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Logística de saúde vai movimentar US$ 4,1 bilhões em 2032 e amplia desafio de controle sanitário

Crescimento das vendas digitais e de medicamentos GLP-1 amplia demanda por transporte especializado, armazenagem e controle de temperatura

Crédito de Foto: Divulgação/SECOM
Crédito de Foto: Divulgação/SECOM Ilustração de Saúde Insider

Crescimento das vendas de medicamentos no Brasil traz um alerta sobre o cumprimento de exigências regulatórias de transporte e armazenamento de produtos farmacêuticos. Fatores como a alta do consumo de canetas emagrecedoras e o avanço da participação de canais digitais no varejo aquecem a demanda do setor, mas acarretam preocupações com a capacitação de empresas para seguir as práticas adequadas. O diretor de Logística de Produtos de Interesse à Saúde da Abol (Associação Brasileira de Operadores Logísticos), Kleber Fernandes, afirmou que, nesse cenário, a desconformidade com a regulamentação traz riscos sanitários à população. “Precisamos que as barreiras sanitárias e os profissionais capacitados estejam na gestão de toda a cadeia de valor do medicamento”, disse Fernandes.

Para o executivo, um dos principais fatores do atual crescimento do varejo farmacêutico está na facilidade de acesso aos diferentes canais de distribuição, com o aprimoramento dos marketplaces, venda de medicamentos em supermercados e as redes de drogarias capilarizadas. De acordo com a Abrafarma (Associação Brasileira de Farmácias e Drogarias), o varejo farmacêutico somou quase R$ 128,9 bilhões em faturamento anual até julho, avanço de 16,7% em relação ao mesmo período anterior. Dados da Abol indicam que o setor de logística brasileiro faturou cerca de R$ 192 bilhões em 2023, os números mais recentes. Ainda conforme a entidade, 53% dos operadores logísticos em atividade no país atendem diretamente o setor farmacêutico.

Estudo da Data Bridge Market Research estima que o valor do mercado de logística de saúde do Brasil deve avançar de US$ 2,3 bilhões em 2024 para US$ 4,1 bilhões em 2032. Fernandes explicou que a logística de produtos de interesse à saúde difere de outros mercados, principalmente pelo arcabouço técnico que se faz necessário para operar. Armazéns e transportadoras necessitam de autorizações de funcionamento de diferentes órgãos regulatórios e certificações especiais de acordo com a família de produtos. A atividade é especificamente regulamentada pela Resolução RDC 430/2020 da Anvisa.

Além do crescimento da demanda, mudanças de hábitos de consumo, com maior participação dos canais digitais de venda no varejo farmacêutico, também implicam risco no cumprimento de boas práticas de transporte de medicamentos. Segundo Fernandes, é preciso ter cuidado para entender que um remédio não é um bem de consumo. “A logística vai além de levar uma caixinha de um ponto a outro.”

Números divulgados nos resultados do segundo trimestre de 2026 de duas grandes redes farmacêuticas, RD Saúde e Pague Menos, ajudam a ilustrar o crescimento das vendas digitais. Conforme o balanço da RD Saúde, as vendas digitais ultrapassaram R$ 3,9 bilhões de receita no período, incremento de 52% em relação ao mesmo período do ano anterior, com participação de 31% nas vendas do varejo. A Pague Menos reportou que as vendas digitais superaram R$ 1 bilhão pela primeira vez em um trimestre, avanço anual de 40,6%, passando a representar 24,1% das vendas totais.

O CEO da operadora logística Temp Log, Carlos Buran, destacou que a expectativa de maior agilidade no e-commerce pode resultar em uma visão equivocada sobre tempo e custo de entrega de medicamentos. “As pessoas esperam que seja nas mesmas condições de um livro”, disse o executivo, ao observar que as exigências regulatórias inviabilizam que a entrega ocorra no mesmo prazo de outros produtos. O diretor Comercial e de Tecnologia da Temp Log, Ricardo Canteras, afirmou que parte do mercado utiliza canais de distribuição que não atendem a todas as exigências e a todos os requisitos. Ao priorizar o menor custo e o menor prazo, pode haver descuido com a qualidade. “Isso acaba impactando no consumidor final.”

Na visão da Abol, o e-commerce reforça a necessidade de garantir que todas as regulamentações sejam cumpridas na última milha e nos estoques, atendendo a requisitos como controles e monitoramento da temperatura, limpeza, controle de pragas e gestão da documentação que precede a dispensação do medicamento.

Canetas emagrecedoras. Também compõe esse cenário o forte crescimento da comercialização de canetas emagrecedoras e medicamentos à base de GLP-1. Estudo da empresa de pesquisa Scanntec aponta que as vendas cresceram 244% no acumulado do primeiro semestre de 2026, na comparação com o igual período de 2025. De acordo com a Abol, as canetas emagrecedoras integram a cadeia de medicamentos com temperaturas controladas (termolábeis).

Para esse tipo de produto, a RDC 430/2020 estabelece especificações de tempo de exposição e monitoramento e controle da temperatura durante a armazenagem e o transporte. Diante do aumento da demanda por essa logística especializada, a Temp Log prevê 8% de crescimento na receita de transporte e 12% na receita de armazenamento em 2026. Para o CEO da empresa, Buran, essa estimativa é impactada pelo ano eleitoral. “Normalmente é um ano mais contido.”

Questões essenciais

Quanto deve movimentar o mercado de logística de saúde no Brasil?

Segundo projeção da Data Bridge Market Research, o mercado brasileiro pode passar de US$ 2,3 bilhões em 2024 para US$ 4,1 bilhões em 2032.

Por que medicamentos GLP-1 exigem cuidados especiais na logística?

Determinados medicamentos precisam ser armazenados e transportados dentro de condições específicas de temperatura. O cumprimento dessas condições é necessário para preservar a qualidade dos produtos ao longo da cadeia.

Como o crescimento do e-commerce afeta a logística de medicamentos?

O aumento das vendas digitais amplia a importância da chamada última milha, etapa em que também precisam ser cumpridos requisitos sanitários de transporte, armazenamento, documentação e, quando aplicável, controle de temperatura.

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