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Arvo analisa R$ 220 bilhões em transações de saúde e detecta R$ 2 bilhões em fraudes

Apesar da atuação dos agentes inteligentes, metade do trabalho da healthtech está em ler e organizar os dados das operadoras

Apesar da atuação dos agentes inteligentes, metade do trabalho da healthtech está em ler e organizar os dados das operadoras
Ilustração de Saúde Insider Crédito: Divulgação

Healthtech brasileira especializada em inteligência artificial para auditoria de sinistros, a Arvo ultrapassou a marca de R$ 220 bilhões em transações de saúde analisadas desde 2022, quando foi fundada. Para se ter uma ideia do tamanho desse volume, o valor é próximo ao que todo o setor de saúde suplementar movimentou em despesas com internações, exames e consultas em 2025: R$ 223,1 bilhões, segundo dados da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar). Desse montante analisado, R$ 2 bilhões foram identificados como fraudes e contabilizados como economia decorrente de pagamentos indevidos feitos pelas operadoras clientes da Arvo a hospitais, clínicas e laboratórios.

Mesmo com a atuação relevante de seus agentes inteligentes na identificação de inconsistências a partir de modelos de inteligência artificial, metade do trabalho da companhia ainda está na capacidade de ler e organizar os dados recebidos das operadoras, segundo o cofundador e CEO da healthtech, Fabricio Valadão. “É nossa capacidade de interpretar, harmonizar e normalizar esse dado”, afirmou o executivo.

No fim do ano passado, a Arvo recebeu um aporte de R$ 106 milhões, um ano após ter captado R$ 25 milhões. A rodada mais recente foi liderada pelas gestoras Kaszek e Base10 Partners, com participação de fundos como K50 Ventures e Canary. O investimento tem sido aplicado em contratações e avanços tecnológicos. A captação também colocou a empresa de olho no mercado em busca de oportunidades de aquisição. Em 2025, a Arvo foi uma das 53 selecionadas, entre 1 mil inscritas globalmente, para participar do programa de aceleração em inteligência artificial do Google, o Gemini Founders Forum, promovido pelo Google for Startups.

O dimensionamento do problema, que é uma dor antiga do setor, aparece no estudo Fraudes e Desperdícios em Saúde Suplementar, encomendado pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) e produzido pela EY. A pesquisa estimou as perdas com fraudes, abusos e desperdícios em 12,7% das receitas das operadoras em 2022, o equivalente a um montante entre R$ 30 bilhões e R$ 34 bilhões. O levantamento anterior do instituto havia apontado quase R$ 28 bilhões consumidos indevidamente em 2017, em contas hospitalares e procedimentos desnecessários.

De acordo com a Abramge (Associação Brasileira de Planos de Saúde), o Brasil ainda não possui uma estatística única e consolidada capaz de dimensionar todas as fraudes na saúde suplementar. No entanto, indicadores da entidade, construídos a partir de dados públicos da ANS, apontam que, entre 2019 e 2025, apenas fraudes e irregularidades relacionadas ao sistema de reembolso podem ter provocado perdas acumuladas superiores a R$ 12,9 bilhões.

Como funciona. A base que alimenta os modelos da Arvo soma 229 milhões de contas médicas processadas, 15 milhões de vidas cobertas e cerca de 50 operadoras. A companhia apresenta como resultado a combinação de produtividade e economia, segundo Valadão. Números internos mostram que os agentes inteligentes aumentam de 25% a 40% a capacidade de as operadoras identificarem despesas indevidas sem a necessidade de ampliar as equipes de auditoria. “Essa aplicação atende desde operadoras com 30 mil vidas até carteiras acima de 2 milhões”, em autogestão, medicina de grupo, cooperativa e seguradora.

A partir da solução da Arvo, a Cemig alcançou o primeiro nível de economia em 15 dias. O custo evitado com desperdícios permitiu à operadora investir mais na assistência aos beneficiários. Em outro caso, uma operadora cliente da Arvo, que já tinha processos estruturados, sinistralidade abaixo da média de mercado e abertura à tecnologia, integrou cerca de 20 inteligências ao sistema. Com acompanhamento diário da operação, checkpoints semanais e nenhuma mudança nos fluxos do parceiro, o resultado apresentado, segundo a healthtech, foi de mais de R$ 5 milhões em críticas aprovadas mensalmente e melhoria de 30% no lucro operacional no último trimestre.

Para rodar seus algoritmos, a Arvo lê documentos enviados por milhares de prestadores a dezenas de operadoras. Cada hospital, por exemplo, cadastra o mesmo item com um código próprio. As barreiras de interoperabilidade são divididas em dois tipos: uma comercial, que depende do regulador, e outra técnica, que a empresa contorna por conta própria e chama de “dado harmonizado”.

Sobre esse dado harmonizado, a Arvo aplica quatro tipos de verificação: pertinência técnica, conformidade contratual, conformidade regulatória e custo-efetividade. Dessa forma, a empresa cruza o comportamento histórico do paciente e do mercado para indicar se determinado material é compatível com o procedimento realizado. O sistema também confronta a cobrança com o contrato da operadora e com as normas de mercado, além de comparar preços de itens fora de tabela. Cada crítica é entregue com um percentual de confiança e a respectiva justificativa técnica.

Questões essenciais

Qual é o tamanho das perdas com fraudes e desperdícios na saúde suplementar?

Estudo do IESS produzido pela EY estimou que fraudes, abusos e desperdícios representaram 12,7% das receitas das operadoras em 2022, entre R$ 30 bilhões e R$ 34 bilhões.

Estudo do IESS produzido pela EY estimou que fraudes, abusos e desperdícios representaram 12,7% das receitas das operadoras em 2022, entre R$ 30 bilhões e R$ 34 bilhões.

A IA pode ampliar a capacidade das equipes de auditoria de identificar despesas indevidas, analisar grandes volumes de dados e detectar padrões e inconsistências nas contas apresentadas pelos prestadores.

O que é a Arvo?

A Arvo é uma healthtech brasileira que utiliza inteligência artificial para auditar sinistros e identificar inconsistências, fraudes, desperdícios e pagamentos indevidos na saúde suplementar.

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