Casa Ronald busca R$ 60 milhões para zerar fila de 500 famílias sem atendimento
Entidade pretende passar de seis para dez casas até 2030 e ampliar atendimento a famílias de crianças e adolescentes em tratamento oncológico
A Casa Ronald McDonald vai buscar na indústria farmacêutica parte dos recursos para expandir sua rede assistencial, que hoje atende 10 mil crianças e adolescentes em tratamento de câncer, mas ainda tem uma demanda reprimida de 500 famílias por ano por falta de espaço. Segundo Bianca Provedel, CEO da Casa Ronald McDonald Brasil, a entidade quer chegar a dez casas e 17 espaços da família até 2030, com meta de arrecadação de R$ 60 milhões para fazer o investimento.
Atualmente, a entidade tem seis casas e 11 espaços da família. A instituição tem orçamento de R$ 40 milhões por ano, segundo Provedel, com o McDia Feliz, campanha em parceria com a rede de fast-food McDonald’s, responsável por 50% a 56% desse valor.
A ampliação da rede faz parte de uma estratégia global da entidade, que tem o Brasil entre os sete mercados prioritários. “Esse é o nosso plano ousado para 2030”, afirmou Provedel. A primeira obra é a casa de Goiânia, que deve ser inaugurada até março de 2027. Será a maior unidade da rede e foi bancada quase integralmente por uma doação de US$ 4 milhões da MBRF, uma das maiores empresas de alimentos do mundo.
Segundo a executiva, a aproximação com a indústria farmacêutica pode ser o propulsor de uma aceleração para a entidade, ao passo que o setor vê valor na integridade das informações que a instituição possui, por acompanhar o tratamento do começo ao fim. Segundo Provedel, hoje a informação é fragmentada entre unidades básicas, centros de referência e exames. “A gente não tem alguém que monitore essa família durante todo esse processo”, disse.
A segunda maior fonte de receita da entidade são editais e fundos internacionais, de acordo com a executiva. Os benefícios que o governo oferece para tratamentos fora do domicílio dos pacientes cobrem 37% das despesas das famílias para tratar uma criança com câncer na rede pública das principais capitais do país.
O auxílio chamado TFD (Tratamento Fora do Município) é de aproximadamente R$ 1.400, enquanto o custo para se manter nas principais capitais durante o tratamento gira em torno de R$ 3.800 mensais, segundo levantamento da própria Casa. “A casa se torna essencial para a aderência ao tratamento e para os bons resultados também a longo prazo”, disse.
Ocupação. A recusa de cerca de 500 famílias no último ano ocorreu em um cenário em que a ocupação média das casas foi de 81%, segundo o relatório de atividades da entidade. Embora o total de recusas seja nacional, existe uma demanda latente em São Paulo, onde a Casa planeja abrir a terceira unidade, na zona sul da capital, perto dos principais hospitais com demanda reprimida.
A executiva disse que, nos espaços da família, 37% da demanda já vem de outras patologias além do câncer, e mais de 70% das famílias atendidas têm renda de até um salário mínimo. Encerrar a hospedagem também pesa para as famílias atendidas.
Para Bianca Provedel, muitas mães temem cuidar das crianças sozinhas, preparar a alimentação indicada pelo hospital e voltar a buscar trabalho depois de passarem meses com cinco refeições prontas por dia e uma equipe por perto. Por isso, a Casa reforçou os programas pós-tratamento. “O índice de estresse e depressão após o retorno para as suas residências era muito superior”, disse a CEO.
A entidade tenta manter o vínculo à distância, mas a executiva reconhece a sensação de perder o ponto de apoio. A permanência média por estadia é de 60 dias, e as famílias costumam voltar várias vezes ao longo do tratamento.
Questões essenciais
Quanto a Casa Ronald McDonald pretende arrecadar para expandir sua rede?
A Casa Ronald McDonald Brasil pretende arrecadar R$ 60 milhões para ampliar sua rede assistencial até 2030. O planejamento prevê passar de seis para dez casas e de 11 para 17 espaços da família.
Quantas famílias deixam de ser atendidas pela Casa Ronald McDonald?
Segundo Bianca Provedel, CEO da entidade, aproximadamente 500 famílias por ano deixam de receber atendimento por falta de espaço. A instituição busca ampliar sua capacidade para reduzir essa demanda reprimida.
Por que a Casa Ronald McDonald busca apoio da indústria farmacêutica?
A entidade pretende diversificar suas fontes de financiamento para acelerar a expansão do acolhimento a famílias de crianças e adolescentes em tratamento contra o câncer. Segundo a direção, a indústria farmacêutica é um dos setores com potencial para apoiar esse crescimento.
