“IA nunca vai substituir conhecimento clínico, operacional e científico”, diz Marcelle Bronzoni, executiva da Microsoft
Gigante americana aposta em agentes de inteligência artificial para reduzir tarefas administrativas e ampliar autonomia de equipes de hospitais
Satya Nadella, CEO da Microsoft, tem batido na tecla do impacto transformador da inteligência artificial, prioridade tecnológica da atualidade, na sociedade. Para ele, a saúde é o setor em que a aplicação de IA necessita de maior urgência. A companhia liderada por Nadella tem disponibilizado diversas soluções para empresas do setor. Não para a tecnologia ser a protagonista, mas para que as pessoas tenham maior capacidade de usá-la no ganho de eficiência operacional. “IA nunca vai substituir o que o nosso conhecimento clínico, operacional e científico requer”, disse Marcelle Bronzoni, healthcare account executive da Microsoft Brasil.
Em apresentação no Healthcare Innovation Show, em São Paulo, a executiva disse que a gigante americana tem investido cada vez mais e alcançado as chamadas “empresas de fronteira”. São companhias que estão prontas e capacitadas a usar inteligência artificial a partir de comandos humanos. “Essas empresas têm interesse em utilizar IA por meio de agentes”, afirmou. “Para que a gente capacite cada vez mais os profissionais e eles sejam empoderados para isso.”
O conceito de Marcelle remete ao comportamento do paciente, que está no centro da operação dos planos, hospitais e clínicas atendidos pela Microsoft. “O paciente vai ao hospital pelo profissional, não pela tecnologia”, afirmou a executiva.
Foram apresentados dois cases. Um deles é o do Einstein Hospital Israelita, que construiu uma plataforma corporativa para governar, escalar e democratizar a IA na operação, o que, segundo Marcelle, tornou-se um modelo de frontier firm na saúde brasileira. Algumas áreas do hospital foram levadas ao hub de inovação da companhia para desenvolver seus próprios agentes com o Microsoft Copilot.
A iniciativa tira da equipe de TI a responsabilidade exclusiva pelas demandas, dando autonomia para outros setores criarem soluções. O time de tecnologia segue envolvido na observabilidade, no rastreio do que está sendo desenvolvido e no controle de segurança.
“As áreas são autônomas para criar a partir de suas necessidades. Elas sabem dos desafios do dia a dia e criam agentes mais direcionados”, afirmou Marcelle, ao apontar que, para o Einstein, a iniciativa gerou “governança de IA, escala corporativa, uma plataforma de agentes e a democratização da tecnologia”.
O segundo case apresentado foi o do City of Hope, uma das maiores e mais avançadas organizações de pesquisa e tratamento do câncer nos Estados Unidos. “Os médicos voltaram a fazer o que realmente importa”, disse a executiva da Microsoft Brasil sobre o uso do Azure, a nuvem da empresa, pelo hospital. A plataforma de IA generativa criada resume automaticamente, em segundos, décadas de histórico clínico antes de cada atendimento.
Os profissionais passavam muito tempo cuidando de processos burocráticos, como buscas no prontuário do paciente e autorizações de exames e consultas. Faz toda a diferença, por exemplo, quando um paciente oncológico que está há 15 anos em tratamento começa a ser atendido por um médico que acabou de chegar ao hospital. Esse novo profissional gastaria horas estudando documentos para entender o caso.
Com a solução, isso ocorre em segundos. É mais tempo olhando para o paciente e menos para papéis. “Eliminamos horas de revisão de todo conteúdo relacionado à doença. Conseguimos um histórico clínico muito mais assertivo”, afirmou Marcelle, ao enfatizar a missão da atuação da Microsoft junto aos players de saúde. “Pretendemos construir uma saúde que seja escalonável, que tenha melhores resultados e que esteja de fácil acesso para todo mundo que precisa.”
É por meio das pessoas que esses objetivos devem ser alcançados, mas é na oferta de tecnologias que a Microsoft tem gerado sua receita bilionária. No ano fiscal encerrado em 30 de junho, a companhia registrou receita de US$ 331,8 bilhões, 18% superior à do período anterior. O lucro líquido foi de US$ 133,7 bilhões, 31% maior do que no ano passado.
Questões essenciais
Como a Microsoft está usando inteligência artificial na saúde?
A Microsoft fornece tecnologias como Azure e Copilot para organizações de saúde desenvolverem aplicações de inteligência artificial, incluindo agentes para tarefas operacionais e sistemas capazes de processar e resumir históricos clínicos.
Como o City of Hope usa inteligência artificial?
O City of Hope desenvolveu, com tecnologia Microsoft Azure, uma plataforma de IA generativa que processa e resume centenas de páginas de documentos do histórico médico de pacientes. O objetivo é reduzir o tempo gasto pelos médicos na preparação para atendimentos. A aplicação é documentada pela própria Microsoft.
O que são Frontier Firms para a Microsoft?
A Microsoft usa o conceito para descrever organizações lideradas por pessoas, mas cada vez mais habilitadas por inteligência artificial. Nesse modelo, agentes assumem ou auxiliam diferentes etapas do trabalho, enquanto pessoas mantêm julgamento, controle e responsabilidade.
