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Economia

Antes do jejum de IPOs, saúde levou 25 empresas à B3 em movimento de R$ 37,4 bilhões

Levantamento do Saúde Insider mostra que setor respondeu por 10% dos 246 IPOs entre 2004 e 2021. Maior foi o da Rede D'Or (R$ 11,4 bilhões)

Ilustração de Saúde Insider
Ilustração de Saúde Insider Crédito: Magnific

Se o mercado de capitais brasileiro acaba de sair de um jejum de quase cinco anos sem novas aberturas de capital, no ciclo anterior as empresas de saúde tiveram presença relevante na B3. Entre 2004 e 2021, foram 25 IPOs, equivalentes a 10% das 246 operações classificadas dessa forma pela Bolsa no período, segundo levantamento do Saúde Insider na base da B3. Juntas, as ofertas do setor movimentaram R$ 37,4 bilhões. A seca só foi interrompida em maio deste ano pela Compass, plataforma de negócios de gás do Grupo Cosan e controladora da Comgás, em uma oferta exclusivamente secundária, sem emissão de novas ações e sem entrada dos recursos da operação no caixa da companhia.

A série da própria B3 ajuda a dimensionar a mudança de ambiente. A base registra 247 IPOs entre 2004 e julho de 2026: 246 ocorreram até 2021 e apenas um, o da Compass, depois disso. Em 2021, foram 46 IPOs, segundo maior número da série, atrás apenas dos 64 registrados em 2007. O maior negócio na categoria saúde foi a abertura de capital da Rede D’Or (dezembro de 2020), que movimentou R$ 11,4 bilhões. O valor corresponde a 30,5% de tudo o que os IPOs de saúde levantaram no período e colocou a companhia na terceira posição entre as maiores ofertas da base da B3 em valor nominal.

À frente da Rede D’Or aparecem apenas Santander, com R$ 13,2 bilhões (2009) e BB Seguridade, com R$ 11,5 bilhões (2013). Mas nem todas as companhias de saúde que chegaram à Bolsa naquele ciclo continuam com ações negociadas. A lista atual da B3 reúne 22 empresas classificadas no setor: nove em Serviços Médico-Hospitalares, Análises e Diagnósticos, sete em Comércio e Distribuição, quatro em Medicamentos e Outros Produtos e duas em Equipamentos. A composição mudou ao longo das últimas duas décadas com incorporações, aquisições e fechamentos de capital. Entre os exemplos estão a Amil, que deixou a Bolsa em 2013 após ser adquirida pela UnitedHealth – vendida em 2023 ao empresário José Seripieri Filho –, e a Medial Saúde, cujo controle havia sido comprado pela própria Amil em 2009.

Há também um caso mais recente entre as empresas que participaram do ciclo analisado. A Kora Saúde fez seu IPO em agosto de 2021, no fim da grande onda de ofertas daquele ano, mas deixou de ter ações negociadas na B3 em abril de 2025, após uma oferta pública de aquisição conduzida pelo controlador. Na outra ponta da linha do tempo, a primeira companhia de saúde desse ciclo a chegar à Bolsa foi a Dasa (Diagnósticos da América S.A.), cujas ações começaram a ser negociadas em 19 de novembro de 2004, já no Novo Mercado. O IPO movimentou R$ 437,4 milhões, dos quais R$ 126,1 milhões em oferta primária e R$ 311,2 milhões em ações existentes, segundo a base da B3.

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