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Negócios

FIDI amplia atuação no setor privado, inaugura clínica em São Paulo e prevê faturar R$ 480 milhões em 2026

Empresa de exames de diagnóstico conquista 39 novos clientes desde 2024 em estratégia para diversificar fontes de receita, que cresce 10% ao ano

Crédito de Foto: Magnific
Crédito de Foto: Magnific Ilustração de Saúde Insider

Para manter a sustentabilidade financeira e garantir sua função social como organização social de saúde filantrópica, a FIDI (Fundação Integrada de Diagnóstico, Pesquisa, Educação e Inovação em Saúde) tem ampliado sua atuação no setor privado e aumentado seu portfólio de serviços. Além dessa estratégia, também desenvolve sua estrutura. A fundação acaba de inaugurar uma clínica em Santo Amaro, na zona sul da capital paulista, para proporcionar mais acesso a exames especializados pelo SUS (Sistema Único de Saúde). O Saúde Insider obteve, com exclusividade, a informação sobre a abertura e os detalhes do novo espaço, que incorpora exames de endoscopia e colonoscopia ao portfólio da FIDI.

A clínica tem capacidade para realizar 7 mil exames por mês. Foi estruturada para aumentar a capacidade assistencial da zona sul paulistana, reduzir o tempo de espera por exames especializados e oferecer uma jornada mais integrada aos pacientes encaminhados pelo SUS. A unidade reúne diferentes modalidades diagnósticas em um único espaço. Na primeira fase de operação, estão disponíveis densitometria óssea, ecocardiograma transtorácico, eletroneuromiografia, MAPA (Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial) e holter 24 horas.

Em uma segunda etapa, passará a oferecer endoscopia digestiva alta, colonoscopia, pesquisa de helicobacter pylori e exames de ressonância magnética. A nova unidade, que substitui uma menor, na mesma região, que realizava 2 mil exames por mês, conta com uma equipe multidisciplinar formada por médicos especialistas, enfermeiros, técnicos de enfermagem, tecnólogos, técnicos em radiologia, profissionais administrativos e equipes de apoio.

O espaço faz parte da estratégia e da execução da gestão da FIDI, que passou a ter um olhar mais voltado aos negócios, como uma empresa que busca desenvolver sua participação no mercado de exames, apesar de seu caráter filantrópico. A companhia tem de se manter financeiramente sustentável e seguir com seu trabalho social, segundo Simone Vicente Reis, CEO da FIDI, que está na empresa há 12 anos e completará quatro anos no comando da fundação em janeiro de 2027.

“Temos crescido 10% em receita ao ano, em média, nos últimos períodos. Mais do que isso, temos aumentado ainda mais a quantidade de clientes”, disse a executiva. “De 2024 para cá, são 39 novos clientes, com 120 unidades em que atuamos”, afirmou Simone. Atualmente, a FIDI realiza 5,1 milhões de exames por ano, uma média de 14 mil por dia, e possui 2.400 equipamentos em seu parque tecnológico e cerca de 2 mil colaboradores, sendo 500 médicos especialistas.

Eram cerca de 10 contratos que, em 2022, antes da executiva assumir a posição de CEO, garantiam uma receita anual de R$ 322,1 milhões, com déficit de R$ 2,9 milhões. Nos anos seguintes, com maior pulverização de contratos, ampliação de serviços, incluindo gestão de clínicas e oferta de mão de obra médica, o faturamento saltou para R$ 362,8 milhões em 2023, R$ 390,8 milhões em 2024 e R$ 430,5 milhões em 2025.

Nesses três anos, o resultado acumulado foi de R$ 65,5 milhões. Para este ano, a projeção é alcançar entre R$ 470 milhões e R$ 480 milhões em receita. “Paramos de concentrar para ampliar a receita e mitigar riscos”, afirmou Simone, que encara o desafio de disputar mercado com gigantes como Fleury e Dasa.

A fatia do faturamento da FIDI oriunda de clientes do setor privado tem aumentado. De janeiro a agosto deste ano, 87,03% da receita vieram de contratos com o segmento público e 12,97%, do privado. Já as vendas comerciais no mesmo período foram 73,57% para o público e 26,43% para o privado. “Mais de 90% de nossos pacientes são do SUS, mesmo quando atendemos clínicas privadas”, disse a executiva da FIDI, fundada há 40 anos por médicos professores integrantes do Departamento de Diagnóstico por Imagem da Escola Paulista de Medicina, atual Universidade Federal de São Paulo.

Entre os clientes públicos estão os governos de São Paulo e do Mato Grosso do Sul, além das prefeituras de São Paulo, Diadema (SP) e Pacaembu (SP). Entre os privados, destaque para o Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, o Instituto de Responsabilidade Social Sírio-Libanês e o Hospital Alemão Oswaldo Cruz, além das Santas Casas das cidades paulistas de Atibaia, Francisco Morato e Itapeva.

Retorno social. Com Cebas (Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social), a FIDI recebe uma série de isenções fiscais. Segundo o Relatório de Análise de Valor da companhia, a cada R$ 1,00 de isenção retornam R$ 12,03 para a sociedade brasileira. Em 2019, essa relação era de R$ 1,00 para R$ 7,16. O índice foi desenvolvido pela AVRI (Analytics Valuation Reporting Insights), a partir da metodologia do Fonif (Fórum Nacional das Instituições Filantrópicas) e da DOM Strategy Partners.

“Mostramos que o setor filantrópico, de modo geral, é um ótimo negócio para a sociedade”, afirmou Simone. Segundo dados do Ministério da Saúde, dos 164.832 leitos hospitalares na rede filantrópica, 120.936 (ou 73,4%) estão destinados ao SUS. Para procedimentos de alta complexidade, como cirurgias cardíacas e transplantes, a rede de hospitais filantrópicos representa 70% da produção da saúde brasileira. Na prática, são as isenções que garantem a atuação social da FIDI.

“Em muitas operações não temos retorno financeiro”, disse a CEO, ao dar como exemplo uma recente solução de inteligência artificial aplicada para gerar rapidez e aumentar a qualidade do diagnóstico em raios X de tórax. “Talvez não consigamos um retorno financeiro nesse contrato específico, mas entregamos valor para o paciente que mais precisa.”

Questões essenciais

Como a FIDI evoluiu financeiramente nos últimos anos?

A receita passou de R$ 322,1 milhões em 2022 para R$ 430,5 milhões em 2025. Nos três anos seguintes a 2022, o resultado acumulado foi de R$ 65,5 milhões. Para 2026, a projeção é de receita entre R$ 470 milhões e R$ 480 milhões.

Por que a FIDI está ampliando sua atuação no setor privado?

Para diversificar suas fontes de receita, reduzir a concentração de contratos e mitigar riscos financeiros, mantendo a sustentabilidade necessária para continuar sua atuação social e seu atendimento ao SUS.

O que a nova clínica da FIDI em Santo Amaro oferece?

A unidade tem capacidade para realizar até 7 mil exames por mês. Na primeira fase, oferece exames como densitometria óssea, ecocardiograma, eletroneuromiografia, MAPA e holter. Em uma segunda etapa, deverá incorporar endoscopia digestiva alta, colonoscopia, pesquisa de Helicobacter pylori e ressonância magnética

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