Pioneira na B3, Dasa diz que IPO de 2004 aprimorou seu modelo de negócio
Empresa atribui ao mercado de capitais parte da expansão das últimas duas décadas e hoje passa por reestruturação após associação com a Amil
Primeira empresa do setor de saúde a realizar IPO na B3, em novembro de 2004, a Dasa (Diagnósticos da América S/A) atribui à abertura de capital parte da transformação de seu modelo de negócio nas últimas duas décadas. O acesso ao mercado de capitais permitiu financiar expansão, aquisições e investimentos em novas áreas, segundo a companhia. Em 2021, uma nova oferta primária captou aproximadamente R$ 3,3 bilhões. Agora, depois de um ciclo de verticalização e da criação da Rede Américas em associação com a Amil, a Dasa atravessa outra mudança, com maior concentração em diagnósticos, simplificação da estrutura e disciplina financeira. Em entrevista exclusiva ao Saúde Insider, a diretora de Tesouraria e RI da Dasa, Fernanda Oliveira, afirmou ter sido essencial a abertura de capital da empresa para expansão do serviços e ampliação do atendimento.
E o caminho da Dasa é longo. Foi criada em 1961 como Médicos Associados em Patologia Clínica (MPA), posteriormente adotou a marca Delboni Auriemo e passou a usar o nome Dasa em 2000. Desde junho de 2021, as ações passaram a ser negociadas no chamado Novo Mercado. Na mensagem de resultados de 2025, a direção da Dasa disse que fechou o ano “diferente daquela que o mercado conheceu nos últimos anos”, a partir de uma “transformação estratégica profunda” e simplificação das operações, com foco em diagnósticos. A empresa também somou R$ 1,9 bilhão em “desinvestimento de ativos não estratégicos”. Em junho de 2024, Dasa e Amil firmaram acordo que, segundo comunicado, formou o segundo maior grupo de hospitais do país (25, com 4,4 mil leitos).
Analista da XP Investimentos nas áreas de saúde e educação, Gustavo Tiseo vê “progresso consistente” da Dasa nos último trimestres e “sólido desempenho operacional” no segundo período de 2026. Depois de registrar no final de 2025 “melhora na geração de caixa e expansão de margem, além da otimização do portfólio por meio da venda de ativos”, a empresa apresentou no segundo trimestre deste ano “maior disciplina de despesas” e crescimento de receita, ainda que modesto. Para ele, a Dasa está “criando as bases para novas melhorias de rentabilidade”. As ações negociadas na B3 sofreram depreciação significativa no período 2021-2026, mas crescem 97,7% de um ano para cá (de R$ 1,32 para R$ 2,61 na última segunda-feira, 31 de agosto). O Ebitda consolidado no segundo trimestre de 2026 atingiu R$ 446 milhões (+53% sobre igual período do ano anterior), com margem de 20,1% (+2,5 pontos percentuais). A receita bruta na área de diagnósticos foi de R$ 2,2 bilhões (+9,7%), enquanto a de hospitais somou R$ 208 milhões (-4%).
Segundo Fernanda Oliveira, foi grande a importância da decisão de realizar a IPO. De acordo come ela, a captação e R$ 3,3 bilhões obtida em oferta primária de ações realizada em 2021 deu à companhia condições de continuar brigando no mercado. “Essa captação deu suporte a investimentos em expansão hospitalar, transformação digital e desenvolvimento de novos serviços”, afirmou. Como resultado, segundo ela, a Dasa evoluiu de uma empresa focada principalmente em medicina diagnóstica “para uma das maiores plataformas integradas de saúde do país.” Confira a entrevista com a diretora.
Saúde Insider – O que levou a empresa, lá atrás, a abrir o capital?
Fernanda Oliveira – A Dasa realizou seu IPO em 2004 com o objetivo de acelerar seu crescimento e fortalecer sua posição em um mercado de medicina diagnóstica que ainda era bastante fragmentado. A abertura de capital permitiu à companhia acessar recursos de longo prazo para financiar expansão, ampliar a presença geográfica, investir em tecnologia e executar uma estratégia consistente de aquisições de laboratórios e empresas complementares. Além disso, o ingresso no mercado de capitais contribuiu para o fortalecimento da governança corporativa, o aumento da visibilidade institucional e a profissionalização da gestão.
Saúde Insider – Duas décadas depois, como a empresa avalia essa medida?
Fernanda Oliveira – A relevância dessa decisão pode ser observada ao longo da história da companhia. Em 2021, já como empresa consolidada e listada em bolsa, a Dasa realizou oferta primária de ações que captou aproximadamente R$ 3,3 bilhões, recursos destinados a acelerar sua estratégia de saúde integrada. Essa captação deu suporte a investimentos em expansão hospitalar, transformação digital e desenvolvimento de novos serviços, reforçando a capacidade da empresa de crescer e evoluir seu modelo de negócios por meio do acesso contínuo ao mercado de capitais.
Saúde Insider – Em que medida isso teve impacto nas atividades desenvolvidas desde então?
Fernanda Oliveira – O acesso ao mercado de capitais foi um dos principais viabilizadores da transformação da Dasa nas últimas duas décadas. Após o IPO, a companhia acelerou sua estratégia de crescimento por aquisições, incorporando diversas marcas regionais e ampliando significativamente sua escala operacional e cobertura nacional. Esse movimento consolidou a liderança da empresa em medicina diagnóstica no Brasil. Com o passar dos anos, a Dasa expandiu a atuação além dos laboratórios, construindo um ecossistema de saúde mais abrangente.
Saúde Insider – Houve expansão de investimentos?
Fernanda Oliveira – A companhia passou a investir em hospitais, oncologia, genética, coordenação de cuidados, telemedicina e soluções voltadas para empresas, ampliando a capacidade de acompanhar o paciente em diferentes etapas da jornada de saúde. Os recursos captados ao longo de sua trajetória também permitiram acelerar a expansão hospitalar. Em 2021, a Dasa fortaleceu sua presença nesse segmento com a aquisição de hospitais que totalizavam mais de 1,5 mil leitos, consolidando-se como o segundo maior grupo privado hospitalar do Brasil na época. Esse avanço foi parte da estratégia de integração entre diagnósticos, hospitais e gestão do cuidado, que se tornou um dos pilares da companhia.
Saúde Insider – E o resultado?
Fernanda Oliveira – Como resultado, a Dasa evoluiu de uma empresa focada principalmente em medicina diagnóstica para uma das maiores plataformas integradas de saúde do país, combinando escala, tecnologia, inteligência de dados e um portfólio diversificado de serviços para pacientes, médicos e empresas.
Saúde Insider – O que mudou depois da joint venture com a Amil?
Fernanda Oliveira – Nos anos mais recentes, após um ciclo de forte verticalização e integração entre diagnósticos e hospitais, a Dasa firmou, em 2024, uma associação com a Amil para a criação da Rede Américas, joint venture que passou a reunir os ativos hospitalares das duas empresas sob controle compartilhado.
Saúde Insider – E qual a avaliação de vocês?
Fernanda Oliveira – A operação permitiu separar parcialmente as frentes de diagnósticos e hospitais, capturar sinergias operacionais, fortalecer a estrutura de capital da companhia e direcionar maior foco gerencial para cada negócio. Esse movimento marcou uma nova fase da trajetória da Dasa, mais voltada para a especialização dos ativos, disciplina financeira e geração de valor para os acionistas.
Questões essenciais
Quando a Dasa realizou seu IPO?
A Dasa abriu o capital em novembro de 2004 e foi a primeira empresa do setor de saúde a realizar um IPO na B3.
Quantos hospitais integram a operação da Dasa e da Amil?
O acordo anunciado pelas empresas reuniu 25 hospitais e aproximadamente 4,4 mil leitos.
O que é a Rede Américas?
É a joint venture criada a partir da associação de ativos hospitalares e de oncologia da Dasa e da Amil, com controle compartilhado.
