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Negócios

ALS Beauty & Personal Care busca estudos na Europa e na China para elevar receita de operação brasileira em 15%

Liderada por Erlandi Salvador Junior, linha de negócios no país já representa 5% do faturamento global da companhia e visa captar mais contratos internacionais

Crédito de Foto: Magnific
Crédito de Foto: Magnific Ilustração de Saúde Insider

Dois grandes movimentos da ALS Beauty & Personal Care Brasil estão em curso e vão ser colocados em prática até o fim deste ano. Um deles é a abertura de escritórios comerciais na Europa e na China para captar estudos clínicos de segurança e eficácia para produtos de beleza e cuidados pessoais dessas regiões e realizá-los por aqui. O movimento aumentaria em 15% o faturamento da operação brasileira nessa linha de negócios nos próximos dois anos. O outro é exportar processos internos de elaboração de propostas orçamentárias, realizados com inteligência artificial, para aumentar a eficiência do backoffice e diminuir o tempo de conclusão de tarefas administrativas.

Segundo o general manager da ALS Beauty & Personal Care no Brasil, Erlandi Salvador Junior, a linha de estudos de beleza e cuidados pessoais da companhia cresce a taxas de dois dígitos no país, e os novos escritórios vão acelerar esse avanço. “Europa vai trazer 5% a mais em dois anos e China mais 10%. A China é uma potência”, disse Junior ao Saúde Insider. O executivo, responsável pela ALS Beauty & Personal Care no país e no restante do mundo, com exceção dos Estados Unidos, revelou ainda a intenção de adquirir um laboratório no México. “São frentes que aumentam nosso escopo de atuação. Expansões por M&A e também orgânicas, com escritórios próprios”, disse o general manager.

Atualmente, o Brasil é responsável por 5% do faturamento da ALS Global, que possui várias linhas de negócios além da Beauty & Personal Care. A companhia de origem australiana registrou receita de 3,3 bilhões de dólares australianos no ano fiscal de 2026, encerrado em 30 de junho, 10,7% a mais do que no exercício anterior. Na conversão para reais feita em 20 de outubro, são R$ 11,6 bilhões. Na operação brasileira, 45% do faturamento vem de contratos nacionais, 20% de vendas feitas a partir dos Estados Unidos, mas que são atendidas aqui, e o restante vem de outras regiões do planeta, que também são atendidas pelo Brasil.

A ALS, sigla de Australian Laboratory Services, é uma das líderes globais em serviços de testes, inspeção e certificação, fundada na Austrália em 1976 e com presença em mais de 70 países. A atuação no Brasil é recente, tendo começado em 2021, quando a companhia comprou a empresa de Erlandi Salvador Junior, que permaneceu no comando da linha Beauty & Personal Care. Com sua experiência de mais de 20 anos nas indústrias farmacêutica e cosmética, o executivo conduz a expansão local e regional e fortalece a atuação internacional da companhia em cerca de 40 países.

Na busca por eficiência operacional, o executivo montou um time para melhorar processos internos. Apesar de a companhia ser de grande porte, o pensamento é de startup, em que a ideia sai do papel rapidamente para ser colocada em prática, em um processo de tentativa e erro, até o acerto. Assim foi com os protocolos complexos de alguns estudos, que demoravam oito horas para serem concluídos e agora são feitos em 45 minutos. “Com todas as informações, todos os parâmetros e todas as correções. E mais três minutos entregue em outro idioma, com as especificidades do cliente”, disse Junior. “Levamos isso para o time global e será incorporado”, afirmou.

Estrutura. A ALS Beauty & Personal Care possui seis unidades laboratoriais no Brasil: três em Campinas (SP), uma em Hortolândia (SP), uma em São Paulo (SP) e uma em Manaus (AM). São 430 colaboradores. Entre os 800 clientes ativos estão grandes farmacêuticas e companhias de cosméticos, como L’Oréal, Estée Lauder e Pierre Fabre. “Nosso laboratório de fotoproteção iniciou o ano com metade da capacidade já reservada para empresas globais”, disse o general manager.

Entre os diferenciais da companhia, Junior cita o fato de ser a única do Brasil a fazer testes in vitro para produtos de fotoproteção (para proteger a pele e os tecidos contra os danos causados pela radiação solar). “Não é substitutivo hoje ainda, mas é uma tendência reduzir a utilização de humanos para testes de pesquisa nessa área de fotoproteção”, afirmou o executivo.

A estrutura brasileira realiza, considerando todos os tipos de estudos, 7 mil testes por ano. No ano passado, foi feito um investimento de R$ 1 milhão para absorver o aumento da demanda. Uma das unidades passou de 40 metros quadrados para 100 metros quadrados, com novos equipamentos.

Entre as tendências de testes atualmente estão os produtos para rugas, especialmente para as consequências do uso das canetas emagrecedoras. Com elas, as pessoas perdem muito peso, e a pele do rosto sofre modificações. “As empresas agora estão buscando também produtos para melhorar a flacidez”, disse Junior.

Outra demanda crescente é por produtos para cabelos, segmento em que a ALS Beauty & Personal Care tem, no Brasil, uma estrutura para atender à demanda global. Por aqui, são feitos testes de aspectos sensoriais, enxágue utilizando água com diferentes níveis de dureza de várias partes do mundo, espumação, formação de bolhas e outros componentes. “Nessa área, estamos dobrando de tamanho todo ano”, afirmou o general manager.

O crescimento da companhia no Brasil está alinhada ao desenvolvimento do setor nacional. Dados da Abihpec (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos) apontam que o segmento movimentou R$ 175 bilhões em 2025. O país é  o terceiro maior mercado consumidor do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e da China.

Em um mercado que busca fórmulas cada vez mais sofisticadas para cuidar da da saúde e da aparência, a ALS parece ter encontrado a sua própria fórmula de crescimento: combinar ciência brasileira, inteligência artificial e demanda internacional.

Questões essenciais

O que a ALS Beauty & Personal Care pretende fazer na Europa e na China?

A empresa pretende abrir escritórios comerciais para captar estudos de segurança e eficácia de produtos de beleza e cuidados pessoais. Os projetos serão realizados na estrutura laboratorial brasileira.

Quanto a ALS espera crescer com a expansão internacional?

A companhia projeta aumentar em 15% o faturamento de sua linha de estudos de beleza e cuidados pessoais no Brasil em dois anos. Segundo o executivo Erlandi Salvador Junior, a Europa deverá contribuir com 5% e a China com 10%.

Como a ALS utiliza inteligência artificial em suas operações?

A ALS utiliza inteligência artificial para melhorar processos internos, incluindo a elaboração de propostas e protocolos de estudos. Segundo a companhia, uma tarefa que anteriormente levava oito horas passou a ser concluída em 45 minutos.

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