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Economia

Papel de farmácias na atenção primária poderia aliviar pressão sobre o SUS, avaliam grandes redes

Executivos da Pague Menos, Panvel e RD Saúde debateram possibilidade de oferta de serviços de atendimento de baixa complexidade associados ao sistema público

Ilustração de Saúde Insider
Ilustração de Saúde Insider Crédito de Foto: Magnific

A atuação de farmácias na atenção primária de pacientes poderia ajudar a aliviar a pressão sobre o SUS (Sistema Único de Saúde), avaliam representantes de três grandes redes: Pague Menos, Panvel e RD Saúde. Na visão dos executivos, a ampliação do papel dos estabelecimentos, com atuação mais efetiva de atendimento do que apenas um ponto de venda de remédios, poderia facilitar o acesso à saúde no Brasil e agregar eficiência ao sistema. Porém, isso exigiria uma grande articulação entre os setores público e privado para a estruturação dos serviços e protocolos, além de um trabalho de mudança cultural junto à população.

Na opinião da presidente do Conselho de Administração das farmácias Pague Menos, Patriciana Rodrigues, o farmacêutico poderia ser melhor aproveitado dentro da estrutura de saúde do país. “Muitos casos poderiam ser resolvidos dessa forma”, disse a executiva, durante painel na Abrafarma Future Trends, evento realizado em São Paulo (SP) na primeira quinzena de agosto. Ela debateu o atual cenário do varejo farmacêutico com o CEO da Panvel, Julio Mottin Neto, e o vice-presidente de negócios da RD Saúde, Bruno Pipponzi.

O trio de executivos discutiu o exemplo do Pharmacy First, desenvolvido pelo NHS (National Health Service), o serviço nacional de saúde da Inglaterra. A iniciativa permite que pacientes recebam atendimento de baixa complexidade em farmácias comunitárias. Segundo Patriciana, uma possibilidade de implementar algo parecido no Brasil seria por meio da ampliação da Farmácia Popular, com estabelecimentos particulares cadastrados ofertando atendimentos.

A executiva considerou que é necessária uma transformação cultural para que o cliente entenda a farmácia como local de primeiro atendimento, o que exige um esforço de comunicação conjunta entre governo, farmácias e outras entidades.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ao anunciar mudanças no Farmácia Popular, também no evento da Abrafarma, disse que um grupo de trabalho será criado para formular propostas para a modernização do programa, com possibilidade de ofertar serviços, procedimentos e exames diagnósticos, inclusive teleconsultas.

A legislação brasileira reconhece a farmácia como estabelecimento de saúde. Conforme a Lei nº 13.021/2014 e normas do CFF (Conselho Federal de Farmácia) e da Anvisa, estão autorizados, além da orientação sobre o uso correto de medicamentos, a aferição de parâmetros como pressão arterial, temperatura corporal e glicemia, além de testes rápidos e aplicação de vacinas.

Ampliar a gama de serviços e produtos nas farmácias significa também aumentar o faturamento. É criar mais uma linha de geração de receita. Segundo dados da Abrafarma (Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias), as 29 companhias da entidade venderam R$ 128,9 bilhões nos últimos 12 meses até julho, 16,7% superior ao mesmo período anterior.

Democratização da saúde. Para Patriciana, as farmácias podem ter papel fundamental no diagnóstico precoce e no trabalho de triagem. Como exemplo, indicou a possibilidade de identificar patologias como diabetes e hipertensão, além do monitoramento adequado dos tratamentos. “O governo tem o custo da medicação, mas não consegue avaliar se ela está sendo efetiva”, afirmou.

Julio Neto, CEO da Panvel, citou como iniciativa positiva a aplicação de vacinas em farmácias. “É algo que se tornou realidade”, disse o executivo, ao ressaltar que gostaria de ver a farmácia ocupando espaço de plataforma de saúde, representando mais do que um dispensador de medicamentos. “Seria fundamental em cidades médias e pequenas para democratizar o acesso à saúde.”

Bruno Pipponzi, VP da RD Saúde, observou que o Brasil possui fundação sólida para colocar em prática um programa similar ao Pharmacy First, já que o SUS foi inspirado justamente no sistema de saúde britânico. “Nós temos um sistema público que precisa desse tipo de suporte.”

Ele também destacou a Farmácia Popular e iniciativas de digitalização e compartilhamento de dados, como a RNDS (Rede Nacional de Dados em Saúde), entre os elementos facilitadores dessa agenda. Ponderou, no entanto, a ausência de uma articulação entre o setor público e o privado na estruturação dos serviços e dos protocolos clínicos. “A mobilização público-privada precisa acontecer.”

Apesar disso, Pipponzi acredita que já existe um movimento em curso para que, nos próximos anos, a farmácia se torne lugar de cuidado diário e ponto de atenção primária. “Não tem cabimento acordar com uma dor de garganta e ir para o hospital”, disse.

Questões essenciais

Como as farmácias poderiam ajudar a atenção primária no Brasil?

As farmácias poderiam ampliar serviços de triagem, prevenção, acompanhamento de tratamentos e atendimentos de menor complexidade, funcionando como um ponto adicional de cuidado aos pacientes.

O que é o Pharmacy First?

O Pharmacy First é um serviço do sistema de saúde inglês que permite que pacientes procurem farmácias comunitárias para receber atendimento em determinadas condições de menor complexidade. O modelo foi debatido pelas redes brasileiras como referência para uma possível ampliação dos serviços no país.

A Farmácia Popular poderá oferecer novos serviços de saúde?

A nova regulamentação abre espaço para discutir novos serviços no programa. Entre as possibilidades citadas estão exames de sangue e urina, testes rápidos, teleatendimento e monitoramento terapêutico.

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