Hospital de Amor é a primeira instituição do Brasil a receber nova IA da GE HealthCare para mamografia
Aprovada pela Anvisa, a atualização Pristina™ Recon DL será feita em um equipamento já instalado e conecta seis décadas de evolução em mamografia à ampliação do acesso ao diagnóstico pelo SUS
O Hospital de Amor, em Barretos (SP), será a primeira instituição brasileira a receber o Pristina™ Recon DL, tecnologia de inteligência artificial da GE HealthCare aprovada pela Anvisa para apoiar a aquisição de imagens de mamografia 2D sintética e tomossíntese 3D. A informação foi obtida com exclusividade pelo Saúde Insider. A implementação será por meio de upgrade em equipamentos instalados na instituição. Por um lado, leva uma nova capacidade de imagem aos pacientes atendidos pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Por outro, preserva a infraestrutura já em operação.
Segundo Melissa Kuriki, diretora de Saúde da Mulher e Raio-X para a GE HealthCare América Latina, ao atualizar equipamentos que já estão em operação no Hospital de Amor, a companhia conecta a evolução da imagem à realidade do atendimento pelo SUS. “Mostramos que a inovação precisa ser vista no contexto de quem vai usá-la e de quem espera pelo diagnóstico”, disse, ao lembrar que o anúncio da parceria é feito em pleno Outubro Rosa.
Ao falar sobre a “evolução da imagem”, Melisse remete ao fato de a GE HealthCare ter 60 anos de atuação em mamografia. Uma história que começou com o desenvolvimento do Senographe, lançado em 1966 como o primeiro sistema dedicado à mamografia.
Desde então, a empresa vem ampliando a Plataforma Pristina com soluções que combinam aquisição de imagens, conforto, recursos digitais, IA, contraste e biópsia. O Pristina Recon DL representa o capítulo mais recente dessa evolução no Brasil, com uma aplicação concreta em uma instituição que trabalha para levar o diagnóstico a mulheres de diferentes partes do país.
Segundo dados técnicos da GE HealthCare, a solução pode aumentar em até 60% a nitidez e a relação sinal-ruído da imagem. O objetivo é apoiar a visualização de estruturas e lesões sutis, inclusive em mamas densas, sem substituir a avaliação e a decisão do médico. Como parte da Plataforma Pristina, o Recon DL se soma a recursos de mamografia digital 2D, tomossíntese, mamografia com contraste e biópsia.
A executiva ressaltou ainda que a relação entre a GE e o Hospital de Amor permite “trabalhar com o time clínico, gerar evidências e levar capacidade a uma rede que alcança praticamente todas as fronteiras e regiões do país”. A instituição possui oito unidades de tratamento, 27 unidades de prevenção e 52 unidades móveis. Atende 2.540 cidades do país, ou 45,6% dos municípios brasileiros.
A parceria entre as instituições está presente em equipamentos fixos e em unidades móveis de rastreamento do Hospital de Amor. Essa estrutura ajuda a levar a mamografia localidades fora dos grandes centros, alcançando mulheres em regiões onde a oferta de exames e de especialistas é mais limitada, inclusive em Roraima, estado em que 87% dos pacientes precisam se deslocar para realização do exame, maior taxa do Brasil, segundo o Panorama Câncer de Mama.
No atendimento pelo SUS, a capacidade de realizar o exame é apenas uma parte do desafio. É preciso também apoiar a qualidade da imagem, a leitura médica e o encaminhamento dos casos que exigem investigação. Apenas em 2025, os mamógrafos das 52 carretas do Hospital do Amor foram responsáveis por cerca de 320 mil exames.
Silva Sabino, coordenadora do Programa de Qualidade Total em Mamografia do Hospital de Amor, afirmou que o desafio é fazer com que o rastreamento chegue a mulheres que vivem longe dos grandes centros e que a investigação avance quando há uma alteração na imagem. Para ela, a atualização do equipamento permite avaliar “como uma nova tecnologia pode apoiar esse trabalho na rotina do hospital e nas ações que levam a mamografia a diferentes regiões do Brasil”.
Mais inovação, menos custo. A escolha por um upgrade também conecta o projeto à agenda de sustentabilidade da GE HealthCare. A companhia trabalha para estender o ciclo de vida de equipamentos por meio de atualizações, manutenção, recondicionamento e reutilização.
É um programa da companhia que tornou-se uma linha de negócio específica. Mantém recursos em circulação e permite que novas capacidades sejam incorporadas sem a substituição completa do sistema. Quando aplicável, esse modelo pode evitar os custos financeiros e ambientais associados à fabricação e à instalação de um novo equipamento.
A fabricante americana faturou US$ 20,6 bilhões no ano passado, 4,8% a mais do que no ano anterior. No primeiro semestre deste ano, foram US$ 10,4 bilhões, alta de 6,5% em relação ao mesmo período de 2025.
Questões essenciais
O que é o Pristina Recon DL da GE HealthCare?
É uma tecnologia de inteligência artificial que utiliza modelos de aprendizado profundo para aprimorar a reconstrução de imagens de mamografia, buscando maior nitidez, redução de artefatos e melhor visualização de detalhes.
O Pristina Recon DL substitui o médico na interpretação da mamografia?
Não. A tecnologia atua na reconstrução e no aprimoramento das imagens. A interpretação clínica e as decisões sobre investigação e diagnóstico permanecem sob responsabilidade dos profissionais de saúde.
Como o Hospital de Amor utilizará a nova tecnologia?
A instituição receberá uma atualização em um mamógrafo já instalado, permitindo incorporar a tecnologia sem substituir integralmente o equipamento.
