Pular para o conteúdo

Rede Hospitalar

Inovação é trunfo para gerar eficiência e reduzir custos nos hospitais, afirmam gestores

Em cenário de pressão financeira, instituições de saúde apostam em digitalização, automação e IA para reduzir burocracia e desperdícios

Crédito de Foto: Magnific
Crédito de Foto: Magnific Ilustração de Saúde Insider

Diante do cenário de pressão financeira sobre os hospitais, os investimentos e as ações em tecnologia e inovação devem ter em vista a eficiência operacional e a redução de custos. Essa foi uma das principais mensagens compartilhadas por gestores das instituições de saúde que participaram do MV Experience Fórum, evento realizado em São Paulo no início de setembro. Na ocasião, foram debatidas experiências de transformação digital e impactos na administração e na cultura das organizações do setor hospitalar.

Os executivos destacaram o índice de glosa (recusas totais ou parciais, por parte das operadoras de planos de saúde, do pagamento de procedimentos faturados por hospitais, clínicas e outros prestadores) e o prazo médio elevado de recebimento como os principais elementos que compõem essa pressão sobre os hospitais. De acordo com dados da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), o percentual de glosa inicial ainda em fase de negociação foi de 7,07% até o final de 2025.

Levantamento da Anahp (Associação Nacional de Hospitais Privados) indica que, em 2025, a média de glosa inicial gerencial foi de 15,93% entre os hospitais associados. A associação estima que, em 2024, o volume de valores retidos chegou a R$ 5,8 bilhões. Para o diretor-geral do Hospital Edmundo Vasconcelos, em São Paulo, Dario Ferreira Neto, nesse ambiente conturbado, a eficiência operacional deixou de ser virtude e tornou-se questão de competitividade e sustentabilidade. “A pressão da fonte pagadora afeta nosso fluxo de caixa e nossa capacidade de investimento.”

Uma das iniciativas do hospital para reduzir custos foi o foco em canais digitais. De acordo com o executivo, atualmente, 65% dos clientes do centro médico fazem agendamento de consultas e exames por meio de site e aplicativo. Como resultado, a instituição reduziu o call center pela metade. “Nossa meta é atingir 85% dos agendamentos via canais digitais.” Ferreira Neto afirmou que ações como essa são necessárias para proteger a margem dos hospitais e viabilizar investimentos na modernização de equipamentos e dispositivos médicos.

Para o diretor-geral da Santa Casa de Porto Alegre, Jader Pires, a tecnologia precisa ser aplicada para reduzir a burocracia da assistência médica. “Os profissionais de saúde passam mais tempo na tela do que cuidando do paciente”, afirmou, ao observar que o back office (atividades administrativas e operacionais) deixará de existir no setor de saúde. Na visão de Pires, a automação e a inteligência artificial precisam reformular a gestão, trazendo mais tempo dedicado às iniciativas assistenciais. “Não fará mais sentido ter 180 pessoas no faturamento, como tenho hoje.”

Na mesma linha, o conselheiro de administração da Unimed Campos (RJ), Vilson Leite Batista, defendeu a necessidade de preservar a assistência e combater a burocracia. “O problema dos planos de saúde não são as pessoas que precisam de tratamentos, mas os desperdícios.” O diretor-geral administrativo do paulistano Hospital Sírio-Libanês, Antonio José Pereira, afirmou não acreditar que a inteligência artificial vá substituir pessoas, mas que profissionais que não souberem utilizar as novas ferramentas perderão espaço. “Vejo o letramento digital como a coisa mais importante dentro das instituições de saúde.”

Mais lidas

Mais em Rede Hospitalar