GE HealthCare transforma equipamentos recondicionados em nova frente de crescimento
Fabricante americana compra aparelhos usados de hospitais e clínicas para revitalizá-los e revendê-los por até 35% menos, ampliando o acesso a mercados antes não atendidos
Alta inovação e inteligência artificial embarcadas em aparelhos de ressonância magnética, tomógrafos e ultrassons são pilares do negócio da GE HealthCare, fabricante americana e líder global em tecnologia médica. No ano passado, a companhia faturou US$ 20,6 bilhões, 4,8% a mais do que no ano anterior. No primeiro semestre deste ano, foram US$ 10,4 bilhões, alta de 6,5% em relação ao mesmo período de 2025.
Por outro lado, algumas iniciativas de ESG têm ganhado relevância não apenas pelo apelo relacionado aos aspectos social, ambiental e de governança, mas também por impactarem os resultados da companhia. É o caso de uma estratégia em que a operação brasileira, uma das maiores da empresa entre os 160 mercados em que atua no mundo, ganha força e protagonismo.
Apenas em 2025, a linha GoldSeal, como é chamado o programa de recondicionamento de equipamentos, gerou uma economia de R$ 60 milhões. No ano passado, foram vendidos e instalados no país 93 equipamentos recondicionados, provenientes de processos de recompra local. Na comparação com aparelhos novos, a economia pode chegar a 35%.
“Em um país continental, com mais de 200 milhões de habitantes, colocamos a tecnologia no centro para permitir acesso”, disse ao Saúde Insider João Paulo de Souza, CEO da GE HealthCare Brasil. Com equipamentos mais baratos, a companhia atende a um mercado que antes não era alcançado por esse tipo de tecnologia: hospitais e clínicas que buscam equipamentos de alto desempenho com menor investimento. A estratégia também amplia o acesso à saúde em regiões com menos recursos, hospitais de menor porte ou instituições que desejam ter uma segunda máquina para ampliar o atendimento. “Queremos uma saúde que não tenha limites, com democratização do acesso à saúde com equidade”, afirmou o executivo.
Existe uma engenharia para recondicionar os equipamentos, mas também uma engenharia financeira para fazer a roda da economia da saúde girar. A GE HealthCare recompra equipamentos de hospitais e clínicas que querem renovar seu parque tecnológico, revitaliza fisicamente os aparelhos e os atualiza tecnologicamente para oferecê-los a mercados que não teriam acesso a equipamentos novos.
Ganham os hospitais, que passam a ter melhores condições para adquirir equipamentos novos; ganha a GE HealthCare, que atua em uma frente de negócios diferenciada; e ganham os centros médicos, que têm a possibilidade de comprar aparelhos a preços mais acessíveis.
São mais de 100 horas de trabalho técnico por sistema recondicionado, com até 400 etapas de revisão, para alcançar a certificação ISO 13485 e atingir o padrão internacional de sistemas de gestão da qualidade voltados a dispositivos médicos e produtos para a saúde. Todo o trabalho é realizado na planta fabril da GE HealthCare em Barueri, na Região Metropolitana de São Paulo. É o maior centro de economia circular da empresa na América Latina e um dos maiores do mundo. “Com esse processo de recuperação, recolocamos equipamentos no Brasil e nos Estados Unidos”, disse o CEO. Globalmente, a companhia recuperou 8.589 máquinas em 2025.
Na avaliação de Souza, a sociedade e o mercado ainda passam por um processo cultural de “aceitação” em relação à recuperação de equipamentos. “Mas estamos evoluindo.” Por isso, a companhia seguirá investindo para absorver cada vez mais aparelhos no portfólio, atualmente composto principalmente por equipamentos de tomografia, ressonância magnética, mamografia, raios X — fixos e móveis — e ultrassom.
Novos contratos. Em relação às linhas de equipamentos novos, a GE HealthCare continua ativa no mercado brasileiro. Em maio, a empresa fechou contrato para fornecer 16 máquinas de ressonância magnética, com IA embarcada, ao Grupo Dasa. O negócio representa uma renovação de 10% do parque desse tipo de aparelho. A empresa, dona de 47 marcas de laboratórios de diagnóstico, entre elas Delboni e Lavoisier, não fazia um movimento de atualização de equipamentos nesse nível havia mais de uma década. O investimento, não divulgado, ampliará em 25% a capacidade de atendimento para exames. Há ainda um grande contrato assinado com o governo federal para aquisição de ressonância magnética, cujos valores e equipamentos ainda não foram detalhados.
Questões essenciais
O que é a linha GoldSeal da GE HealthCare?
É o programa de recondicionamento de equipamentos da GE HealthCare. A companhia recompra aparelhos usados de hospitais e clínicas que querem renovar seu parque tecnológico, revitaliza fisicamente esses equipamentos e os atualiza tecnologicamente para revendê-los. Em 2025, a linha gerou economia de R$ 60 milhões e 93 equipamentos recondicionados foram vendidos e instalados no Brasil, provenientes de processos de recompra local.
Quanto custa um equipamento médico recondicionado em relação a um novo?
A economia pode chegar a 35% na comparação com aparelhos novos. O portfólio recondicionado é composto principalmente por equipamentos de tomografia, ressonância magnética, mamografia, raios X fixos e móveis e ultrassom. Segundo João Paulo de Souza, CEO da GE HealthCare Brasil, o preço menor permite atender hospitais e clínicas que buscam equipamentos de alto desempenho com menor investimento, além de instituições de menor porte e regiões com menos recursos.
Onde a GE HealthCare recondiciona os equipamentos no Brasil?
Na planta fabril da empresa em Barueri, na Região Metropolitana de São Paulo, que é o maior centro de economia circular da companhia na América Latina e um dos maiores do mundo. Cada sistema recondicionado passa por mais de 100 horas de trabalho técnico e até 400 etapas de revisão para alcançar a certificação ISO 13485. Os equipamentos recuperados na unidade são recolocados no Brasil e nos Estados Unidos.
