Mamografias crescem até 20% no Outubro Rosa e Dasa usa IA para prever ausência de pacientes agendados
Faltas em mamografias ficam em torno de 10% na rede, contra 13,5% no setor. Linha de diagnósticos da companhia faturou R$ 4,4 bilhões no primeiro semestre
O volume de mamografias digitais e ultrassons de mama cresce entre 10% e 20% durante as campanhas do Outubro Rosa na Dasa, mas o aumento da procura não elimina um problema da operação: a ausência de pacientes com exames agendados. Segundo Roberto Cury, vice-presidente de atendimento e experiência do cliente da companhia, a taxa histórica de faltas em mamografias é de cerca de 10%. Para aproveitar horários que poderiam ficar vagos, a Dasa utiliza inteligência artificial para prever a probabilidade de ausência e permitir agendamentos adicionais. O sistema considera fatores como antecedência da marcação, condições climáticas e distância entre a residência da paciente e a unidade.
Com 833 unidades em 13 estados e no Distrito Federal, a empresa realizou 243,1 milhões de exames, no total, no primeiro semestre de 2026, 12,1% a mais do que no mesmo período do ano passado. A linha de negócios de diagnósticos foi responsável por R$ 4,4 bilhões do faturamento da Dasa nos seis primeiros meses deste ano, valor 12,2% superior ao registrado em igual intervalo de 2025. No geral, de janeiro a junho, a companhia faturou R$ 4,8 bilhões, crescimento de 11% na comparação com o mesmo período de 2025.
Segundo Cury, o aumento das mamografias se concentra nas marcas populares da Dasa. A empresa atende “a essa população que, às vezes, tem dificuldade de agendar exame no SUS”. De acordo com o executivo, muitas pacientes chegam com suspeita de nódulo e têm pressa para fechar o diagnóstico. A companhia também vende serviços para o governo. A CientíficaLab, braço voltado ao setor público, processou cerca de 58 milhões de exames em 2025.
O aumento da demanda gera receita, mas também traz desafios à operação da empresa para atender ao público crescente. Exames agendados não significam exames realizados, segundo Cury. A maior parte do no-show (expressão em inglês que significa que o paciente não compareceu para fazer o exame) acontece entre os agendamentos feitos com maior antecedência. “Acima de 30 dias de antecedência, o no-show aumenta exponencialmente”, afirmou o executivo.
Enquanto a taxa de não comparecimento na Dasa fica em 10%, o indicador de pacientes agendados que não foram à consulta nas empresas associadas da Abramed (Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica) foi de 13,5% em 2024 . O resultado, segundo o Painel 2025 da entidade, representa redução de quase dois pontos percentuais sobre um ano antes. “Essa métrica é importante para avaliar a eficiência operacional e a gestão de agendamentos das instituições de saúde”, escreveu a associação, em relatório.
A companhia responde com overbooking preditivo baseado em algoritmos de IA desenvolvidos internamente, que permitem agendar pacientes extras conforme a probabilidade de ausência. Essa probabilidade é calculada a partir do clima, da distância entre a casa da paciente e a unidade e da antecedência da marcação. As agendas são abertas com 45 dias de antecedência e ganham reforço de avisos aos pacientes 15 dias antes do exame.
Embora a taxa de desistência desafie a empresa a encontrar alternativas para preencher os horários vagos, um dos gargalos da rede privada está na autorização das operadoras, avalia o executivo da Dasa. O paciente com plano espera o prazo mínimo de liberação para exames de rotina, enquanto o particular pode ser encaixado no mesmo dia.
Segundo Cury, a Dasa faz ações conjuntas com planos de saúde no Outubro Rosa, com foco em histórico familiar e idade. Para as fontes pagadoras, importa “pegar o estágio inicial que tem um menor custo de tratamento”. Segundo dados da companhia, um tratamento no estágio 1 pode custar R$ 17 mil, contra R$ 128 mil no estágio 4.
Setor público. Prevista em lei federal desde 2018, a campanha de conscientização Outubro Rosa chama a atenção para os 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no país entre 2026 e 2028, segundo o INCA (Instituto Nacional de Câncer). E os resultados já são sentidos. A sazonalidade dos exames de mama estimulados pela dataaparece na rede pública especialmente nos últimos meses do ano. Estudo publicado na revista Public Health in Practice, com dados do SUS de 2017 a 2021, mostrou alta de 33% nas mamografias em outubro, 39% em novembro e 22% em dezembro.
Desde setembro de 2025, o Ministério da Saúde garante o exame no SUS a mulheres a partir dos 40 anos, sem necessidade de apresentar sintomas, e estendeu o rastreamento até os 74 anos. Antes, o limite era de 69 anos. Desde 1º de outubro de 2026, ficou determinado também que os planos de saúde devem cobrir mamografia digital sem restrição de idade ou gênero, desde que haja indicação médica. A ANS retirou a diretriz que limitava a cobertura obrigatória a mulheres de 40 a 69 anos.
Questões essenciais
Quanto crescem as mamografias no Outubro Rosa?
Na Dasa, o volume de mamografias digitais e ultrassons de mama cresce entre 10% e 20% em outubro, na comparação com o ano anterior, segundo a empresa. No SUS, um estudo com dados de 2017 a 2021 mostrou alta de 33% em outubro, 39% em novembro e 22% em dezembro.
Quantas mulheres faltam à mamografia agendada?
Em 2024, 13,5% das pacientes agendadas não fizeram a mamografia, segundo levantamento da Abramed. Na Dasa, a ausência fica em torno de 10%, e cresce quando o exame é marcado com mais de 30 dias de antecedência.
Como a IA ajuda a reduzir faltas em exames?
A Dasa usa overbooking preditivo: algoritmos de IA estimam a chance de cada paciente faltar, a partir do clima, da distância até a unidade e da antecedência da marcação, e agendam pacientes extras conforme essa probabilidade.
