“Tecnologia nos permite crescer com menos unidades de atendimento”, diz Rafael Lucchesi, CEO da Dasa
Companhia cresceu 12,2% em receita de diagnósticos, enquanto diminuiu em 13 o número de unidades, para 833
Após um período de ajuste de rota, a Dasa tem feito mais exames e crescido em receita com menos unidades. Segundo Rafael Lucchesi, CEO da empresa líder em medicina diagnóstica do Brasil, essa equação tem sido possível graças ao uso de inovação, especialmente inteligência artificial. “A tecnologia tem nos permitido crescer com menos unidades de atendimento”, disse o executivo durante o HIS (Healthcare Innovation Show), realizado em São Paulo.
O faturamento total da Dasa no primeiro semestre foi de R$ 4,8 bilhões, 11% superior ao mesmo período do ano anterior. O Ebitda foi de R$ 1 bilhão, 38% superior. A receita bruta da divisão de diagnósticos foi de R$ 4,4 bilhões, expansão de 12,2% em relação aos seis meses iniciais de 2025 – a outra linha de negócios é de hospitais e oncologia no Nordeste. São aproximadamente 500 milhões de exames anuais.
O desempenho, segundo Lucchesi, tem sido impulsionado pelo aumento da demanda por exames e pela expansão dos segmentos premium, B2B e de atendimento domiciliar. Além, é claro, do emprego estratégico de inovação. Até pouco tempo atrás, antes do boom de IA a partir de 2022, o desenvolvimento do setor de diagnósticos era muito atrelado ao metro quadrado de unidades físicas. Significava que, quanto mais clínicas, maior era o faturamento.
As coisas mudaram, disse Lucchesi. Porém, em parte. “É claro que a unidade física continua sendo o carro-chefe”, afirmou o CEO da Dasa, que possui 833 unidades espalhadas pelo país, 13 a menos do que no ano passado. “Fechamos algumas que não estavam produtivas.” A companhia seguirá investindo em novas unidades, mas com critério mais acurado, segundo o executivo.
O ritmo e a alocação desses investimentos têm mudado, de fato. De janeiro a junho deste ano, a Dasa aplicou R$ 39 milhões em expansão e manutenção, 35% a menos do que no mesmo período do ano passado. Enquanto os aportes em tecnologia foram de R$ 44 milhões, 9,4% a mais do que no primeiro semestre de 2025. “Temos investido em máquinas mais modernas e em fluxos de trabalho para melhor experiência do cliente”, disse Lucchesi, ao apontar como avanços o agendamento, o check-in e a realização de exames mais rápidos.
Apesar de algumas melhorias em processos, o CEO da Dasa afirmou que a companhia, assim como quase todas do mercado, não tem a senha de todas as soluções e está na jornada de aprendizado. O que já funciona muito bem, segundo ele, é a IA na leitura de documentos de altíssimo volume para simplificar a análise. Áreas administrativas, financeira e jurídica são as que mais ganham eficiência, com menos atrito na jornada. Afinal, são 5 mil tipos de exames, com atendimento a 300 operadoras, 7 mil clínicas e mais de 800 unidades próprias.
No operacional, foi criado, por exemplo, um agente para avaliar quais exames cada paciente realizará em determinado dia e horário. “Ajuda na organização de tudo e avisa o usuário o que ele deve fazer de preparo para cada exame”, afirmou Lucchesi. “Nossa visão hoje é de automatizar tudo que não precisa realmente de contato humano.”
O executivo observou, porém, o protagonismo dos profissionais na execução, monitoramento e fiscalização das ações feitas por IA. A fórmula é menos burocracia, mais empatia. “Para quando o paciente precisar de contato humano, o colaborador tenha mais tempo para ter o olho no olho, a empatia e tratá-lo ainda melhor”, disse Lucchesi.
A Dasa iniciou este ano em nova fase, depois de promover mudança estratégica em que simplificou os negócios da companhia e reafirmou a linha de diagnósticos como seu principal eixo de atuação. Inclusive, concluiu a criação da Rede Américas, joint venture com a Amil, que segregou o negócio hospitalar e deu origem a uma das maiores plataformas hospitalares independentes do país.
Questões essenciais
Como a Dasa está usando inteligência artificial?
A companhia afirma utilizar IA em atividades administrativas e na leitura de documentos de grande volume, além de agentes que organizam informações sobre exames e orientações de preparo aos pacientes.
Quantas unidades de atendimento a Dasa possui?
A Dasa encerrou junho de 2026 com 833 unidades, ante 846 um ano antes. A companhia afirma ter fechado seletivamente operações de menor desempenho.
A Dasa está fazendo mais exames mesmo com menos unidades?
Sim. No segundo trimestre de 2026, a companhia realizou 119,7 milhões de exames, crescimento de 9,7% sobre o mesmo período do ano anterior. A Dasa atribui o desempenho a fatores como maior utilização da capacidade instalada, B2B, atendimento domiciliar, segmento premium e ganhos de eficiência.
