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Saúde

SUS quer ser referência mundial no combate ao câncer e liderar incorporação tecnológica

Ministério da Saúde começa a distribuir nove medicamentos de alto custo para tratamento de câncer. Segundo o governo, 116 mil pacientes serão beneficiados. Total de novos medicamentos chegará a 23

Crédito de Foto: Magnific
Crédito de Foto: Magnific Ilustração de Saúde Insider

Com a incorporação de medicamentos para tratamento de câncer no SUS (Sistema Único de Saúde), o ministro Alexandre Padilha avalia que o país está no caminho para “construir, consolidar, a maior rede pública de prevenção, diagnóstico e tratamento de câncer do mundo”. Esta, segundo ele, é uma das missões assumidas pela pasta. A outra é fazer com que a incorporação de tecnologia, incluindo inteligência artificial, “seja liderada pelo SUS, de forma compartilhada com o setor privado” e, para chegar lá, a pasta assinou um contrato de gestão para um novo hospital público ultra conectado e uma rede de UTIs (Unidades de Tratamento Intensivo) em São Paulo.

A partir desta semana, o Ministério da Saúde passa a oferecer nove medicamentos novos para uso no tratamento de câncer na rede pública. Isso deve beneficiar 116 mil pacientes, segundo o secretário executivo do ministério, Adriano Massuda. De acordo com o governo, em alguns casos existia espera de dez anos por essa medicação, que podia custar até R$ 366 mil na rede privada (caso do abemaciclibe, indicado para alguns tipos de câncer de mama). Também estão previstos reajustes em cirurgias e serviços (no caso de aplicação de medicamentos na veia, por exemplo, de 313%, e de 100% para medicamentos orais). “Muitos desses tratamentos eram ofertados por meio de ação judicial”, disse Massuda. “Além de garantir mais acesso, isso vai permitir que a gente faça uma distribuição mais equânime e mais eficiente.” Ao comprar medicamentos de alto custo, o Ministério da Saúde também consegue redução de preços, acrescentou. O impacto previsto é de R$ 4 bilhões/ano.

Um dos itens do programa é o FIT, para diagnóstico de câncer colorretal. É a sigla em inglês para o Teste Imunoquímico Fecal, incluído na tabela de procedimentos do SUS e destinados a adultos assintomáticos de 50 a 75 anos. A oferta será de 400 mil testes neste ano, distribuídos para as unidades da federação. Segundo o ministério, a implementação será gradual nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde), com início no próximo mês nas capitais e municípios com mais de 500 mil habitantes. O exame tem precisão de aé 92%, de acordo com o governo. Os nove medicamentos que começam a ser usados são:

  • Trastuzumabe (câncer de estômago)
  • Abemaciclibe (câncer de mama precoce)
  • Acetato de lanreotida (tumores neuroendócrinos)
  • Pazopanibe (câncer de rim de células claras metastático)
  • Rituximabe (leucemia linfocítica crônica, linfoma folicular, linfoma difuso)
  • Abiraterona (câncer de próstata resistente à hormonioterapia não metastático e metastático)
  • Gefitinibe (câncer de pulmão não pequenas células em primeira linha)
  • TSH recombinante/alfatirotropina (câncer diferenciado de tireoide com indicação de iodo radioativo)
  • sunitinibe (câncer de rim de células claras metastático e GIST avançado ou metastático)

Inteligência. Na cerimônia realizada na manhã desta terça-feira (20) no BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, também foi assinado contrato de gestão com o ITMI (Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente do Brasil), responsável pela implementação do chamado hospital inteligente e de uma rede de UTIs. Na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou decreto qualificando o ITMI como organização social. Presidido pela médica cardiologista e professora Ludhmila Hajjar, o instituto será responsável pelas atividades a serem desenvolvidas na Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes e Medicina de Alta Precisão, “mediante apoio à gestão da rede de unidades de terapia intensiva – UTIs inteligentes e do Instituto Tecnológico de Emergência – ITE”. Segundo Ludhmila, o Hospital das Clínicas [da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo] “está em festa”.

A referência é ao primeiro hospital inteligente público do país, que será construído no complexo do HC. “Nós nunca imaginamos que pudéssemos sediar numa universidade pública, um hospital que nasce de um instituto de tecnologia para inspirar o país”, afirmou Ludhmila. Para ela, o país precisa “olhar para o futuro” como outros países já fizeram. “Por que Índia e China nos últimos anos conseguiram reduzir custos em saúde e ampliar acesso?” A resposta, emendou, está em uma “política estruturante”, que acompanha desde a entrada da criança na escola até o desenvolvimento das famílias, mantendo uma “linha de cuidado em todo seu ciclo de vida”. Este é um momento primordial para o país, disse a médica.

“Vivo no SUS do HC há 26 anos. Agora tive a oportunidade de discutir o futuro das pessoas”, afirmou Ludhmila.” Para ela, é preciso pensar que país a sociedade deseja construir para os próximos 20 anos. “Como brasileira, quero estar num país democrático que tenha as pessoas no centro do seu objetivo.” A modernização do sistema – em que se insere o hospital inteligente – mostra, segundo Ludhmila, que “é possível minimizar perdas, antecipar eventos, evitar sequelas e incapacidades e alocar recursos da melhor maneira”.

Iniciativa que envolve USP, governo estadual, Ministério da Saúde e o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB, o chamado Banco do Brics), o hospital no HC deverá ter 800 leitos de referência. E, segundo Padilha, “será o primeiro 100% inteligente do SUS”. Diante desse novo mundo, o próprio ministro disse que talvez seja necessário rever pontos regulatórios que envolvem essa especialidade. “Será que uma UTI com equipamentos ultra conectados tem que ter a mesma estrutura que tem hoje?”

Questões essenciais

Quais medicamentos contra o câncer começam a ser oferecidos pelo SUS?

O Ministério da Saúde anunciou nove medicamentos: trastuzumabe, abemaciclibe, acetato de lanreotida, pazopanibe, rituximabe, abiraterona, gefitinibe, alfatirotropina (TSH recombinante) e sunitinibe. Os tratamentos atendem a diferentes indicações oncológicas.

Quando o SUS começará a oferecer o teste FIT para câncer colorretal?

A implementação está prevista para novembro de 2026, inicialmente nas capitais e nos municípios com mais de 500 mil habitantes. O Ministério da Saúde anunciou a distribuição de 400 mil testes aos estados. O exame será destinado ao rastreamento em adultos assintomáticos de 50 a 75 anos.

Onde será construído o primeiro hospital inteligente do SUS?

O hospital será construído no complexo do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, em São Paulo. O projeto prevê 800 leitos e uso de inteligência artificial e equipamentos conectados. O ITMI será responsável por atividades de gestão previstas no contrato firmado com o Ministério da Saúde.

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