Com pretensão de crescer sua receita em 40%, Alko entra na briga do mercado de cannabis com o Laboratório Teuto
Farmacêutica carioca começa a importar o óleo da canadense MediPharm, mesma fornecedora da concorrente. Mas já tem planos para fabricação local do óleo
Primeiro lote do óleo de canabidiol da Alko do Brasil chegou ao Rio de Janeiro na última semana de agosto, fabricado pela canadense MediPharm Labs. O movimento marca o início de uma batalha nas prateleiras de farmácias com o Laboratório Teuto, que importa do mesmo fabricante desde fevereiro. O produto chega às farmácias sem nome de marca, como extrato de cannabis sativa Alko do Brasil. Com a estratégia de disputar esse mercado nichado, a empresa espera um crescimento de 40% em seu faturamento total, incluindo outras linhas de negócio, chegando a R$ 84 milhões.
Como é vedada qualquer forma de promoção ou indução ao consumo do produto, a Alko pretende aproveitar a carteira de clientes que já possui há mais de três décadas. Os 15 propagandistas dedicados à nova divisão da empresa vão visitar centros de diagnóstico por imagem e centros oncológicos que hoje compram os conectores da Alko, onde atuam médicos que podem virar prescritores. A equipe dedicada a cannabis reúne 30 pessoas, num quadro total de cerca de 140. A distribuição do produto, que chega às prateleiras com tarja vermelha, está em negociação com grandes redes de farmácias do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais.
A entrada da companhia no mercado de cannabis envolve um investimento escalonado de R$ 40 milhões que inclui, além da importação do produto, adaptações na fábrica, registros e validações. Desde sua fundação em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, há 38 anos, a empresa atuava em um nicho estreito no segmento da saúde, fabricando conectores com válvula antirrefluxo acoplados a bombas injetoras de contraste em exames de imagem. Um mercado que não chega a R$ 500 milhões no país, segundo a empresa.
O plano de médio prazo da empresa é deixar de importar o produto acabado e nacionalizar toda a fabricação, começando pelo envase na unidade de Jacarepaguá. Atualmente, o óleo sai do Canadá com dois anos de validade e chega ao Brasil depois de dois ou três meses de transporte. Para Augusto Oliveira, CEO da Alko, a produção local reduzirá custos em cerca de 30%. “O principal ganho é poder ter um controle maior sobre o processo de fabricação”, afirmou. A empresa já recebeu propostas de produtores.
A cannabis medicinal chega ao paciente por três caminhos: a farmácia, a importação autorizada pela Anvisa para uso próprio e as associações de pacientes. A farmácia é o canal mais caro dos três, segundo a consultoria Kaya Mind. O miligrama em óleo sai a R$ 0,39 na drogaria, contra R$ 0,32 nas associações de pacientes e R$ 0,25 na importação, conforme o Anuário da Cannabis Medicinal 2025 da consultoria. O canal atende 293 mil dos 873 mil pacientes em tratamento, atrás da importação. O anuário ainda estima que o setor movimentou R$ 970 milhões em 2025 e projeta um mercado de R$ 1,12 bilhão em 2026 e R$ 1,27 bilhão em 2027.
O anuário da Kaya Mind atribui às farmácias “pouca diversidade de produtos, formas farmacêuticas e canabinoides”, numa prateleira dominada pelo óleo. A RDC (Resolução da Diretoria Colegiada) número 1.015, da Anvisa, de fevereiro, que atualizou o marco regulatório de fabricação e importação de produtos de cannabis, abriu espaço para mudar o cenário.
Ela amplia as vias de administração permitidas, que antes se restringiam à oral e à nasal. A Alko entra nesta frente com óleo. Juliana Kömel, co-CEO da Alko, disse que os próximos produtos serão creme, cápsula e uma outra linha que está mantida sob sigilo.
Questões essenciais
Quem fabrica o óleo de canabidiol da Alko do Brasil?
A canadense MediPharm Labs, que também fornece ao laboratório Teuto. A Alko importa o produto acabado e pretende, no médio prazo, nacionalizar a fabricação, começando pelo envase na unidade de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro.
Quanto custa a cannabis medicinal na farmácia?
Na farmácia, o miligrama em óleo sai a R$0,39, contra R$0,32 nas associações de pacientes e R$0,25 na importação autorizada pela Anvisa, conforme o Anuário da Cannabis Medicinal 2025 da Kaya Mind. A farmácia é o canal mais caro dos três.
Quantos brasileiros usam cannabis medicinal?
São 873 mil pacientes em tratamento, dos quais 293 mil compram em farmácia, conforme a Kaya Mind. O setor movimentou mais de R$ 970 milhões em 2025.
