Saúde e cuidados pessoais sobem 39% desde 2022, ante 25% do IPCA, e pesam no bolso do brasileiro
Grupo supera a inflação oficial desde 2022 e amplia participação no índice, puxado por planos, medicamentos, serviços e itens de higiene pessoal
As despesas com saúde vêm subindo acima da inflação desde 2022, segundo os dados do IBGE. Daquele ano até julho de 2026, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA, calculado pelo IBGE) acumula alta de 25,12%, enquanto o grupo Saúde e Cuidados Pessoais soma 39,01% – só neste ano, de janeiro a julho, o IPCA sobe 3,44% e o grupo Saúde e Cuidados Pessoais já está mais de um ponto percentual acima (4,49%). Um dos nove grupos que compõem o IPCA, o de saúde também cresce de peso: era de 10,68% em 2006 e agora corresponde a 13,72% do indicador oficial da inflação no país. Continua sendo o quarto de maior peso, atrás de Alimentação e Bebidas (21,67%), Transportes (20,27%) e Habitação (15,36%).
Os dados, no entanto, mostram também certa mudança de hábitos de consumo, o que influencia o cálculo do custo de vida: nas duas últimas décadas, por exemplo, diminuíram as despesas com artigos de residência e vestuário. O gasto com alimentação subiu na comparação com 2006, mas já foi maior (confira quadro). No caso dos planos de saúde, em julho deste ano a inflação acumulada em 12 meses atingia 5,87%, com peso de 4,13% no índice geral. Cinco anos antes, em julho de 2021, os planos tinham alta de 0,87% e peso de 3,96%.
Nesse período, o grupo Saúde e Cuidados Pessoais foi de 3,18% para 6,16%. O pesquisador José Fernando Pereira Gonçalves, gerente nacional de Índices de Preços, disse que o IBGE considera o reajuste autorizado para planos individuais contratados após a Lei 9.656/98, fixado em 5,11% a partir de maio pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Em 2020, quando a inflação do grupo Saúde e Cuidados Pessoais recuou para 1,50% (ante 5,41% no ano anterior), a ANS suspendeu reajustes de planos durante quatro meses.
A base de dados do IPCA, entre outros indicadores do IBGE, é a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF). Cada vez que uma POF é realizada, muda a estrutura. A atual, em vigor desde janeiro de 2020, é do período 2017-2018. O instituto considera ideal realizar essa pesquisa a cada cinco anos, mas nem sempre isso foi possível. As mais recentes foram feitas em 1995-1996, 2002-2003, 2008-2009 e 2017-2018. Entre 2024 e 2025, os pesquisadores voltaram a campo para uma nova edição, mas ainda não se sabe quando essa nova base passará a ser utilizada. “O pesquisador passa sete dias na casa das pessoas, vendo todos os gastos. É uma pesquisa bem detalhada”, disse Gonçalves. “A montagem da cesta se faz com base na POF.” As informações colhidas atualizam a ponderação dos índices de preços. Com duração de um ano, a atual edição inclui mais de 103 mil famílias entrevistadas.
No quesito saúde, o grupo se divide em produtos (farmacêuticos e óticos) e serviços (médicos e dentários), exames (de laboratório e hospitalares) e planos de saúde. Cuidados pessoais incluem itens e subitens de higiene (como xampus, sabonetes, perfumes, desodorantes, absorventes e produtos de maquiagem). “O peso vai equalizando mês a mês”, afirmou Gonçalves. Variações cambiais e descontos promocionais são fatores que influenciam os preços. Em julho, por exemplo, o item produtos farmacêuticos acumulava inflação de 4,22% em 12 meses – antibióticos tinham alta de 2,05% e analgésicos, 5,19%, pouco abaixo dos antigripais (5,28%).
A pesquisa mostra ainda variações regionais: com média nacional de 6,16% (inflação em 12 meses até julho), o grupo Saúde e Cuidados Pessoais varia de 4,89% (Região Metropolitana do Rio de Janeiro) a 7,56% (Região Metropolitana de Belém). Já o peso mensal (em relação ao IPCA total) vai de 10,88% (Grande Curitiba) a 17,15% (Aracaju). Em São Paulo, é de 13,36%. Calculado desde 1980, o IPCA inclui famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos em dez regiões metropolitanas e seis municípios.
O peso de cada grupo no IPCA (%)
| Grupo | Jun/2006 | Dez/2011 | Dez/2019 | Jun/2026 |
| Alimentos/ Bebidas | 21,25 | 23,46 | 24,57 | 21,67 |
| Habitação | 16,63 | 13,25 | 16,09 | 15,36 |
| Artigos de Residência | 5,18 | 3,90 | 3,86 | 3,45 |
| Vestuário | 5,42 | 6,94 | 5,66 | 4,63 |
| Transportes | 22,63 | 18,69 | 18,17 | 20,27 |
| Saúde e Cuidados Pessoais | 10,68 | 10,76 | 12,28 | 13,72 |
| Despesas Pessoais | 9,25 | 10,54 | 10,96 | 10,23 |
| Educação | 5,02 | 7,21 | 4,99 | 6,17 |
| .Comunica-ção | 3,93 | 5,25 | 3,42 | 4,50 |
Fonte: IBGE
INFLAÇÃO 2020-2026*
| Ano | IPCA (%) | Grupo Saúde e Cuidados Pessoais (%) |
| 2020 | 4,52 | 1,50 |
| 2021 | 10,06 | 3,70 |
| 2022 | 5,79 | 11,43 |
| 2023 | 4,62 | 6,58 |
| 2024 | 4,83 | 6,09 |
| 2025 | 4,26 | 5,59 |
| 2026* | 3,44 | 4,49 |
*De janeiro a julho (Fonte: IBGE)
Questões essenciais
Como se calcula o índice oficial de inflação no Brasil?
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Plano (IPCA) é formado por nove grupos, cada qual com seu peso. O dos alimentos, por exemplo, corresponde a quase 22% do total. E o que inclui itens de saúde, aproximadamente 14%.
O que está incluído no grupo da saúde?
O grupo Saúde e Cuidados Pessoais, um dos nove que compõem o IPCA, tem planos de saúde, remédios, exames e serviços profissionais, além de itens de higiene
Qual é a base de dados?
É a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), atualizada periodicamente pelo IBGE.
