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Terapia celular puxa criogenia da Thermo Fisher no Brasil e empresa prevê novo galpão de armazenamento em dois anos

Atual centro logístico, em São Paulo, participa de mais de 850 estudos clínicos e recebeu em 2026 a primeira dose de CAR-T armazenada a -196°C

Crédito de Foto: Divulgação
Crédito de Foto: Divulgação Ilustração de Saúde Insider

Com 100 clientes ativos em seu Centro Logístico de Ensaios Clínicos, em São Paulo, a unidade da americana Thermo Fisher Scientific participa atualmente de 850 estudos clínicos. A ocupação da unidade está entre 50% e 60% e, com a previsão de aumento da demanda, a empresa já prevê a instalação de um novo galpão para ampliar sua área de armazenamento. Isso ocorre sempre que a produção atinge 80% da capacidade. “É um indicador automático. Chegou, a gente abre mais um galpão para conseguirmos manter a operação”, disse Maria Rodrigues, gerente-geral de serviços clínicos da Thermo Fisher Scientific no Brasil. A expectativa é de que esse índice seja atingido nos próximos dois anos. Entre preparação do espaço, qualificação térmica e inspeção sanitária, são 18 meses em média para conclusão de uma nova área.

A previsão de expansão acontece no momento em que a atual estrutura da Thermo Fisher foi qualificada e recebeu neste ano o primeiro produto de criogenia – ciência e a tecnologia que estudam a produção, a manutenção e os efeitos de temperaturas extremamente baixas. Antes de chegar ao paciente brasileiro, uma dose de CAR-T (Chimeric Antigen Receptor T-cell, tratamento de imunoterapia contra o câncer) em estudo clínico faz uma viagem de ida e volta aos Estados Unidos. As células de defesa são coletadas aqui, seguem para o exterior e retornam modificadas, armazenadas a cerca de -196°C até a infusão no paciente, em uma operação logística que dura no máximo cinco dias.

A estrutura reúne dois tanques de nitrogênio líquido e 18 racks com 144 posições de armazenamento. A unidade consome cerca de 500 m³ de nitrogênio líquido por mês. “A criogenia exige protocolos, qualificação de equipamentos e processos e garantia de controle e rastreabilidade ao longo de toda a operação”, afirmou Maria Rodrigues, ao ressaltar que a organização de turnos para funcionamento quase 24 horas fez a Thermo Fisher ser percebida como estratégica pelos clientes.

Os parceiros comerciais que não possuem estrutura de criogenia, possuem uma unidade móvel que a companhia oferece como serviço. Os “shippers”, que são geladeiras móveis equipadas com um GPS que envia a localização e a temperatura em tempo real dos dispositivos, são trocados a cada dez dias. O cronograma é gerenciado pela fornecedora. Cada shipper, fabricado pela MVE Biological Solutions, custa US$ 10 mil. Apenas um cliente deste serviço contrata hoje 15 shippers volantes.

No Brasil, o setor de estudos clínicos está aquecido. O país lidera os estudos com terapias gênicas na América Latina, segundo artigo publicado em março no Cytotherapy, periódico da ISCT (Sociedade Internacional de Terapia Celular e Gênica). No ranking mundial de estudos clínicos iniciados, passou da 18ª posição, no fim de 2025, para a 12ª, com 2,9% do total global no primeiro trimestre de 2026, segundo levantamento da Interfarma (Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa) com a IQVIA.

Apesar da liderança regional do país, a indústria brasileira tem participação menor entre os mais de 25 mil envios anuais da Thermo Fisher Scientific em estudos clínicos, segundo a empresa. A explicação, de acordo com a Thermo, é que a indústria nacional concentra o portfólio em genéricos e similares. Esses produtos exigem estudos de bioequivalência e não os ensaios de fase 3 que um centro como o da Thermo atende.

Atuação global. No início deste ano a Thermo Fisher já havia se movimentado para ampliar sua atuação globalmente. Em março, a companhia concluiu a compra da Clario por US$ 8,87 bilhões. A Clario coleta e gerencia dados de pacientes, dispositivos e centros de pesquisa. Sua plataforma foi usada em cerca de 70% das aprovações de novos medicamentos da FDA (Food and Drug Administration, dos EUA) e da EMA (Agência Europeia de Medicamentos) na última década, segundo a empresa.

A empresa, com ações na Bolsa de Nova York, reportou receita global de US$ 12,14 bilhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 9% sobre o mesmo período de 2025, segundo balanço publicado quarta-feira (21). Nos nove meses acumulados deste ano, foram US$ 35,1 bilhões, 9,7% superior ao mesmo período do ano passado. Em 2025, o faturamento total somou US$ 44,56 bilhões, 4% acima do ano anterior. A operação brasileira da companhia não tem números específicos de balanço divulgados.

Questões essenciais

Como funciona a logística da terapia CAR-T no Brasil?

Em estudos clínicos, as células de defesa do paciente são coletadas no Brasil, seguem para os Estados Unidos e voltam modificadas, armazenadas a cerca de -196°C até a infusão no mesmo paciente. A operação dura no máximo cinco dias.

O que é um shipper criogênico?

É o equipamento móvel que transporta material biológico em temperatura criogênica para centros sem estrutura própria. Na Thermo Fisher, cada shipper custa US$ 10 mil, envia localização e temperatura em tempo real e é trocado a cada dez dias.

Quantos estudos clínicos a Thermo Fisher atende no Brasil?

O Centro Logístico de Ensaios Clínicos da Thermo Fisher, em São Paulo, participa de mais de 850 estudos clínicos e tem cerca de 100 clientes ativos.

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