Olhar do Mercado. Lucro do Fleury pode crescer 79% em três anos e atingir R$ 1 bilhão em 2028
Banco estima avanço de 79% sobre 2025, apoiado por ganho de mercado, maior volume de exames, expansão do B2B e melhora da geração de caixa
Em mais uma análise feita pelo banco de investimentos UBS sobre os grandes conglomerados da saúde no Brasil, a estimativa é que o Fleury pode ultrapassar a marca de R$ 1 bilhão de lucro anual em 2028. O banco estima que o resultado atribuível aos controladores avance dos R$ 613 milhões registrados em 2025 para R$ 790 milhões neste ano, R$ 944 milhões em 2027 e R$ 1,098 bilhão em 2028. A trajetória representa crescimento acumulado de cerca de 79% em três anos e ocorre em ritmo superior ao esperado para a receita, sustentada por ganho de participação de mercado, expansão dos exames e melhora da geração de caixa. Ontem, o Saúde Insider apresentou as estimativas para o Rede D’Or, e amanhã (02) é a vez da análise do banco sobre a Hapvida. No sábado, a última análise será sobre a Bradsaúde.
No Fleury, entre 2025 e 2028, a receita líquida deve avançar de R$ 8,291 bilhões para R$ 10,486 bilhões, crescimento de 26,5%. A diferença aparece também nas margens: o UBS calcula que a margem líquida passe de 7,4% em 2025 para 10,5% em 2028. Já a margem Ebitda deve ter avanço mais gradual, de 25,7% para 26,2%, indicando que parte relevante da melhora projetada para o resultado virá de fatores que vão além da expansão operacional.
Entre os motores operacionais está o avanço do Fleury no mercado de medicina diagnóstica. A companhia detinha 13,4% do volume de exames realizados em unidades de atendimento em 2025. O UBS estima que essa participação alcance 15,1% em 2026, 16% em 2027 e 16,4% em 2028, aproximando-se de 17% até 2030. O banco atribui a trajetória à escala da companhia e à possibilidade de continuar avançando em um mercado ainda fragmentado.
O ganho de participação acompanha uma expansão expressiva do número de exames. Depois dos 165,2 milhões realizados em 2025 nas unidades de atendimento, o UBS projeta 190,1 milhões em 2026, alta de 15%, 205 milhões no ano seguinte e 214,4 milhões em 2028. O movimento ocorre praticamente sem contribuição de preço nos primeiros anos: o tíquete médio, de R$ 37,7 em 2025, é estimado em R$ 37 em 2026 e permanece nesse patamar em 2027.
A marca Fleury aparece como outro componente importante para sustentar a rentabilidade. Segundo o UBS, a bandeira premium vem apresentando crescimento na casa dos dois dígitos, apoiada pela ampliação das unidades, expansão do portfólio e oferta de novos serviços. A área física ocupada pela marca cresceu 8% no ano, e o banco projeta avanço de 11% da receita em 2026. No longo prazo, porém, a expectativa é de normalização desse ritmo para aproximadamente 6% ao ano.
A importância da bandeira aparece sobretudo na diferença de rentabilidade entre os negócios. Pelos cálculos do UBS, a marca Fleury opera com margem Ebitda próxima de 37,5%, ante 24% nas marcas intermediárias, 19% no B2B e 16% em Novos Elos. A margem consolidada é estimada em 25,6%. Essa composição ajuda a explicar por que o crescimento das operações de menor margem pode limitar uma expansão mais acelerada da rentabilidade operacional.
Avanço no B2B. No B2B, o Fleury vem preparando capacidade para absorver volumes maiores. Desde 2024, a companhia investiu R$ 41,4 milhões na expansão de oito de suas 16 instalações e abriu duas unidades técnicas, uma em São Paulo e outra no Rio Grande do Sul. Os investimentos aumentaram em 30% a capacidade anual de processamento. A partir dessa estrutura, o UBS estima que o volume de exames B2B cresça 33% até 2028 em comparação com os níveis registrados em 2025.
O banco também identifica espaço para avanço da terceirização de exames. Segundo dados da administração do Fleury citados no relatório, a parcela terceirizada pelos laboratórios menores passou de 25% em 2018 para 30% em 2025. O UBS avalia que juros elevados e custo de capital mais alto podem pesar na decisão entre investir em estruturas próprias ou contratar terceiros. A expansão, porém, ocorre em um segmento altamente competitivo, no qual o banco vê poder limitado para reajustes de preços.
Às compras. As aquisições também sustentam o crescimento, embora pressionem as margens no curto prazo. O UBS estima que a incorporação da Femme, cuja margem Ebitda está ao redor de 14%, retire aproximadamente 15 pontos-base da margem consolidada do Fleury em 2026. Parte dessa pressão deve ser compensada pela composição das receitas, enquanto as sinergias decorrentes da integração começam a aparecer nas estimativas para 2027, quando o banco prevê margem Ebitda consolidada de 25,9%.
O Fleury desembolsou R$ 97 milhões em aquisições no primeiro semestre de 2026, incluindo a Femme, e ainda carregava R$ 412 milhões em obrigações relacionadas a operações de M&A. Mesmo assim, a alavancagem estava em aproximadamente 1,1 vez a relação entre dívida líquida e Ebitda no segundo trimestre. O UBS espera que o indicador permaneça próximo desse nível, apesar das aquisições menores realizadas recentemente, em um cenário de manutenção da disciplina na alocação de capital.
Caixa. Outra parcela da melhora projetada vem do resultado financeiro. O custo médio da dívida estava em CDI mais 1% no segundo trimestre, mas o UBS estima redução para CDI mais 0,6% após a 11ª emissão de debêntures, realizada para gestão do passivo. O banco também considera que uma eventual queda dos juros ao longo dos próximos anos pode favorecer a geração de caixa, enquanto a intensidade dos desembolsos com investimentos e aquisições tende a se normalizar.
Nesse cenário, a margem de fluxo de caixa livre ao acionista calculada pelo UBS sobe de 6,8% em 2025 para 7,8% em 2026, 8,7% em 2027 e 9,6% em 2028. A projeção chega a 11,2% em 2030. O próprio banco ressalta que essa expansão depende menos de um salto da margem operacional e mais da redução das despesas financeiras e da normalização dos investimentos e aquisições depois de um período mais intenso de expansão. Confira o relatório na íntegra.
Questões essenciais
Quanto o Fleury pode lucrar em 2028?
O UBS projeta lucro atribuível aos controladores de R$ 1,098 bilhão em 2028, ante R$ 613 milhões em 2025. A diferença representa crescimento acumulado de aproximadamente 79%.
Por que o UBS espera aumento do lucro do Fleury?
O banco aponta uma combinação de ganho de participação de mercado, aumento do volume de exames, expansão da marca Fleury e melhora da geração de caixa, além da perspectiva de redução das despesas financeiras.
Qual participação de mercado o Fleury pode alcançar?
Nas unidades de atendimento, o Fleury tinha 13,4% do volume de exames em 2025. O UBS projeta 15,1% em 2026, 16% em 2027, 16,4% em 2028 e aproximadamente 17% em 2030.
