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Boehringer Ingelheim inclui Brasil na estratégia mundial de medicamento contra obesidade em fase 3

Em entrevista ao Saúde Insider, Andrea Sambati, presidente da farmacêutica, diz que pesquisa clínica e acesso ao SUS são prioridades do desenvolvimento da pesquisa por aqui

Crédito de Foto: Magnific
Crédito de Foto: Magnific Ilustração de Saúde Insider

A farmacêutica alemã Boehringer Ingelheim incluiu o Brasil nas pesquisas e na estratégia de um novo medicamento contra a obesidade. O país está entre os dez principais mercados da companhia em volume de pesquisa clínica e ocupa a segunda posição mundial no consumo de medicamentos da classe GLP-1, segundo a Ipsos, em um segmento que já movimenta mais de R$ 10 bilhões. Em entrevista ao Saúde Insider, a presidente da Boehringer no Brasil, Andrea Sambati, afirmou que o avanço da obesidade e das doenças associadas abre perspectivas de crescimento e de parcerias com o governo e sociedades médicas. “O Brasil vai continuar sendo muito importante no nosso pipeline futuro.”

O medicamento em desenvolvimento é a survodutida, um agonista duplo dos receptores de glucagon e GLP-1, ainda sem aprovação para comercialização. Em outubro, a Boehringer divulgou resultados de um estudo de fase 3 no qual a perda média de peso chegou a 13,1% após 76 semanas de tratamento, ante 3,1% no grupo placebo. O estudo envolveu adultos com obesidade ou sobrepeso e diabetes tipo 2. Segundo Andrea, o medicamento não será fabricado no Brasil, mas a operação brasileira participa das pesquisas e da estratégia do produto.

O relatório Vigitel Brasil do Ministério da Saúde mostra que a frequência de adultos com excesso de peso no país aumentou de 42,6% para 62,6% entre 2006 e 2024. No mesmo intervalo, a frequência de adultos com obesidade cresceu de 11,8% para 25,7%. “Isso acaba influenciando várias outras comorbidades”, disse Andrea. A companhia está desenvolvendo um medicamento agonista duplo de glucagon/GLP-1, atualmente na fase três do estudo clínico.

Nesse contexto, Andrea destacou a importância estratégica do país em termos de oportunidade de crescimento. A fabricante tem capital fechado e não divulga números específicos sobre a operação no Brasil. No balanço global do primeiro semestre de 2026, a empresa reportou vendas líquidas totais de 15,8 bilhões de euros, dos quais 13,1 bilhões de euros referem-se à saúde humana. A companhia também conta com uma divisão de saúde animal.

A executiva destacou que o Brasil está entre os dez principais países em termos de volume de pesquisa clínica da empresa. “Há um potencial enorme, com uma população de mais de 200 milhões de habitantes e centros de pesquisa altamente capacitados.” Ela afirmou que, de forma geral, o país deveria estar mais avançado nesse segmento e que a pesquisa clínica é uma forma rápida de trazer inovação e atrair investimentos. “Isso impulsiona a economia e a ciência do país.” 

Andrea avaliou que o maior desafio de operar no Brasil é trazer a inovação o mais rápido possível para o paciente, mencionando os prazos para aprovação de medicamentos e para inclusão no SUS. Sobre o primeiro ponto, ela expressou otimismo em relação a iniciativas da Anvisa para reduzir a fila de análise de pedidos de registro. A agência apresentou neste ano um plano de ação para diminuir o passivo regulatório e dar previsibilidade às análises de registro de produtos. 

Conforme a Lei nº 13.411, de 28 de dezembro de 2016, o prazo para a análise de medicamentos não priorizados é de até 12 meses e de 4 meses para medicamentos prioritários. “Acho promissor o trabalho da atual diretoria. Existe potencial de cumprir esse objetivo”, afirmou Andrea. Porém, ela chamou a atenção para o tempo necessário para incluir o medicamento na saúde pública após a aprovação. Segundo ela, o processo pode levar até cinco anos para ser concluído. “Existe esse desafio de conseguir diminuir o tempo que leva para o paciente ter acesso a inovação.”

Questões essenciais

O que é a survodutida, medicamento em desenvolvimento pela Boehringer Ingelheim?

A survodutida é um medicamento experimental que atua sobre os receptores de glucagon e GLP-1. Está em fase 3 de desenvolvimento clínico para o tratamento da obesidade e ainda não tem aprovação para comercialização.

Quais foram os resultados da survodutida nos estudos contra obesidade?

No estudo SYNCHRONIZE-2, divulgado em outubro de 2026, a perda média de peso chegou a 13,1% em uma das análises de eficácia, contra 3,1% no grupo placebo, após 76 semanas de tratamento. O ensaio incluiu adultos com obesidade ou sobrepeso e diabetes tipo 2.

A Boehringer Ingelheim vai fabricar a survodutida no Brasil?

Segundo a presidente da companhia no país, Andrea Sambati, a survodutida não será fabricada no Brasil. A operação brasileira participa das pesquisas clínicas e da estratégia do medicamento.

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