Eleições travam agenda da saúde no Congresso e reduzem espaço para votações
Câmara e Senado concentram votações antes das eleições, enquanto projetos do setor disputam espaço com MPs e outras prioridades políticas
O Congresso Nacional recomeçou os trabalhos do segundo semestre na segunda semana de agosto, mas com uma agenda reduzida até as eleições. Câmara e Senado terão apenas duas semanas de sessões no período até o mês de outubro. O calendário eleitoral deve dificultar o avanço de projetos que dependem de negociação política, inclusive os de interesse da saúde. O retorno dos trabalhos ocorre uma semana depois do previsto pela Constituição Federal. Os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), definiram períodos de esforço concentrado. A medida permite que os parlamentares permaneçam mais tempo em suas bases eleitorais em busca de votos.
Com menos sessões, a prioridade tende a ficar com propostas que têm prazo para votação, como medidas provisórias, e com matérias capazes de reunir apoio político. Na primeira semana, ficaram de fora das pautas projetos diretamente relacionados ao SUS, hospitais ou planos de saúde. O cenário político intensificado deve ainda adiar discussões de interesse de hospitais, Santas Casas, operadoras de planos de saúde e outros segmentos do setor. Propostas sem acordo político ou sem prazo constitucional ficam mais sujeitas a serem deixadas para depois das eleições.
No Senado, uma das matérias previstas para ser apreciada ainda no período de esforço concentrado é o Estatuto da Vítima, que estabelece direitos para quem sofre com infrações, calamidades, desastres e epidemias. O texto tem relação com situações de emergência, mas não trata diretamente do financiamento ou da organização da saúde. Outra pauta que pode ter impacto sobre o setor é a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que prevê o fim da escala 6×1 e reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais. A proposta, porém, não deve avançar no Senado antes do período eleitoral.
Câmara e Senado também precisam votar MP (Medidas Provisórias) que estão próximas do vencimento. Entre elas estão a que cria linhas de crédito para exportadores, com prazo até 26 de agosto, e a que amplia o FGI (Fundo Garantidor para Investimentos) para financiar caminhões e ônibus sustentáveis, que perde a validade em 27 de agosto. A MP que criou o novo Desenrola Brasil vence em 31 de agosto e ainda não teve Comissão Mista instalada. No início de setembro, também expira a medida que acabou com a cobrança de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, que ficou popularmente conhecida como MP da Taxa das Blusinhas. Essas duas medidas devem ser classificadas como prioridades para o governo.
Questões essenciais
Como as eleições de 2026 afetam as votações no Congresso?
Câmara e Senado organizaram períodos de esforço concentrado em agosto e no início de setembro. Com uma janela menor de maior intensidade para deliberações, matérias com prazo constitucional, como medidas provisórias, e projetos que reúnem maior acordo político tendem a disputar prioridade na agenda.
Quais pautas da saúde avançaram no Congresso em agosto de 2026?
O Senado aprovou em 12 de agosto o PL 5.972/2023, que cria protocolos para urgências cardiovasculares no SUS, inclusive com medidas trombolíticas em UPAs. O projeto foi encaminhado à sanção presidencial.
Existe alguma medida provisória sobre saúde em tramitação no Congresso?
Sim. A MP 1.370/2026 institui o Enamed, exame voltado à avaliação da formação médica. Segundo o acompanhamento do Congresso, a medida tem prazo de tramitação até 16 de outubro de 2026.
