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Negócios

Com foco em público idoso, Supera prepara entrada no mercado internacional

Rede de estimulação cognitiva projeta abrir 150 novas unidades até 2028 e vê no envelhecimento da população uma oportunidade para crescer dentro e fora do país

Ilustração de Saúde Insider
Ilustração de Saúde Insider Crédito: Divulgação

A Supera, rede de estimulação cognitiva, mira expansão no Brasil e planeja entrar no mercado internacional. Operando no modelo de franchising, a empresa projeta crescimento de 35% no faturamento em 2026, chegando a R$ 250 milhões em receita, e prevê implantar ao menos 150 novas unidades até 2028. Atualmente, a companhia possui 250 unidades e faturou R$ 187 milhões em 2025. Com o plano, pretende recuperar o tamanho que tinha antes da pandemia, quando chegou a 400 unidades, algumas fechadas durante a crise sanitária global. O fundador e presidente, Antônio Carlos Perpétuo, afirma que existe espaço e demanda para avançar no mercado brasileiro nos próximos anos, ao mesmo tempo em que prepara a entrada em outros países. “Qualquer cidade com população acima de 40 mil habitantes pode receber uma franquia nossa.”

Com presença em todas as regiões do país, a rede promove aulas utilizando uma metodologia própria que visa desenvolver a concentração, o raciocínio lógico e a criatividade dos alunos por meio de ferramentas como jogos e dinâmicas em grupo. Além das unidades franqueadas, a empresa oferece programas para serem implementados em escolas e empresas.

Inicialmente pensado como uma ferramenta para auxiliar o desempenho escolar do filho de nove anos de Perpétuo, o método da Supera foi ampliado para atender todas as faixas etárias, com destaque para os idosos. De acordo com o fundador, pessoas com mais de 60 anos já representam 80% dos alunos da Supera. Atualmente, são 5 mil alunos com mais de 80 anos num total de cerca de 28 mil alunos. Desde a abertura da empresa são 280 mil estudantes.

“A economia prateada cresce de forma muito significativa e somos uma das pouquíssimas opções nessa área”, afirmou o executivo, referindo-se ao mercado consumidor formado por pessoas acima de 50 anos. Segundo o IBGE, a proporção de pessoas com 60 anos ou mais subiu de 8,7% para 18,1% no Brasil entre 2000 e 2025. Esse percentual seguirá aumentando, atingindo 30% em 2050. “Nossa pirâmide demográfica está invertendo. O público jovem está diminuindo e o público idoso, aumentando.”

Essa transformação implica uma maior preocupação em envelhecer com qualidade de vida e independência. Na avaliação de Perpétuo, pessoas acima de 50 anos buscam práticas de prevenção aos efeitos neurodegenerativos relacionados ao envelhecimento. “Os idosos procuram cada vez mais esse tipo de solução”, disse o executivo.

Pesquisa. Para avaliar os efeitos da metodologia nesse público, a Supera financiou uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP), que teve como objetivo avaliar os impactos da estimulação cognitiva em idosos. Desenvolvido em parceria entre o Grupo de Neurologia Cognitiva e do Comportamento do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e o curso de Gerontologia da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH-USP), o estudo acompanhou 207 participantes idosos saudáveis ao longo de 24 meses.

Os participantes foram divididos em três grupos, um deles submetido ao método Supera por 18 meses. Publicada em janeiro de 2026, a pesquisa aponta resultados como redução da percepção de declínio cognitivo, melhora da percepção da qualidade de vida e redução dos sintomas depressivos entre os participantes que realizaram a estimulação cognitiva.

Perpétuo afirmou que a divulgação do estudo em publicações científicas internacionais está trazendo destaque para o Brasil na área de pesquisas sobre declínio cognitivo. Com essa notoriedade em vista, a empresa pretende levar o método Supera para outros países. “Devemos começar uma expansão internacional a partir do ano que vem. Temos uma solução que serve para o mundo todo”, disse o executivo. O primeiro mercado estrangeiro em vista é o dos Estados Unidos, por meio de parceiros. “Não queremos operar diretamente fora do país, porque é um desafio muito grande.”

Se há perspectivas positivas para o negócio dentro e fora do Brasil, há também alguns gargalos para os planos de expansão da rede. Entre eles está o cenário de taxas elevadas de juros, que dificulta a captação de recursos para financiar o crescimento. Outro é a oferta de mão de obra. “Precisamos de profissionais altamente qualificados e eles estão em falta no mercado”, disse o presidente da Supera. “Sabemos que isso está relacionado ao nível educacional do país. É algo que dificulta.”

Questões essenciais

O que é a Supera?

É uma rede de estimulação cognitiva que utiliza metodologia própria com jogos e atividades para desenvolver habilidades como memória, concentração e raciocínio lógico.

Por que apostar em uma rede cognitiva com foco em idosos?

O envelhecimento da população brasileira amplia a demanda por soluções voltadas à manutenção da cognição e da qualidade de vida.

Quais são os planos de expansão da Supera?

A empresa pretende abrir pelo menos 150 novas unidades até 2028 e iniciar uma expansão internacional pelos Estados Unidos por meio de parceiros.

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