Como o Grupo Fleury aplica IA e inovação para lucrar mais de R$ 2,3 milhões por dia
Tecnologia é adotada da gestão aos equipamentos de diagnóstico para reduzir gargalos, aumentar produtividade e melhorar resultados
Bruno Aragão, head médico de Hospitais e Inovação do Grupo Fleury, é entusiasta da IA (inteligência artificial), ao mesmo tempo em que prega sua utilização sem “ufanismo”, como gosta de dizer. “Não é uma tecnologia da Nasa que vai fazer a mudança necessária na saúde”, afirmou o especialista. Esse conceito pode parecer um contrassenso em uma companhia que investiu R$ 107,5 milhões em inovação em 2025 e possui o maior parque de ressonância magnética com IA embarcada da América Latina, mas não é.
A implementação de novas tecnologias, de maneira criteriosa e mensurável, seja na gestão, na operação ou em equipamentos, é um dos principais fatores que tem levado o Fleury a exercer uma operação mais eficiente e que gera resultados positivos na última linha do balanço. No primeiro semestre deste ano, o faturamento bruto do grupo foi de R$ 4,9 bilhões, com lucro líquido de R$ 423,1 milhões (mais de R$ 2,3 milhões a cada 24 horas), 27,6% superior ao do mesmo período do ano passado.
Em mensagem destacada no balanço financeiro do primeiro semestre, divulgado no início de agosto, a CEO do Grupo Fleury, Jeane Tsutsui, disse que a maturação de investimentos em tecnologia da informação foi fundamental para a integração do laboratório Hermes Pardini, adquirido pela companhia em 2022, e para o ganho de eficiência. “Nosso capex volta para o perfil histórico com equilíbrio de investimentos em TI e digital”, afirmou a executiva.
Na visão de Aragão, a inteligência artificial aplicada na gestão administrativa vai deslocar a saúde mais rápido do que a IA inserida na assistência médica, em equipamentos e em diagnósticos. O Fleury tem atuado nas duas frentes. “É um assunto com muitos capítulos, um completamente diferente do outro.” O fundamental, segundo o médico, é ter rigor e responsabilidade técnica na adoção. “Analisamos a fundo uma tecnologia antes de decidir implementá-la”, afirmou.
Mas vamos traduzir as falas dos executivos mostrando iniciativas práticas. Primeiramente, na gestão. Mais especificamente, no fluxo de informação e de processamento de documentos e exames, na relação com operadoras de saúde. Na média, demorava de três a quatro meses o período entre a primeira suspeita de câncer de mama e a conclusão diagnóstica. Processos internos foram revisados, tecnologias foram embarcadas e agora a média de tempo é de 17 dias. “É uma mudança drástica”, disse Aragão. “Mais gestão e um olhar diferente para o que já existe”, afirmou.
Ele ressalta que trocas de informações e ajustes como esses, entre agentes do ecossistema, são cada vez mais relevantes para eliminar gargalos operacionais de maneira simples. Em um dos processos, um sistema de inteligência artificial foi implementado para fazer a pré-análise de mamografia. Não substitui o radiologista, mas consegue triar quais são os casos potencialmente positivos. Isso melhora o fluxo da atividade médica, organiza melhor a distribuição da carga de trabalho dos radiologistas, cria esteiras de dupla leitura para os casos mais complexos e gera ganho de qualidade, segundo Aragão. “É uma aplicação mais realista da IA.”
Ressonância magnética e tomografia. Inteligência artificial também está embutida nos equipamentos da companhia. Atualmente, o Grupo Fleury possui o maior parque instalado de equipamentos de ressonância magnética com inteligência artificial e deep learning da América Latina. A tecnologia torna mais eficiente a coleta e o processamento das imagens durante o exame, reduzindo em até 50% o tempo de duração do procedimento, inclusive com imagens de qualidade superior. A redução no tempo de exame otimiza o uso da capacidade instalada, o que permite atender um volume maior de pacientes com a mesma estrutura física. Mais exames em menos tempo significa maior faturamento.
IA também está aplicada na unidade de atendimento ambulatorial. Em exames de tomografia de tórax de rotina, o paciente receberia o laudo no dia seguinte ou dois dias depois, pois não é considerado urgência. Mas existe um sistema que detecta imediatamente qualquer sangramento intracraniano. “O radiologista observa, analisa e em menos de meia hora faz o diagnóstico e o encaminhamento”, afirmou Aragão. Segundo ele, máquina inteligente e humano capacitado trabalham juntos, sem competição de performance. “O humano performa melhor do que a IA para detectar esses casos”, disse. “Mas a tecnologia é útil pela questão da rapidez.”
Questões essenciais
Como o Grupo Fleury usa inteligência artificial?
O Grupo Fleury utiliza inteligência artificial tanto em processos administrativos quanto em atividades assistenciais, incluindo análise de mamografias, ressonância magnética e tomografia.
Como a inteligência artificial ajuda na análise de mamografias?
Um sistema de inteligência artificial faz uma pré-análise dos exames e ajuda a identificar casos potencialmente positivos, permitindo priorizar situações mais complexas para avaliação dos radiologistas.
Como a IA reduz o tempo dos exames de ressonância magnética?
A tecnologia auxilia na coleta e no processamento das imagens e, segundo a companhia, pode reduzir em até 50% a duração de determinados procedimentos, aumentando a capacidade de atendimento dos equipamentos.
