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Com centro de R$ 400 milhões, Brasil entra no mapa da protonterapia

Unidade inédita no país vai ficar no Rio de Janeiro e fomentar ecossistema de inovação, além da geração de empregos especializados

Unidade inédita no país vai ficar no Rio de Janeiro e fomentar ecossistema de inovação, além da geração de empregos especializados
Ilustração de Saúde Insider Crédito: Divulgação

Financiamento de R$ 400 milhões vai trazer para o Brasil um tratamento inédito no país, menos invasivo para o câncer infantojuvenil e decisivo no caso de tumores em órgãos críticos, como cérebro e medula espinhal. O ambiente regulatório da terapia ainda está em fase embrionária por aqui, mas já se movimenta de olho em 2030, quando o Centro de Protonterapia Mário Kroeff (CPMK), na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, deve ser inaugurado. De acordo com a consultoria de engenharia Tractebel, especializada em soluções integradas para projetos sustentáveis de energia, infraestrutura e meio ambiente e que também atua em centros de prótons, infraestruturas como a do CPMK refletem a complexidade tecnológica, civil e operacional. “A experiência internacional demonstra que a protonterapia também atua como catalisadora para o desenvolvimento de ecossistemas de inovação”, afirmou Paulo Coelho, head de Nuclear da Tractebel para Brasil, Canadá e Chile.

Segundo o executivo, em países onde a tecnologia já atingiu maior maturidade, como Alemanha, Coreia do Sul, Estados Unidos, França e Japão, é comum observar a formação de polos integrados envolvendo hospitais, universidades, centros de pesquisa, programas de formação médica e empresas de tecnologia em saúde. Além da operação clínica, esses centros demandam programas permanentes de manutenção preventiva, atualização tecnológica e suporte especializado contínuo, contribuindo para a geração de empregos qualificados.

Projeção da Data Bridge Market Research aponta que o mercado global de terapia de prótons, que leva em consideração sistemas, softwares, serviços e componentes, movimentou US$ 1,38 bilhão em 2025 e deve chegar a US$ 2,3 bilhões em 2031, a uma taxa de crescimento anual de 6,4%.

Entre as oportunidades apontadas pela empresa de pesquisa de mercado estão as iniciativas governamentais de apoio, financiamento e colaboração, que facilitam o estabelecimento desses centros de protonterapia. Segundo o relatório da Data Bridge, “isso impulsionou o crescimento do mercado, particularmente nas regiões onde a infraestrutura de saúde está se expandindo”.

A protonterapia se diferencia da radioterapia tradicional no tratamento do câncer por ser mais precisa. No entanto, sua implantação e o tratamento são muito mais caros. Segundo dados do Inca (Instituto Nacional de Câncer) e da Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA, na sigla em inglês), até 70% dos pacientes oncológicos podem precisar de tratamentos de radioterapia em algum momento. Desses, entre 10% e 15% teriam benefício clínico com prótons. No Brasil, o Inca estima 7.560 novos casos de câncer em crianças e adolescentes por ano, no período de 2026 a 2028. Crianças têm tecidos em crescimento e alta sensibilidade à radiação, o que amplia o risco de sequelas com a radioterapia tradicional.

Financiamento. A Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) aprovou parte da verba, cerca de R$ 132 milhões, para a construção do CPMK. O recurso será usado pela Fusve (Fundação Educacional Severino Sombra) para implantar o Centro de Protonterapia. A própria fundação, que administrará o local em parceria técnica com o Inca, entrará com uma contrapartida de R$ 82,4 milhões. O aporte total chegará a R$ 215 milhões, de um custo total estimado em pouco mais de R$ 400 milhões. Desenvolvido em parceria com o Inca, o projeto prevê a compra do sistema da empresa belga Ion Beam Applications (IBA) e o início dos atendimentos até 2030.

Será a primeira unidade do tipo em operação no Brasil. A mais próxima fica na Argentina. O Centro Argentino de Protonterapia, em Buenos Aires, ainda em fase de testes técnicos, teve autorização para entrar em funcionamento em outubro de 2025. No Brasil, a ANSN (Autoridade Nacional de Segurança Nuclear) aprovou previamente o local do Centro de Protonterapia em julho. Foi a primeira autorização desse tipo concedida pela autoridade, abrindo espaço regulatório para a introdução dessa tecnologia de alta complexidade no país. A protonterapia ainda não está incorporada ao SUS nem consta do Rol de Procedimentos da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar).

Questões essenciais

O que é protonterapia?

A protonterapia é uma modalidade de tratamento contra o câncer que utiliza feixes de prótons em vez dos fótons empregados na radioterapia convencional. A técnica permite concentrar a dose de radiação no tumor e reduzir a exposição de tecidos saudáveis próximos.

A protonterapia já está disponível no Brasil?

Ainda não. O Brasil está desenvolvendo o primeiro Centro de Protonterapia, com previsão de início dos atendimentos até 2030.

A protonterapia será oferecida pelo SUS?

O projeto prevê que pelo menos 60% da capacidade do Centro de Protonterapia Mário Kroeff seja destinada ao atendimento de pacientes do SUS. Atualmente, a protonterapia ainda não está incorporada ao sistema.

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