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Negócios

Negócios B2B do Grupo Fleury superam R$ 1 bilhão no primeiro semestre e já respondem por 21,3% da receita

Linha de receita ampliada há três anos, que envolve parcerias com laboratórios, clínicas e hospitais, é uma das principais vias de crescimento da companhia centenária

Patrícia Maeda, do Grupo Fleury/Crédito de Foto: Divulgação
Patrícia Maeda, do Grupo Fleury/Crédito de Foto: Divulgação Ilustração de Saúde Insider

Negócios B2B do Grupo Fleury somaram R$ 1,051 bilhão de receita bruta no primeiro semestre deste ano, o que representa 21,3% dos R$ 4,9 bilhões de faturamento registrado de janeiro a junho pela companhia. Essa vertente de medicina diagnóstica, chamada de Lab-to-Lab, funciona por meio de parcerias com laboratórios de diagnósticos, clínicas e hospitais em todo o país. Entre pequenos e grandes, são 9,3 mil clientes que enviaram 117,3 milhões de exames para serem processados em unidades do Fleury nos primeiros seis meses deste ano. O montante é cerca de 50% do total de exames do grupo.

“O Lab-to-Lab é uma das nossas principais avenidas de crescimento. É onde temos investido mais”, disse Patrícia Maeda, presidente da Unidade de Negócios B2C do Grupo Fleury, que recebeu a reportagem do Saúde Insider na sede administrativa da empresa, no bairro do Brooklin, em São Paulo. Em nota, o presidente da Unidade de Negócios Lab-to-Lab do Grupo Fleury, Roberto Santoro, afirmou que esse pilar de atuação “entrega saúde para as pessoas e crescimento para o negócio dos clientes”.

O Fleury já trabalhava com parcerias junto a laboratórios e hospitais, mas intensificou esse projeto com a aquisição do Laboratório Hermes Pardini, em 2023. O movimento foi “transformacional”, como definiu a companhia em seu relatório de resultados divulgado recentemente. Com o Lab-to-Lab, o Fleury coloca sua infraestrutura, conhecimento técnico e capacidade de inovação em P&D (Pesquisa & Desenvolvimento) a serviço de hospitais e laboratórios em todo o Brasil.

Na ponta do processo, o modelo promove acesso à saúde, ao mesmo tempo em que contribui para o crescimento de milhares de laboratórios independentes. São atendidos 2,2 mil municípios do país, com abrangência de 80% da população brasileira. De acordo com Patrícia Maeda, dificilmente essa capilaridade seria atingida em um modelo proprietário. “Por isso essa linha de negócio é muito importante em uma visão de ampliação do acesso à saúde”, disse a executiva. Segundo projeção do Grupo Fleury, o mercado endereçável é de R$ 9 bilhões anuais.

O trabalho do Lab-to-Lab é incrementado pelo pilar de inovação do Fleury. Em 2025, a companhia investiu R$ 107,5 milhões em Pesquisa & Desenvolvimento no Brasil. Nos últimos três anos foram desenvolvidos 1.592 novos exames e alterações de metodologias que contribuem para redução de custos, prazos e resíduos. Segundo Patrícia Maeda, isso gera ganho de eficiência, diferenciação na oferta de produtos e serviços e novas receitas e mercados para habilitar crescimento.

Bruno Aragão, head médico de Hospitais e Inovação do Grupo Fleury, aponta a democratização tanto de exames simples quanto dos mais complexos como fator diferencial. “Com o suporte do Lab-to-Lab, colocamos o laboratório pequeno disponibilizando o exame superespecializado”, afirmou. É o mesmo portfólio que o Fleury tem na unidade mais avançada. “Um ganho de acesso muito grande para toda a cadeia”, afirmou, ao dar como exemplo o atendimento a um laboratório localizado na cidade de Oriximiná, no Pará, a 1,5 mil quilômetros da capital Belém.

Investimento. Com crescimento de receita de 8,9% no primeiro trimestre e de 12,2% no segundo trimestre deste ano, comparados aos mesmos períodos de 2025, o Lab-to-Lab tem potencial enorme de avanço, na avaliação de executivos do Fleury. Por isso, o grupo segue investindo no modelo. Foram R$ 41,4 milhões aplicados desde 2024 na expansão nacional do negócio, com investimento em uma nova área técnica com 30% a mais de capacidade produtiva, descentralização do processamento de exames, padronização de processos e ampliação da eficiência operacional.

Em sua sede em São Paulo, o Grupo Fleury inaugurou no NTO (Núcleo Técnico Operacional), uma nova área técnica equipada com a maior linha automatizada GLP (Good Laboratory Practices) da marca Abbott já instalada no mundo. O Saúde Insider esteve no local, que reúne centenas de metros de esteiras em que os frascos com material coletado de pacientes de todo o país são processados e analisados.

O novo espaço paulistano permite a realização de 84 milhões de exames adicionais ao ano. Ali são feitos exames de bioquímica, coagulação, doenças infecciosas, grupo sanguíneo, hemoglobina glicada, hemograma, imuno-hormônio e urinálise. A tecnologia prioriza de forma automática as amostras consideradas urgentes. A operação ocorre sem interrupções e com escalabilidade para acompanhar o aumento da demanda dos laboratórios parceiros. Atualmente, a unidade libera 95% dos resultados de exames em até três horas – antes, os mesmos exames demoravam um dia ou mais.

Além de São Paulo, a companhia tem ampliado e modernizado a estrutura do Lab-to-Lab em outras regiões, incluindo as unidades em Itajaí (SC), Porto Alegre (RS), Rio de Janeiro (RJ), Vespasiano (MG) e Vitória (ES), além de recursos para atualização tecnológica em Belém (PA), Fortaleza (CE) e Goiânia (GO). No total, são 16 áreas técnicas próprias, espalhadas por dez estados. Em abril, a estrutura de Vespasiano recebeu 205.483 amostras para análise em um único dia, um recorde mundial.

Aquisições. O Lab-to-Lab e a medicina diagnóstica B2C do Grupo Fleury também recebem investimentos que são aplicados em M&A (Fusões & Aquisições). Desde 2017, foram concluídas 16 aquisições em medicina diagnóstica (seja B2B ou B2C), que adicionaram novas marcas, novas unidades de atendimento e novas regiões de atuação. Na linha de negócios chamada Novos Elos, de clínicas de infusão de medicamentos, medicina reprodutiva, oftalmologia, oncologia e ortopedia, foram seis aquisições.

Em maio, o Fleury fechou a compra de 100% das ações de emissão da GIP Medicina Diagnóstica S.A., que opera sob a marca Femme, com foco na saúde da mulher, por meio de 12 unidades na cidade de São Paulo voltadas ao atendimento direto das pacientes. O negócio girou em torno de R$ 67,1 milhões, sendo R$ 42,1 milhões pagos à vista e R$ 25 milhões retidos para fins de ajuste do preço de compra/indenização. Os resultados financeiros incluindo o Femme passarão a ser reportados a partir do terceiro trimestre deste ano.

Patrícia Maeda, presidente da Unidade de Negócios B2C do Grupo Fleury, fala do aumento de 15% da vertente no segundo trimestre deste ano. “B2C também vem crescendo numa proporção interessante, seja de maneira orgânica ou dentro da estratégia de aquisições.” O Grupo Fleury, que completa 100 anos em 2026 (a abertura do primeiro laboratório ocorreu em São Paulo, em 1926) possui hoje mais de 600 unidades de atendimento, além da operação de atendimento móvel. São 26 mil colaboradores e 6 mil médicos.

Questões essenciais

O que é o Lab-to-Lab do Grupo Fleury?

É a frente B2B de medicina diagnóstica em que o Grupo Fleury utiliza sua infraestrutura e capacidade técnica para processar exames e prestar serviços a laboratórios, clínicas e hospitais parceiros.

Quanto o B2B do Grupo Fleury faturou no primeiro semestre de 2026?

Os negócios B2B somaram R$ 1,051 bilhão de receita bruta no primeiro semestre, equivalente a 21,3% do faturamento do Grupo Fleury no período.

Qual é o potencial de mercado do Lab-to-Lab?

Segundo projeção do Grupo Fleury, o mercado endereçável para essa frente de negócios é de R$ 9 bilhões por ano.

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